Deep shit – 2


Teresa Ribeiro,

 

A notícia foi divulgada no mês passado. Transcrevo o que saiu no Diário Económico: Na última década, o Produto Interno Bruto (PIB) português teria sido cerca de 16% inferior ao que foi registado caso não tivesse recebido fundos comunitários, calcula a Comissão Europeia, descrevendo o país não só como o maior beneficiário, mas também aquele onde as verbas tiveram maior efeito na riqueza criada. Num estudo publicado em Bruxelas, Portugal é visto como um caso extremo na aplicação dos fundos comunitários desde 2000. Nenhum país recebeu tantas verbas em peso no PIB, nenhum país cresceu tão pouco nesse período e poucos viram as disparidades regionais aumentar tanto como em Portugal.

“Sem fundos europeus, os estudos demonstram que o crescimento em Portugal teria perdido ainda mais terreno para outras partes da UE”, nota a Comissão. “O fraco crescimento conduziu a défices orçamentais crescentes que impuseram restrições orçamentais e cortes substanciais no investimento do Estado, que os fundos tiveram de substituir com altas taxas de retorno. Portugal foi o país com a maior parcela de fundos enviados para as grandes empresas (30%)”. Qual terá sido o retorno de tão avultados subsídios?

Portugal foi também “o país onde mais atrasos nas construções se registaram“. Em Bruxelas não sabem que aqui lhes chamamos derrapagens. Mas já vão percebendo que são, também elas, um problema estrutural, que custa milhões e ninguém investiga.

13 comentários em “Deep shit – 2”

  1. Ai é que está o grande problema, o início de tudo, a borrasca, tocou na ferida Teresa…onde está o retorno dos subsídios ?
    parece-me que foi um grande regabofe…parece-me sim…

    1. O Retorno dos Subsidios adevinhem estará no bolso de quem trabalh? não esse está agora no desmprego porque a empresa recebeu subsidio e comprou uma bela viatura para o administrador um apartamento para o director e o retorno foi para o bolso dos politicos que estavam no governo e assim se pagam os subsidios

  2. —> A superclasse mundial (Banca Mundial, Grandes Corporações Multinacionais) tem em vista um Neofeudalismo… consequentemente, fomenta a destruição/dissolução das pátrias, das tradições autóctones, promovendo o nascimento de um mestiço desenraizado e fácil de escravizar…

    —> IDIOTAS ÚTEIS ao serviço da superclasse:
    -» A ESQUERDA – a Esquerda também apanha boleia no barco da destruição de tudo o que é tradicional… embora o seu objectivo seja outro -> o objectivo da Esquerda é reinventar o homem, o derradeiro homem, um homem novo, aquele que chega ao fim da História.
    -» O ECONOMISTA IDIOTA – o economista idiota promove aquela que é uma das maiores aldrabices da História -> a promoção do crescimento do PIB à custa do consumo interno e dos empréstimos externos… quando a corrida do crescimento do PIB bater na parede, ou seja, quando a torneira dos empréstimos externos for fechada, já os maiores activos do país terão sido conduzidos para os mega-capitalistas mundiais (e o Estado com elefantes brancos – não rentáveis – nas mãos).
    -» O IDIOTA SUICIDA – os idiotas suicidas (PNR’s e afins) estão à espera que aqueles [a maioria dos europeus] que não se preocuparam em constituir uma sociedade sustentável (média de 2.1 filhos por mulher), e que andaram a realizar negociatas de lucro fácil à custa de alienígenas , se revoltem…

  3. Excelentes perguntas para fazer, por exemplo, a António Guterres: dois dos maravilhosos estádios que mandou construir para acolher o Euro-2004 vão ser agora deitados abaixo por manifesta inutilidade e total falta de verba para a manutenção. Recompensa: Guterres ocupa hoje um dos mais prestigiados cargos das Nações Unidas.
    As perguntas poderão ser canalizadas também para Durão Barroso, outro responsável pela calamitosa gestão dos fundos estruturais. Recompensa: é hoje presidente da Comissão Europeia.
    Sobre Sócrates nem vale a pena falar. Será certamente recompensado, na devida ocasião, com um posto internacional quando aperfeiçoar o “inglês técnico” made in Universidade Independente.
    Sobra o Santana, claro. Toda a gente sabe que foi o único primeiro-ministro incompetente da última década em Portugal. Também como é sabido, ninguém mais fez trapalhadas de espécie alguma.
    Porreiro, pá.

    1. Malta porreira é o que não falta, pá. Há pró menino e prá menina, a preço de saldo e – importante não esquecer – de todas as cores. (Ai, que já pareço um taxista a falar! Cruzes, credo!)

  4. Por experiência profissional, relativamente vasta, nesta área, posso afirmar que, embora os Fundos Estruturais tenham uma importância relativa face ao PIB significativa, dificilmente geram um crescimento adicional do produto superior a 0,4% ao ano. Sem Fundos Estruturais estaríamos certamente muito pior. Mas os Fundos Estruturais não têm (nem podem ter) o impacto que muitas vezes pensamos.

    Por outro lado, os Fundos Estruturais servem para acelerar o processo de convergência real das regiões e países mais pobres face à média europeia. Assim sendo, sem eles Portugal não se teria aproximado da média europeia. Mas eles existem para isso mesmo.

    Por fim, apesar de nos últimos anos Portugal ter divergido face à média europeia, também é verdade que convergiu de forma significativa quando analisamos os dados desde a adesão. Os processos de convergência são longos e é preciso olhá-los nessa perspectiva. Mais, essa divergência desde o início do século regista-se face à média da EU 27 mas não se regista da mesma forma face à média da EU 12 (que deve ser o referencial utilizado nessa análise mais longa, pois esse é que é o ponto de partida deste processo). Agora uma coisa também é verdade, os Fundos Estruturais e, sobretudo a sua distribuição territorial, agravaram as assimetrias regionais em vez de as combaterem (como era suposto). Talvez por isso Portugal tenha crescido tão pouco nos últimos anos.

    Rui Monteiro

    1. Caro Rui Monteiro, a matéria é complexa e não sou especialista em Economia e Finanças. Calculo que alguma da informação que me proponho aqui publicar contém dados rebatíveis. Baseada no que foi constando através dos media, pretendo, com esta série, recordar o caminho que os nossos governantes fizeram até aqui.
      Toda a discussão é bem-vinda.

      1. Cara Teresa Ribeiro, o sentido da notícia e do seu “post ” e as conclusões, embora muito exageradas, vão no sentido correcto. Primeiro, Portugal encontrou nos Fundos Estruturais um modo de vida e já não se pensa qualquer investimento sem eles. Este é um caminho perigoso (o País deixou, por exemplo, de poupar e investir com parcimónia porque os fundos Estruturais criam a ilusão que os recursos são ilimitados). Depois, o Fundos Estruturais nem sempre foram bem aplicados: porque nem sempre se seleccionaram bons projectos para financiamento; porque as opções de fundo há muito tempo que deveriam ter sido alteradas (o QREN, hoje, não é muito diferente do QCA 1, do QCA II e do QCA III).

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