Deixem-se de lérias


Sérgio de Almeida Correia,

944902-thumb.jpg

Confesso que já estou enjoado com a conversa dos contratos de associação. Mais com a desinformação, com a chantagem barata, a politiquice e a pseudo indignação de meia dúzia de privilegiados, de alguns manipuladores e de instrumentalizados de boa fé que defendendo o seu legítimo direito de escolha querem que este seja exercido – sem perceberem o que está em causa –, com a generosa colaboração de todos os contribuintes. De igual modo, confesso que não compreendo por que razão havemos de ser todos a contribuir para pagar a alimentação dos cavalos, as aulas de esgrima e a água das piscinas de algumas instituições a que só alguns podem aceder.

O Estado tem de assegurar o direito de todos à educação e a um ensino que ensine e que forme com qualidade os seus cidadãos. E também tem de garantir a liberdade de escolha e a liberdade de abertura e de encerramento de escolas privadas; mas é evidente que não tem de estar a sustentar a educação ministrada em escolas privadas ou estabelecimentos de ensino religioso, ou os seus luxos, mais a mais sendo Portugal um Estado laico e não estando em causa a satisfação de necessidades públicas, em detrimento da escola pública.

O ideal era que o Estado, em vez de estar a subsidiar os estabelecimentos privados, atribuísse uma verba por aluno aos seus pais, dando-lhes a faculdade de depois poderem escolher a escola para os filhos. Os empresários abriam as escolas e colocavam-nas no mercado com o seu próprio dinheiro, ou pedindo a alguém – sem ser o Estado – que lhes emprestasse. Os pais escolhiam a escola e usavam o dinheiro recebido do Estado para pagar parte da educação do filho na escola escolhida. Se fosse privada e a mensalidade fosse superior ao valor do cheque teriam de cobrir a diferença do seu bolso. Mas, infelizmente, as coisas não funcionam assim. 

Por isso mesmo, se uma escola privada apresenta cem ou duzentos mil euros de lucros contando para a sua realização com subsídios públicos, o que seria justo era que o beneficiado devolvesse ao Estado e aos contribuintes que a financiaram, pelo menos, uma parte desses lucros. O facto dos contratos terem dezenas de anos não justifica que a mama continue. Tem de haver algum risco para quem investe no ensino privado na mira dos lucros. Com o dinheiro e os subsídios dos outros é muito fácil ser empresário. 

E como nestas coisas não há nada como números, o ideal não era os jornais publicarem a lista das 39 instituições que actualmente recebem verbas à conta dos contratos de associação e que vão deixar de as receber quando estes chegarem ao fim. Isso são só nomes. Importante era que fosse levada informação às pessoas e que essa informação fosse actualizada e permitisse saber se no local em causa existe oferta educativa pública, se esta é suficiente e corresponde às necessidades e, não correspondendo, o que é necessário fazer para que ela possa existir, seja melhorada e se torne acessível a todos com o menor custo possível para o contribuinte.

Porém, também seria importante que fosse devidamente publicitado (ninguém lê listagens no Diário da República) quanto é que cada uma dessas instituições privadas, que tem sido beneficiária de contratos de associação e os irá perder, tem recebido anualmente, já que só em relação a estas é que, penso eu, o problema se coloca. Atirar números para o ar, manipulá-los e depois dizer que na escola pública os alunos saem mais caros, só serve para atirar areia para os olhos das pessoas.  

Já todos perceberam que está em curso uma cruzada contra algumas decisões mal explicadas (o que não quer dizer que todas estivessem erradas), a falta de jeito e alguma sobranceria do ministro da Educação, cruzada que conta com a desinformação e a manipulação de alto coturno dos papás, das mamãs e da criançada, bem como com o trabalho de bastidores dos “interpretadores” oficiais dessa instituição de referência para alguns dos mais conhecidos cábulas nacionais. E de pessoas como a Dr.ª Manuela Ferreira Leite que, apesar de ter sido ministra das Finanças e da Educação, nestas coisas muda de opinião consoante os ventos. Mas também começa a ser tempo de se colocar um ponto final nas garraiadas dessa malta e de se fazerem as coisas como deve ser. 

Por mim, se quiserem continuar a berrar, podem berrar à vontade. É lá com eles. Agora, deixem-se de lérias e não me venham depois pedir para lhes subsidiar a aveia e as pastilhas para a garganta.

0 comentários em “Deixem-se de lérias”

  1. contribuir para pagar a alimentação dos cavalos, as aulas de esgrima e a água das piscinas de algumas instituições a que só alguns podem aceder

    Refere-se ao Colégio Militar ou aos Pupilos do Exército?

