Delito à mesa (11)


Pedro Correia,

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Em equipa que ganha não se mexe. A Adega do Chico, em Caminha, entrou na sétima década de vida mantendo o bacalhau da casa como prato emblemático.

 

Há coisas que não mudam. Ir a Caminha, no extremo norte do País, e apreciar o bacalhau à Chico é um prazer antigo sempre renovado. A Adega do Chico chama-se assim por ter sido fundada em 1957 por uma figura bem conhecida na vila, que respondia pela alcunha de Francisco dos Jornais. Era um tasco de características muito populares, que granjeava clientela graças à qualidade da cozinha. Com destaque para o famoso bacalhau, muito bem demolhado e frito em abundante cama de azeite e cebolada, servido com batatas fritas às rodelas. Uma dose do apreciado bicho, pescado em águas islandesas, chega à vontade para duas pessoas.

 

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                   Bacalhau à Chico, confeccionado com a cozinha à vista dos clientes

 

Há 36 anos na mesma família, que adquiriu o estabelecimento ao senhor Francisco, esta acolhedora Adega situada junto ao pano da muralha medieval da vila soube cultivar as características originais, conservando o caldo verde e o bacalhau como cartões de visita. As alternativas são escassas, mas suculentas: arroz do mar à chefe, robalo à marinheira, polvo cozido, cabrito à Serra de Arga. Tudo confeccionado pela cozinheira Elsa, sempre de acordo com a matriz original. Para acompanhar, e visto estarmos em zona de vinho verde, nada melhor do que um branco de Ponte de Lima.

 

thumbnail_20181013_194935[2].jpg                                          Robalo à marinheira

 

Também no exterior, a paisagem do passado ecoa no presente: a matriz, as tílias na praça central, a torre do relógio, o Coura desaguando no Minho, a silhueta tutelar da Serra d’ Arga e a massa imponente do Monte de Santa Tecla, já na Galiza. Apetece sempre regressar, a caminho de Caminha. 

 

Adega do Chico

Rua Visconde Sousa Rego, n.º 30, Caminha.

Telefone 258 921 781.

Horário: 12.00-15.00, 19.00-22.00. Encerra às quintas.

0 comentários em “Delito à mesa (11)”

  1. Um branco de Ponte de Lima é uma vulgariadade, que hoje em dia se bebe em qualquer ponto do país e até do estrangeiro.
    Eu quando vou a essas zonas aproveito para beber o genuíno vinho verde, que é o tinto, e que, esse sim, quase não se consegue encontrar a não ser na região de origem. E que é um excelente vinho, na minha humilde opinião, ao contrário do branco, que é melhor maduro.

  2. “Não vejas fazer aquilo que hás de comer”, diz o adágio, e eu concordo. Essa moda das cozinhas à vista não é cá para mim.

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