A paródia dos pantomineiros do Movimento 31 da Armada, apadrinhada pelo desbocado herdeiro do trono e putativo rei de Portugal, começa a dar os seus frutos. Desta vez foi na minha vila de Cascais. António Capucho, que nestas coisas não tem nada de meigo, já disse o que pensava. Para além do notório défice de inteligência que revelam, quer-me parecer que só vêm agravar a posição dos "heróis" da Praça da Município. É que com a multiplicação da asneira é natural que as coisas comecem a piar mais fino. Já imaginaram o que seria o hastear da bandeira de Cromwell no Palácio de Buckingham, do pavilhão do Duque de Orléans na Bastilha ou o da coroa italiana no Castello Sforzesco? A República não pode continuar a tolerar este tipo, já não de brincadeiras, mas de cretinices.
Défice de inteligência
Sérgio de Almeida Correia,

Não estou de acordo, Sérgio. Acho que a gracinha do 31 da Armada teve mesmo graça e agitou as águas estagnadas deste país modorrento, que se leva demasiado a sério. Ainda por cima foi executada com coragem, por pessoas que deram a cara e estão dispostas (penso eu) a assumir as consequências do acto, que decerto mediram antes. A cena lembrou-me o episódio dos árabes do petróleo, no Tavares, que enganou o país inteiro há muitos anos, foi divertido e não prejudicou ninguém. O Eça teria achado um piadão a ambos. Já quanto as réplicas, concordo: a coisa perde a graça e a espontaneidade quando deixa de ser original. Espera-se que haja um bocadinho mais de imaginação e menos de preguiça da parte de quem se mete nestas andanças.
É um ponto de vista, Ana. Porém, penso que o original teria tido mais impacto, e mais graça, como homenagem ao Solnado. De qualquer modo, perdeu impacto com as declarações de D. Duarte e com o que se tem seguido (ainda assim, a cena da devolução da bandeira foi de todas a mais infeliz).
Nisso estamos de acordo. Só o primeiro episódio teve graça, tudo o resto é mais do mesmo e o aparato da devolução da bandeira dispensava-se perfeitamente. E é claro que D. Duarte não devia meter-se nisso, peca sempre pela falta de sentido de oportunidade e pela inconveniência. Não posso esquecer-me de uma cena inenarrável que ele protagonizou há alguns anos e que as televisões transmitiram com grande espalhafato: o herdeiro do trono português, a coroar “rei da música pimba” um cantor qualquer (Emanuel, acho) no castelo de Pombal, com capa, coroa e ceptro. Uma palhaçada indigna. E depois quer ser levado a sério…
Uma imitação barata do original do 31.
Como bem dizes, a paródia só despertou sorrisos da primeira vez. Agora deixa de ter graça, venha a paródia dos mesmos autores ou de copistas, e é preciso dar-lhes o devido tau-tau.
Dado curioso: «De acordo com fonte da câmara municipal a bandeira hasteada na cidadela foi retirada por um funcionário da própria cidadela.» Cheira-me que o funcionário vai ser alvo de um “rigoroso inquérito”. Que atrevimento. Então ele não sabe que tem de esperar pela comparência dos investigadores da Divisão de Investigação Criminal?
Exprimi aqui a minha opinião sobre a “acção” do 31 da Armada. Não escrevi na altura mas, sinceramente, não me surpreende que os “remakes” se sucedam. Há sempe uns tipos com falta de imaginação e necessiadde de protagonismo que se limitam a copiar as ideias orignais. Deixam de ter piada, mas sentem-se uns heróis. Infelizmente, não passam de cretinos, como bem dizes.
O maior problema é que depois destes exemplos, podem começar a surgir uns tipos bem mais perigosos a hastear outras bandeiras.
Acredito que a malta do 31 nõ tenha achado piada nenhuma, porque poderá haver a tentação, se estas situaçõs se repetirem, de tornar o caso do 31 como exemplar, aplicando-lhes uma pena desajustada ao acto. Espero qe isso não aconteça.
Carlos,
Foi esse o meu primeiro pensamento. Infelizmente, também sei como se pensa (e pune, ou não se pune) neste país: pensa-se pequenino, pensa-se medíocre.
De acordo: uma vez tem graça, sacode a modorra instalada e é um acto irreverente que ainda por cima não prejudica ninguém. A imitação – ou as imitações – nada tem de irreverente, de original ou de ousado. E, sobretudo, não tem graça. É um feitiço que acaba por voltar-se contra o feiticeiro.
Er… Se ao menos tivesse sido em Guimarães…
No castelo dos mouros, em Sintra, não é preciso. Porque já lá está.