    1. Como eles se vestem de amarelo…as cores do Vaticano…E a luta dos padres por esta situação?Será porque a maioria dos colégios pertencem à igreja?Eu nunca vi a Igreja dar seja o que for para Países paupérrimos…eles pedem sim para os outros os ajudarem…estou farta de palhaços Ahhhh, e não se esqueçam todos de ir à nutribalance visto que a igreja tem interesses nessa empresa.Caso contrário os ditos anúncios também apareceriam noutras rádios e de certeza que não com tanta frequencia

      1. Eu percebi, Sérgio. Mas, saiba que o Colégio Militar também satisfaz a descrição. Se o Sérigio se escandaliza contra a escola privada que tem piscina e picadeiro, também se deveria escandalizar contra o Colégio Militar.

      2. O típico popdemagogico.
        Os professores trabalham mais e ganham menos e sobra dinheiro para benefício dos alunos, é uma possibilidade.
        Há muitas outras possibilidades.
        Contas não serão feitas, que este país é dado a grandes desígnios pela mão de treteiros.
        Mas fique tranquilo que o argumentário anti sucesso privado, pró público e temperado com invejas sortidas fará mais uma vez caminho.

  2. Sabe mesmo do que está a falar??? Em vez de estar a opinar sobre coisas que se vão dizendo para aí por muito papagaio com dor de cotovelo e sempre com vontade de arrotar umas postas de pescada! Deveria era informar-se corretamente!!!
    Sobre esta matéria tem se dito muitas mentiras, tem se inventado muita coisa só pelo prazer de dizer mal!!! O Fulano e Sicrano dizem mal eu também vou dizer mal porque sim!!!
    Aconselho vivamente todas estas pessoas que opinam sobre este assunto como se não houvesse amanhã a irem diretamente às ESCOLAS (nem todas são colégios por favor não metam tudo no mesmo saco!!!) e verem o que na realidade acontece! Eu ganho o miserável ordenado mínimo nacional (530,00€ pra quem não saiba!) e pago impostos!!!! Não vou de férias para o Algarve nem conduzo um Mercedes!!! (porque não tenho condições financeiras para isso!)Tenho o meu filho de 11 anos apenas, numa ESCOLA com contrato de associação, depois de um percurso atribulado na primária pública onde o professor em vez de dar atenção aos meninos dedicava o seu tempo letivo a ver pornografia no seu portátil enquanto os alunos saltavam de mesa em mesa, corriam pela sala de aula e se agrediam uns aos outros era justo que eu procurasse uma ESCOLA em que o miúdo pudesse ser melhor acompanhado ou não??? Ele iniciou o 5.º ano na ESCOLA com contrato de associação onde para grande espanto meu em vez de se começarem as aulas no final de Setembro, as mesmas começaram logo no inicio de Setembro dia 1 mais precisamente. O corpo docente desta ESCOLA é fixo, os professores que iniciaram o 5.º ano com ele iriam leva-lo até ao 9.º ano (esta ESCOLA não tem 3.º ciclo!) aqui já está demonstrado que a preocupação com a estabilidade dos alunos está acima de tudo, mas há mais, os horários são organizados de forma a que haja apenas uma tarde livre por semana, todas as horas livres durante a semana são ocupadas com outras atividades, entre elas apoio ao estudo e aulas de explicações. Mesmo que não houvesse nada disto a ESCOLA já teria ganho o meu respeito só pelo facto de tratar os miúdos com o respeito que eles merecem!!! Nesta ESCOLA não há esgrima!!! Nem equitação!!! Não há Porches nem Jaguares estacionados à porta!!! A piscina que o meu filho frequenta uma vez por semana é camarária e paga por mim com o meu salário mínimo!!!!
    Este é um desabafo de quem também já está enjoado de ouvir falar das escolas com contrato de associação….
    MENOS…. MUITO MENOS…..

    1. Como eu o compreendo! Que pena o seu filho ter que abandonar essa escola no próximo ano – a partir do 6º ano a escola deixa de ter apoio do Estado.
      O que não compreendo é que haja quem escreva sobre o assunto sem conhecimento de causa e que, mesmo assim, tome posição a favor desta medida abrutalhada, própria de ditadores, ou seja de quem “posso, quero e mando”.

  3. Concordo em absoluto com o seu artigo.
    Não é honesto exigir o direito à escolha de uma escola para os filhos, quando nós que pagamos nunca tivemos essa mesma oportunidade. A escolas públicas não têm dinheiro para aulas de equitação, de ténis e outras atividades, nem tão pouco têm equipamentos e infraestruturas tão luxuosas, como pavilhões desportivos topo de gama.
    Mas as escolas privadas têm!! À custa dos meus impostos e dos restantes contribuintes!
    E quanto à “qualidade” do ensino, é outra falácia.
    Os alunos são selecionados, as notas “criteriosamente” atribuídas, e por essa razão, estão no topo dos rankings.
    Muitos destes encarregados de educação querem que a sua prole frequente estes estabelecimentos de ensino porque isso lhes dá estatuto, fica bem para mostrar, mais nada. Nesse aspeto, continuamos o país parolo e provinciano de Eça de Queiroz.
    Esta situação faz-me lembrar aquele tipo que vai jantar fora com os amigos e quer comer lagosta à pala dos outros.
    Que pague do bolso!

