
Em equipa que ganha não se mexe. A Adega do Chico, em Caminha, entrou na sétima década de vida mantendo o bacalhau da casa como prato emblemático.
Há coisas que não mudam. Ir a Caminha, no extremo norte do País, e apreciar o bacalhau à Chico é um prazer antigo sempre renovado. A Adega do Chico chama-se assim por ter sido fundada em 1957 por uma figura bem conhecida na vila, que respondia pela alcunha de Francisco dos Jornais. Era um tasco de características muito populares, que granjeava clientela graças à qualidade da cozinha. Com destaque para o famoso bacalhau, muito bem demolhado e frito em abundante cama de azeite e cebolada, servido com batatas fritas às rodelas. Uma dose do apreciado bicho, pescado em águas islandesas, chega à vontade para duas pessoas.
![thumbnail_20181013_203624[2].jpg thumbnail_20181013_203624[2].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2019/21373595_fDZZA.jpeg)
Bacalhau à Chico, confeccionado com a cozinha à vista dos clientes
Há 36 anos na mesma família, que adquiriu o estabelecimento ao senhor Francisco, esta acolhedora Adega situada junto ao pano da muralha medieval da vila soube cultivar as características originais, conservando o caldo verde e o bacalhau como cartões de visita. As alternativas são escassas, mas suculentas: arroz do mar à chefe, robalo à marinheira, polvo cozido, cabrito à Serra de Arga. Tudo confeccionado pela cozinheira Elsa, sempre de acordo com a matriz original. Para acompanhar, e visto estarmos em zona de vinho verde, nada melhor do que um branco de Ponte de Lima.
Robalo à marinheira
Também no exterior, a paisagem do passado ecoa no presente: a matriz, as tílias na praça central, a torre do relógio, o Coura desaguando no Minho, a silhueta tutelar da Serra d’ Arga e a massa imponente do Monte de Santa Tecla, já na Galiza. Apetece sempre regressar, a caminho de Caminha.
Adega do Chico
Rua Visconde Sousa Rego, n.º 30, Caminha.
Telefone 258 921 781.
Horário: 12.00-15.00, 19.00-22.00. Encerra às quintas.

Excelente postal…ali com a foto do verde…se estiverem em Caminha dêem um salto ao Castro de Sta Trega e jantem uma mariscada em A Guarda
Este verde é fabuloso. A Guarda tem excelente marisco, confirmo. Mas nenhum bacalhau como o do Chico.
O Vinhão de Ponte de Lima também é muito agradável, após um bom repasto e antes de uma soneca nas margens do rio Lima.
Aguardo dias (ainda) mais floridos para ir até lá.
Serve batata marciana?
Não serve Lays nem Pála-Pála.
Sim ao bacalhau. Não havia mexilhões?
Não conheço bacalhau melhor que este. Mexilhões, estou a guardar-me para quando for a Bruxelas.
Um branco de Ponte de Lima é uma vulgariadade, que hoje em dia se bebe em qualquer ponto do país e até do estrangeiro.
Eu quando vou a essas zonas aproveito para beber o genuíno vinho verde, que é o tinto, e que, esse sim, quase não se consegue encontrar a não ser na região de origem. E que é um excelente vinho, na minha humilde opinião, ao contrário do branco, que é melhor maduro.
Este bacalhau pede um branco verde de Ponte de Lima.
O tinto vai com a lampreia. Em malga, não em copo.
O que é isso de genuíno?
“Não vejas fazer aquilo que hás de comer”, diz o adágio, e eu concordo. Essa moda das cozinhas à vista não é cá para mim.
Pelo contrário, é uma prova de honestidade e transparência.
Pedro recomendo:
https://boacamaboamesa.expresso.pt/g uia/dona-lurdes
Obrigado, meu caro. Eu, na Maia, vou sempre ao Machado. Mas é tempo de diversificar.
https://boacamaboamesa.expresso.pt/g uia/acude-1
Uau, o Açude. Imperdoável não gostar.