
Empadas de galinha, arroz de perdiz, tarte de requeijão: a refeição ideal no lisboeta Salsa & Coentros, onde se presta tributo à cozinha do Alentejo e Trás-os-Montes. Mick Jagger gostou do que aqui comeu.
É o melhor restaurante do meu bairro. O bairro de Alvalade, em Lisboa, onde não faltam espaços capazes de satisfazer os palatos mais exigentes. Mas tenho uma especial predilecção por este, a cuja inauguração praticamente assisti. Aqui presta-se tributo à cozinha tradicional portuguesa – sobretudo de inspiração transmontana e alentejana – aliada à arte de bem-receber, cultivada pelo seu proprietário, José Duarte, diplomado pela Escola de Hotelaria de Lisboa e com uma longa experiência anterior na Adega da Tia Matilde, também na capital.
No Salsa & Coentros sinto-me sempre em casa, sobretudo à hora do jantar, quando o ambiente ganha tons familiares e as conversas são ainda mais amenas: percebe-se que tem clientes incapazes de trocá-lo por outro restaurante da zona. No final do Verão, o espaço foi remodelado e adquiriu um toque suplementar de sofisticação.
Empadas de gallinha
Mal nos sentamos, somos brindados com acepipes que contribuíram para a boa fama da casa. Favinhas de coentrada, pimentos com coentros, cogumelos de coentrada – e sobretudo as empadas de galinha: ainda não encontrei melhores em Lisboa. Elas contribuem para esta minha longa fidelidade ao restaurante, fundado em 2006, a curta distância do Mercado de Alvalade, na rua em frente aos bombeiros.

Arroz de perdiz
Mas aquilo de que mais gosto são os arrozes de caça. Sobretudo o arroz de perdiz, com um toque adequado de vinagre. Nesta época, quando aqui venho, nem preciso de espreitar a ementa: é o prato que peço sempre.
Feito no momento, demora a chegar à mesa. Mas asseguro que vale a pena esperar. E o apetite pode ser entretido com um apreciável naipe de entradas: recomendo os espargos com ovos ou as migas de batata e ovo.

Empada de perdiz com arroz de grelos
Todas as semanas há opções novas em vinhos – em garrafa ou servidos a copo. Na minha mais recente incursão, apreciei um tinto do Douro, Raposeira, colheita de 2015. Acompanha bem outros pratos fixos: empada de bacalhau, pato borracho com arroz malandro ou os suculentos lombinhos de porco preto fritos com pimentão. Sem esquecer a empada de perdiz com arroz de grelos.

Tarte de requeijão
Em 2014, Mick Jagger jantou aqui – por sugestão da fadista Ana Moura, sua amiga e cicerone no roteiro gastronómico alfacinha. Consta que saiu satisfeito, desde logo com as favinhas, o que constitui prova inegável de bom gosto. Se não provou a tarte de requeijão, fez mal: é imperdível.
Aviso ao leitor: os dois pisos do restaurante estão sempre cheios. É indispensável fazer marcação prévia, de segunda a sábado, para evitar ir a outro lado. Seria uma pena.
Restaurante Salsa & Coentros
Rua Coronel Marques Leitão, 12, Lisboa.
Telefone 21 841 09 90
Horário: 12.30-15.00, 19.30-23.00. Encerra aos domingos.

Esse Arroz de Perdiz já marchava….
Superlativo. Cesse tudo o que a musa antiga canta.
Obrigado por mo ter dado a conhecer.
Na minha próxima ida a Lisboa estou lá batido.
Um excelente fim-de-semana.
Se não é indiscrição, a quantos quilómetros está?
A uns trezentos e tais. Moro em Vila nova de Gaia.
Havemos de nos encontrar um dia para uma patuscada. Aqui ou aí – ou a meio caminho.
Com certeza. Havemos pois.
No Verão; que isto com o frio glacial que não há maneira de se lhe dar sumiço, comigo não funciona.
Este comentário/resposta ao Pedro Correia é meu, que mais uma vez por falta de atenção entrou sem registo.
As minhas desculpas.
Ainda no outro dia lá almocei. Muito simpatico sim senhor. Optei pelo arroz de pato malandrinho e não me arrependi. Abraço
Acredito. Mas recomendarei um arroz de pato especial aqui nesta série muito em breve. Noutra cidade.
Também adoro. Há muito que é um dos meus preferidos, por tudo isso que o Pedro disse. E sim, está sempre cheio, não é escolha de última hora.
Bom fim de semana …
Tentar reservar no próprio dia, muitas vezes, não funciona. De preferência, há que marcar de véspera.
Lá me vou “desgraçar”, o Pedro ou me sugere bons livros ou bons restaurantes, estou perdido…
Grande abraço, aqui dos aviões
Forte abraço, meu caro Fernando.
já não têm mesa para a janta.
está mal… :-\
É o que eu digo, Cristina: é preciso reservar com antecedência.
Mas compensa, acredite.
Tomei nota . Não é só a empada de perdiz que me seduz …
Se o Mick Jagger lá foi jantar… eu também quero ir 😂😂
Ficou no andar de baixo, que não tem janelas. Mas testemunhos vários confirmam que gostou.
Peu importe le flacon, pourvu

qu’on ait l’ivresse .
Ora aí está um restaurante que muito aprecio, mas onde nunca consigo ir, pois está sempre cheio, nunca tendo mesa disponível para ninguém.
Não me parece que reservar seja uma solução, pois também não tem qualquer estacionamento nas redondezas, não havendo nenhum lugar onde deixar o carro.
Por isso já desisti de tentar lá ir.
Luís, há zonas muito mais complicadas para estacionar. Esse critério levaria, por exemplo, a excluir todo o Chiado. Ou Alfama, por exemplo. Já para não falar em Campo de Ourique.
Partilhamos o bairro e, pelo que aqui leio, os gostos pantagruelicos. Ja foi experimentar o italiano que abriu onde era o saudoso nova goa? Senao foi, aconselho-o a ir. Muito bom. Faz jus a heranca do sebastiao
Ainda não fui, AL. Era frequentador assíduo do Nova Goa e despedi-me aqui do saudoso Sebastião Fernandes. ebastiao-de-grata-memoria-9881117
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/s
Tenho andado a retardar o regresso a esse local – agora remodelado e com nova orientação – onde tantas vezes saboreei o melhor sarapatel que já comi em Lisboa.
Bela escolha, Pedro Correia. Depois de uma ligeira quebra, o Duarte percebeu perfeitamente as fragilidades que emergiram, superou-as bem e hoje o Salsa & Coentros regressou à qualidade que lhe deu merecida fama.
Sem qualquer dúvida. Desafio superado. Com distinção.
Finalmente o Diogo Faro reconheceu que é estúpido. Estará a melhorar?
Boa escolha, às vezes estamos de acordo. E o estacionamento não é difícil.
Ora aqui está “um post” de encher a barriga!
Agradeço-lhe antecipadamente a informação e acredite que não me farei rogado para “mamar” (degustar tem outro nível mas eu mesmo básico) as iguarias que refere.
Cumprimentos