  4. Muito bem dito, Sérgio. Acrescentava só mais um comentário: é curioso como esta gente que agora se revolta com a restrição dos apoios às escolas privadas é a mesma que noutros contextos vocifera contra a subsídio-dependência dos empresários portugueses.

  5. O cartaz da JSD não é nada simpático, a fazer lembrar as dezenas de cartazes semelhantes que os sindicatos da FENPROF sempre fizeram sobre os governantes e em particular sobre os ministros da educação.
    Quando não mandavam no ministério…
    É como aquela intervenção da deputada Rita Rato em 2011, a atirar-se ao governo de então e a defender os colégios privados e os seus contratos de associação.
    Quando não mandava no governo…
    Enfim, mudam-se os tempos mudam-se as vontades.

  6. Acho que a grande preocupação que eu tenho como contribuinte é se de facto as crianças que serão retiradas do colégio privado tem vagas nas escolas públicas ou se iram sobrelotar ainda mais turmas já de si sobrelotadas.
    Porque há que sim cortar com contractos sem sentido, mas é preciso ver se tem reunidas condições para dar as mesmas crianças, e em condições falo em não ter turmas gigantes ou aulas em contentores. Ou ficarem a mais de 30 minutos da escola de carro.
    É nisto que os jornais deviam de se focar, nas verdadeiras consequências e não no há vão mais x pessoas para o desemprego. Não eu como cidadã contribuidora com os meus impostos, preocupa-me saber o que será destas crianças, não basta dizer que vão para o público, há que saber se tem vagas nas escolas da sua zona.

  7. Caro Sérgio:
    Quando se mistura desinformação com alguma demagogia costuma dar uma mistela intragável.
    É o que acaba por fazer, admito que sem más intenções.
    DEMAGOGIA: «não compreendo por que razão havemos de ser todos a contribuir para pagar a alimentação dos cavalos, as aulas de esgrima e a água das piscinas de algumas instituições a que só alguns podem aceder.»
    Isto não passa de um estereótipo que não traduz a generalidade da situação nos colégios com contrato de associação (CA).
    Como argumento vale zero.
    ARGUMENTO AO LADO: «não estando em causa a satisfação de necessidades públicas, em detrimento da escola pública».
    Ora, está precisamente em causa a satisfação de necessidades públicas nos locais onde não há escola pública e que são, na minha opinião, os únicos casos em que se justifica a existência de CA.
    ARGUMENTO FALSO E DESINFORMADO: «O ideal era que o Estado, em vez de estar a subsidiar os estabelecimentos privados, atribuísse uma verba por aluno aos seus pais, dando-lhes a faculdade de depois poderem escolher a escola para os filhos.»
    Isto é o cheque-ensino, e já há suficientes experiências noutros países (Nova Zelândia; EUA, Suécia, por exemplo) para se concluir ao que conduz: ao desastre educativo, como provam os testes PISA em relação à Suécia ao fim de 20 anos. A Suécia, que foi um esteio na erradicação do analfabetismo no final do século XIX, e na construção de um sistema de ensino exemplar, enveredou por este caminho na década de 1990. Hoje está atrás de Portugal, que devagarinho foi subindo no PISA. Ao lado, a Finlândia, que é um exemplo do melhor sistema educativo da Europa e de um dos melhores do mundo, tem Educação estatal e nem sequer tem exames generalizados ao longo dos ciclos, muito menos chumbos dos alunos. Há outras maneiras eficazes de ensinar e aprender.
    CONFUSÃO ARGUMENTATIVA: «Os empresários abriam as escolas e colocavam-nas no mercado com o seu próprio dinheiro, ou pedindo a alguém – sem ser o Estado – que lhes emprestasse. Os pais escolhiam a escola e usavam o dinheiro recebido do Estado para pagar parte da educação do filho na escola escolhida.»
    A Educação não é uma mercadoria como produzir e vender batatas ou cebolas.
    Neste caso hortícola, há muitos produtores, por todo o país e, agora, com as fronteiras abertas, também no estrangeiro. E há uma rede de comércio independente dos produtores.
    Se falha um produtor ou outro podemos sempre recorrer a um terceiro relativamente perto da nossa casa.
    Com a Educação não é assim. Por isso demorou tanto e exigiu tantos recursos montar uma rede pública de escolas que cobre quase 100% do país.
    Se havia mercado, porque não supriram os privados a necessidade e teve de ser o Estado a fazê-lo?
    Porque não é uma mercadoria.
    E é um processo muito complexo e delicado montar uma rede universal que sirva todos os cidadãos.
    Por isso acho de uma irresponsabilidade atroz o que se está a fazer, precisamente no momento que cobrimos todas as necessidades entrar numa guerra apenas por uns milhões de euros e pôr em risco um sistema bastante delicado e complexo.
    Para garantir a chamada liberdade de ensino, através do cheque-ensino que refere, teríamos de criar uma nova rede de escolas em sobreposição das públicas existentes: um desperdício de recursos.
    E ficava-se apenas com a opção de escolha entre público e privado.
    E as outras, as confessionais, cada um escolher a escola de acordo com as suas crenças?
    SENSATEZ: Seria sensato cumprir o que a lei diz e faz sentido: CA apenas onde a rede pública não chega, porque neste momento não se justifica gastar dinheiro em construir mais escolas: se há privadas faz-se CA com elas.
    Mas não fazer CA onde há escola pública, roubando alunos a esta para alimentar a privada.
    (CA = Contratos de Associação)

  8. “O ideal era que o Estado atribuísse uma verba por aluno aos seus pais”. Assumidamente contra, mas ainda bem que não é assim.

  9. Olá, bom dia Sérgio de Almeida Correia
    Permita-me que o felicite, pelo seu brilhante e preciso comentário.
    Concordo, em absoluto, nos argumentos por si focados; e na forma como brilhantemente expõe o seu raciocínio, para que todos compreendam, o que efectivamente esta em causa.
    Pelos vistos, havia oferta na rede publica, sim porque as vagas não apareceram por “milagre”, da noite para o dia…
    Aconselho vivamente, a verem o programa do CANAL 1 “sexta às nove do dia 20 de maio”, e ficaram com todas as dúvidas esclarecidas…
    Só para terem uma ideia, só o grupo GPS que possuem um conjunto de colégios com contrato de associação com o estado, receberam só no ano passado, 22 milhões de Euros do Orçamento do Estado, que somo todos nós…Ou a Notícia da tvi24 de 2016-05-24, onde refere…” Colégio com contrato de associação tem 27 escolas públicas em redor…Estudo da rede escolar privada revela ainda que há um colégio que tem ao lado uma escola pública com metade das salas vazias…O colégio ANCORENSIS, em Viana do Castelo, tem, segundo o documento do ME, uma escola pública, a “zero quilómetros”, com capacidade para receber as turmas de 3.º ciclo que deixam de ser financiadas neste estabelecimento. A escola pública em questão – Escola Básica do Vale do Âncora – apresenta também o nível de ocupação mais baixo”…
    Nos meandros da educação, ainda há muito para esclarecer, até porque nesta área do Estado Democrático, existem muitos esqueletos guardados no armário, muitos deles fechados a sete chaves…
    Concordo que os alunos, deveriam de poder escolher boas escolas.
    Mas então, temos de mudar o tema desta polémica, temos que nos manifestar para que o Estado, financie todas as escolas privadas ou não, de qualidade e não só algumas.
    Como sempre, o caldo fica entornado quando se fala em questões financeiras, perda de regalias e mordomias de alguns….Pelos vistos, as expectativas defraudadas e os direitos adquiridos são só para alguns…
    O velho dilema do sociedade em geral.
    A espécie Humana é tão perversa, defendemos com força de Golias os “nossos direitos”, que mal vemos as injustiças que pairam há nossa volta…
    Não podemos esquecer que Portugal apesar de pequeno é imenso no que diz respeito ás desigualdades sociais…
    Então eu pergunto, na província, por acaso, sabem quantos quilómetros, muitas crianças têm fazer para ir à escola…Em Portugal não existem só cidades…E a maioria das crianças não tem possibilidade de escolher.
    O Estado tem obrigação de disponibilizar uma rede de escolas publicas aos alunos e não duplicação de ofertas.
    Nestes dias todos, tem-se falado muito de questões económicas e pouco de educação.
    O financiamento só se justifica, quando o estado não tem capacidade de resposta.
    Se existe oferta pública, não se justifica esbanjamento de dinheiros públicos. Quem por ventura, não acredita que a escola pública, pode prestar um serviço de qualidade, que pague tão simples quanto isso…Hora bolas, ter regalias com a carteira dos outros, como diz a sabedoria popular, também eu….
    Muito se tem falado sobre o argumento “liberdade de escolha”…
    Então, eu pergunto, aos alunos que frequentam a escola publica, por ventura, alguma vez lhes foi perguntado, se queriam frequentar aquela escola…
    Quem quer ter os filhos nos colégios que pague, pois é injusto para com os outros pais, que também têm os filhos nos colégios privados e pagam avultadas mensalidades, pois estamo-nos a esquecer que nem todos os colégios são financiados pelo estado.E que também prestam um serviço de qualidade.
    E não estão a reivindicar ajudas…
    Vão para a rua manifestarem-se a argumentar o quê!!!
    Os colégios, estão a falar de“expectativas goradas”;de indemnizações e de desemprego, muito me espanta, só acordaram agora…Esta gente sábia, não leu os sinais dos tempos… Não se debruçou sobre as questões da diminuição da natalidade, da emigração.
    Então eu pergunto, o que é feito da indignação das pessoas, quando nos últimos anos, cortaram centenas de milhões na escola pública e foram para o desemprego 25 mil professores, fora 11mil professores dos Centros de Novas Oportunidades,fora o pessoal administrativo.E depois,idealizamos uma sociedade justa e solidária, depositamos nas novas gerações grande Esperança…Com estes exemplos vamos longe…
    Abraço.

    1. Caro José,

      Concordo inteiramente consigo, é muito triste as pessoas só olharem para o seu umbigo e como diz e muito bem, Portugal não são só as cidades e as aldeias e os meninos que se levantam de madrugada para ir para a escola, acabando muitas vezes por desistir. O meu irmão quando era miúdo andava 40 minutos a pé para chegar à escola e mais 40 minutos para voltar, fizesse chuva ou sol, andou sempre em escolas públicas, hoje é Engenheiro Aeroespacial. A minha filha frequentava um colégio privado, a mensalidade começou a pesar e tive que a mudar para uma escola pública, não é a escola mais fantástica mas as pessoas que estão lá fazem o seu melhor. Por isso todo este alarido mete me nojo, havendo oferta pública não se justifica, é claro que é bem dizer que o meu filho anda numa escola privada, temos pena, com o meu dinheiro NÃO.

      Carla A.

      1. Resposta: Olá bom dia,Carla A.
        Fico feliz, pelo seu comentário. Nos últimos meses, tenho escrito muito, sobre este assunto. Pena é, que os comentários, não podem ser muitos extensos. Pois gostaria, de poder, contar algumas historias que conheço, inclusivo a minha, de pessoas que estudaram com muitas dificuldades, e nem por isso, deixaram de ter sucesso, estudando em zonas remotas e com poucos recursos económicos, e sempre na escola pública. Tenho, irmãos e irmãs, todos tiramos um curso superior com grandes dificuldades. Os meus pais, têm poucos estudos e tinham empregos mal remunerados; tivemos que trabalhar sempre, nas férias escolares e nos tempos livres durante o ano.
        Quando andava na Universidade, fazia um percurso a pé todos os dias de 1,5 Km, para apanhar o autocarro e fazer mais 35 Km até a Universidade, isto só de ida. Por isso, não entendo, do que é que as pessoas, se queixam.
        E quando, acabei o curso, ia trabalhar de transportes públicos, não tinha carta de condução, pois o dinheiro era para tirar o curso. Muitas pessoas, não sabem o que são dificuldades…Pena é, que muitas destas pessoas, não dão o seu testemunho.
        Estas pessoas, que se estão a manifestar, não sabem, nem sequer imaginam, o que são dificuldades. Muitos destes alunos, são levados pelos pais em carros topo de gama, gabam se, e até postam no facebooK as ferias de sonho que fazem, e os filhos ostentam roupas e telemóveis de marca…
        Por outro lado,todos sabemos que os professores dos colégios entram pela cor da “fatiota”…digamos assim…e são explorados… Enquanto, que os professores contratos, da escola pública, andam de terra em terra, com a casa às costas, e passam por muitas situações complicadas.
        Ainda, existe a ideia burguesa, de que, o que é privado é que é bom…
        Hoje em dia, tenho duas sobrinhas, que por força das circunstancias ( incompatibilidade de horários), estão em colégios privados não financiados pelo estado, repito não financiados pelo estado, cujo os pais fazem muito esforço para pagarem a mensalidade. Claro que, não há férias de sonho, nem caros de luxo… Como é óbvio ambas, são excelentes alunas, o que não seria de admirar, pois têm a sua disposição diariamente, 5 licenciados (família mais próxima), entre outros, nas mais variadas áreas. E depois, usam o argumento que os colégios leccionam com mais qualidade, não admira, deixo aqui, o exemplo das minhas sobrinhas, pois o mérito é do acompanhamento que têm, por parte da família.
        Haja paciência…Tenham juízo…Há muitas escolas publicas de muito boa qualidade, como também existem colégios de duvidosa qualidade…
        Desde que, se deu a massificação do ensino público, muitos e bons profissionais se formaram, nas mais variadas áreas…Mal estaríamos, se só fossem bons profissionais, aqueles que frequentaram o ensino privado…
        Por outro lado, estes colégios com contrato de associação, não se destinam aos mais desfavorecidos; são sim frequentados por alunos de famílias com posses…Para nos certificarmos disso, basta pormo-nos a porta destes colégios.
        Haja paciência…Tudo serve, para descredibilizar a equipa do Ministério da Educação. Um abraço.

  10. O seu texto está muito bem estruturado, explícito, conciso e completo.
    Permita-me entretanto discordar da sua sugestão, relativamente a habilitar os pais com uma verba por aluno, para que pudessem escolher a sua escola.
    Teoricamente, seria aconselhável e exequível.
    Na prática, já estou a imaginar quantos dos papás e mamãs não encontrariam outras prioridades para essas verbas, ficando os filhos à esmola, que nesse caso só poderia ser do estado, que além dos pais, é quem tem obrigação.
    E lá voltaríamos ao mesmo…
    Seria pior a emenda…

  11. Estou plenamente de acordo. Se para ter acesso ao ensino privado e todas as regalias que este oferece é preciso pagar, por que razão terão a maioria dos contribuintes ( com acesso apenas ao ensino público ) ter que financiar a minoria privilegiada?
    Ao fecharem as centenas de escolas públicas por este país fora, o ensino privado não se manifestou para ajudar os estudantes que fazem kms para ter acesso a educação agora!
    Se o mesmo dinheiro destes contratos de associação de que tanto o ensino privado “necessita” (dado que as mensalidades recebidas pelos pais dos alunos que as frequentam pelos vistos não lhes chegam) fosse aplicado ao ensino público, que deve ser o setor que o governo deve apoiar, também este teria talvez o aproveitamento que se vê no setor privado e talvez os luxos oferecidos.

  12. Tem toda a razão.
    Só gostava era que os jornalistas tentassem saber quem são as pessoas que surgem nestas manifestações. Ontem, em Aveiro, estavam quase 300 pessoas com camisolas amarelas e pretas. Só 4 pessoas que lá estavam falavam com a comunicação social. O resto, mostravam os cartazes e apoiavam as escolhas pessoais. Não diziam mais nada… todos diziam as mesmas 2 frases.
    Demasiado teatral para um grupo de pessoas simples que se juntou para defender algo da sua ideologia.
    Já ali algures que há pessoas a suspeitar que existem muitos actores contratados para participar nestas manifestações… cada vez mais acredito que isso está a acontecer, tal como aconteceu em 2011, em que alunos de uma universidade privada fizeram-se passar por jovens pais numa manifestação ao pé de um restaurante onde estava o candidato do partido que estava no governo.

  13. Não tenho nada contra as escolas privadas, nem com aulas de equitação e outro tipo de especifidades não encontradas nas escolas públicas.
    Também concordo com o artigo em questão, certamente tal como a maioria dos portugueses.
    Os paizinhos dos meninos que andam a manifestar-se nas ruas, vestidos de amarelo canário, o que devem fazer é pagar do seu bolso as propinas das privadas e, nunca ser o contribuinte a ter de pagar para o publico e adicionalmente para o privado.

  14. Também eu já enjoei com a conversa dos contratos – e, agora, começa a manifestar-se uma azia bem profunda. Para a atenuar, ou debelar mesmo, estou a pensar em promover uma manifestação dos contribuintes que não estão dispostos a suportar parte dos encargos com a educação dos filhos de outros cidadãos que, legitimamente, decidiram optar pelo ensino privado.
    É lá com eles. Mas, se querem paguem.
    PS -Só não sei, ainda, qual será a cor mais adequada para as t-shirts desta manifestação…talvez verde, na esperança de que o país não ensandeça mais.

  15. O essencial em que discordo de ti Sérgio: «O ideal era que o Estado (…) atribuísse uma verba por aluno aos seus pais, dando-lhes a faculdade de depois poderem escolher a escola para os filhos»

    Isto é o velho caso dos cheques-ensino (ou vouchers) e tem um problema: não conta com a velha lei da oferta e da procura nem com o principal interesse de um estabelecimento privado: o lucro.

    Um escola privada cobra X euros por mês que determinado número de famílias paga (porque tem condições, maiores ou menores, para tal). Se o Estado atribuir Y euros por criança para escolher a escola, o que a escola privada fará será passar a cobrar X+Y euros. Se os pais podem pagar X euros e passam a ter disponíveis o extra de Y, é lógico que a escola irá aumentar o seu lucro aumentando a propina. Isto não melhora a escola.

    A única solução seria tornar todas as escolas privadas ou pseudo-privadas (denominação que eu uso no caso de serem públicas mas financiadas exclusivamente por propinas).

    Neste caso entra o segundo problema: deixaria de haver condições para garantir um ensino universal. Se uma escola (privada ou pseudo-) que fosse a única numa determinada zona deixasse de se conseguir financiar com as propinas (porque os custos subiriam, seria mal gerida, etc), os alunos dessa zona perderiam acesso ao ensino. Teriam de viajar mais para poder ter aulas. Ficariam em desvantagem.

    É por isso que sou contra o cheque-ensino. Nada tenho contra escolas privadas, mas apenas como alternativa às públicas. Até poderão receber alguns benefícios fiscais (o aumento de competição ajuda ao aumento de qualidade), mas contratos de associação apenas onde sejam a única alternativa à escola pública.

  16. Tanta algazarra por causa de 50 milhões (1%)de um bolo bem maior.

    Acho interessante que:

    1. Porque será que os pais preferem estas escolas e as crianças também? E lições a tirar? Não?

    2. Se estas escolas têm melhores condições e até oferecem mais actividades pelo mesmo preço, isso não é bom? Lições a tirar? O que interessa é atirar as crianças para pré-fabricados com a fotografia do homem da Fenprof? Afinal ser público é melhor? Ou é melhor o privado? Privilegiados? Bom, então o público não é melhor? Queremos nivelar tudo por baixo?
    Dissonância cognitiva, parece-me.

    3. Raramente se fala na qualidade das escolas de CA vs escolas públicas, porquê? Tirar lições?

    4. Qual é de facto a vantagem de ser pública se o custo é menor na tal de contrato associação, a escola tem MESMO MESMO de ser pública, ou o que interessa (ou devia interessar) mesmo são os pontos anteriores?

    5. Porque é que de repente há uns impostos mais valiosos que outros? “Eu não pago luxos alheios”. Pela mesma lógica:

    (a) Olhe, eu nem filhos tenho e pago os vossos. Devolvam-me o dinheiro já.
    (b) Olhe, eu tenho filhos em colégios sem contrato e estou no escalão máximo do IRS, não uso a maioria dos serviços públicos, posso receber o dinheiro de volta?
    (c) Na minha terra não há transportes, mas pago os do Porto e de Lisboa. Eles que paguem os deles!
    (d) O centro de saúde da terra ao lado tem o ar condicionado ligado, o da minha terra nem aberto está. Acabe-se com o da terra vizinha já!
    (f) Quando se pede o reembolso no IRS de tratamentos do privado? Aí já não faz mal?

    6. Na CRP não diz que o ensino tem de ser exclusivamente público, o Estado deve é garantir que há acesso e que este é gratuito.

    7. Na CRP também diz que o ensino deve ser isento de ideologias e afins, no entanto há uns aninhos a Fenprof promoveu um concurso para as crianças que dava direito a uma viagem a Cuba, os temas eram o Che Guevara, as virtudes da revolução cubana e os presos políticos americanos. É só “googlar”.

    8. Quando a festa do parque escola continua a dar barraca, não se devia falar disto antes?

    “Na auditoria feita pela Inspeção Geral das Finanças, verificou-se que a empresa investiu 1,4 mil milhões de euros para requalificar 103 escolas, uma derrapagem de quase 400% face aos valores inicialmente orçamentados.” Observador, 2016.

  17. Contratos de Associação (2009/10) 239 MEuros
    Contratos de Associação (2013/14) 149 MEuros
    Fonte: http :/ http://www.jornaldenegocios.pt /economia educacao /detalhe governo_reduz_financiamento_a_turmas_dos_colegios_privados.html

    A nota prévia supra mencionada é importante, para precisar que a tralha da Geringonça do Xuxa Costa não precisa de andar a zurrar em jeito de garraiada de turba para ver se deixam a Arena ser engalanada por jumentos e asnos saltaricos a dar coices em duas patas em vez de bezerros bravos. O PSD e o CDS , destas trupe “capatizadas ” por um fulano – politicamente parido na JS e estufado naquela incubadora xuxa que levou o Estado á bancarrota, e que nos coube em sorte e não em voto – não tem que receber tonitruantes lições de boa governação, tão pouco de moralidades de contas públicas.
    O esforço anterior relativo aos contratos de associação- nessa altura aturado, negociado em boa-fé e com transparência tratando quem sendo Português que não é do Estado sem que se trate de algo ou alguém maculado de amputação moral – foi substantancial e sem que se andasse a insultar e enxovalhar seja a Escola Pública (que se vê novamente, frequentemente, exposta na sua má gerência e em tantas das suas misérias, derivadas pelo centralismo ‘controleiro’ das maltas e burocracias da Capital) seja Escolas com contratos de associação que forneciam serviço publico de qualidade.
    E nem PSD/CDS devem dar demasiada corda a este time ‘ do ME – o ministro ex-bolseiro ‘quase mudo’ ou uma jacobina secretária de Estado, a pedir meças a estridências, esganiçares e engraçadismos que se conheciam do BE – ela era dinheiro para ‘oferecer’ manuais escolares (outra mentira, pois que o ME através da Acção Social Escolar, complementado por diversas câmaras municipais financiavam já os manuais escolares que financiamento que é total para os alunos mais carenciados ), ele era o escavar da inveja – as piscinas, os cavalos – do alto das suas cavalgaduras empedradas sem se dar conta que estavam a elogiar um serviço publico prestado por um privado.
    No fundo, esta fornada de ineptos que povoam a xuxalada da Geringonça do Xuxa Costa, no seu arrivismo pouco procura em “poupança” ou “justiça” – nada na prosápia dos personagens empilhados no ME se investe de nobreza politica, a menos que o “Corporativismo sindicaleiro ” se tenha alcandorado a “visão estratégica”. Plasmando e “pleonasmando” um ex-líder do PS promovido a presidente da actual AR esta’ tudo a “borrifar-se” para a boa politíca de Educação – e até boa educação – ao serviço dos alunos. Antes, como alguém disse, o que conta é que “Não só é preciso acabar com a (boa) herança deixada pela coligação PSD/CDS como sobretudo corromper o prestigio dessa memória” -O resto, a “visão” – como refere João Gonçalves no JN- está resumida naquela surreal oferta do brinquedo da vaquinha com asas: carrega-se num botão, o boneco agita as asinhas, sorrindo, e parece que voa às mãos do dono!!
    E continuando a citar JG , “Assistimos, afinal, ao que A. Finkielkraut chama de triunfo do ridículo sobre o pensamento. O que nos versos bem portugueses de Pedro Ayres Magalhães se canta assim: “Soltaram uma vaca em chamas/Com um homem a guiar/São voltas/Ai, amor, são voltas/São as voltas/São as voltas da maralha/Ai, são voltas/Ai, amor, são voltas/São as voltas da canalha”

  18. Sérgio de Almeida Correia.
    Vexa não sabe (ou não tem qualidades de) por um pensamento por escrito.
    Parabéns pelo esforço

  19. Tudo isto me deixa muito triste!
    Porque indicia que tarde ou nunca o ensino sairá do nível tão baixo em que se encontra.
    Para que tal acontecesse, seria necessário que políticos, comunicação social, pais e professores tivessem, do assunto, uma visão esclarecida e de boa fé.
    O que acontece é que nem uma coisa nem outra.
    Se não, vejamos:
    O governo eliminou os exames nos primeiros ciclos, instrumento essencial para monitorização do sistema, e não aconteceu nada, para além da rotineira controvérsia partidária.
    O governo acabou com os exames de admissão à função docente, obviamente úteis para uma primeira triagem, e nem os partidos se ouviram.
    O governo anunciou uma, embora tímida, mexida nos ridiculamente obsoletos currículos, um dos aspetos, a par da formação de professores e do conceito de avaliação, que é necessário revolucionar para que a educação possa ganhar qualidade, e nada.
    O governo decidiu, e bem, a criação de tutorias para superar o insucesso e… silêncio absoluto.
    O governo toma uma medida de pura gestão de recursos, que nada altera a qualidade do ensino, e eis o barulho que ressoa dos políticos, da comunicação social, dos pais, dos professores e até dos alunos, só porque há dinheiro em causa!
    Assim, não vamos lá.
    O cerne da questão é que o ensino é muito mau, seja público ou privado, porque é o mesmo.
    As condições e as circunstâncias é que podem ser diferentes, com vantagens e desvantagens para os dois lados.
    A educação só mudará para melhor, quando igual alarido acontecer, estando em causa a aposta em novas metodologias, a revisão dos currículos, a qualidade da formação de professores, um novo conceito de avaliação, que respeite a diferença de natureza entre ensino básico obrigatório e o que se lhe segue.
    Será possível?!
    João de Brito

  20. “O ideal era que o Estado, em vez de estar a subsidiar os estabelecimentos privados, atribuísse uma verba por aluno aos seus pais, dando-lhes a faculdade de depois poderem escolher a escola para os filhos.”

    Precisamente.

    Claro que o resto do seu texto não faz sentido.

    Sabe como é que uma escola tem um contrato de associação?
    Os contratos de associação só existem porque as escolas têm alunos.
    E só têm alunos porque fazem um bom serviço.

    De notar o Marxismo da critica aos lucros ao mesmo tempo que critica as piscinas e esgrima. Pelos vistos os malvados que querem lucros esqueceram-se de ficar com eles ao construir a piscina e a esgrima não é?

    Se estamos a este nível de discurso também é valido.

    Sabia ainda que um funcionário publico é um privado? ainda não vi ninguém a criticar os lucros.

  21. O ensino privado, mamava que se fartava!
    Estavam se cagando, para as amarguras do ensino público
    Enquanto uns, aprendiam ao lado de baldes para aparar as gotas das chuvas.
    Eles aprendiam resguardados de caleiros esmaltados
    Chuchavam na teta viscosa, dos que tinham que levar os filhos por caminhos de cabras.
    Para eles, eram albergues de luxo. Para os filhos da pátria madrasta, sala de aulas a cair aos bocados.
    No público, os professores iam para o desemprego!
    No privado iam de sorriso rasgado.
    No público iam de Fiat a pagar aos bocados.
    No privado de Ferrari amarelado.
    Finalmente, acabou-se a mama!
    Veio abaixo o Carmo e a Trindade!
    As almofadas acolchoadas deixaram de produzir o sono sossegado. Já que saltou à vista o fim da mama que era prevista.
    Toca a marchar para manifestações imbecis. Na tentativa de a mama continuar a encher os cântaros do privado.
    Nada adianta! Quem quer ter os filhos no privado que pague! É tão justo como sensato.
    Eu não vou pagar mais para os meninos dos papás, irem para o privado mostrar quem é mais rico e preocupar-se pela hora do ténis e do golfe. Logo ali, ao sair da sala de aula.
    Eu vou continuar a pagar para os meus meninos irem para o público, a pé ou em autocarros apinhados.
    Jogar basquetebol em pavilhões, onde se misturam grandes e pequenos, numa confusão farta de atropelos.
    Pagar para visitas de estudo com o farnel preparado pela madrugada!
    É para isto que vou pagar! Não para privados habituados à mama!!
    A verdade nua e crua!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *