Não tenho um candidato. Disse, na altura própria, o que o ex-meu partido deveria fazer e aquele, com grande desdém, fez outra coisa, indo atrelar-se ao carro do vencedor antecipado, como se os respingos da vitória lhe caíssem necessariamente no regaço.
Fez mal. E que se danem as boas cabeças da estratégia e da táctica, no ex-meu partido e fora dele: o tempo das tácticas é quando o Poder está perto. Quando está longe, o melhor caminho é o da autenticidade, o que quer dizer, para um partido com passado e história, o apresentar-se ao eleitorado com um candidato que perdesse com dignidade e, de caminho, explicasse por que razão é que o CDS não é nem a IL nem, muito menos, o Chega!
Votar nulo, para mim, não é uma opção: seria preciso que não houvesse maneira de votar contra a esquerda. Mas há – Ventura e Mayan.
Em Ventura não posso votar. O principal problema do país não são os ciganos, nem a imaginária excessiva brandura do Código Penal, nem a suposta falta de poderes das polícias (pelo contrário: a ideia de que, para fazer cumprir a lei, são necessários atropelos a direitos individuais é uma chantagem típica de direitistas raivosos e acéfalos – para esse peditório não dou). O problema sério é a economia, e dentro desta o conjunto de razões pelas quais o país não cresce. E, sobre isso, Ventura debita truísmos pouco convincentes.
De modo que a conclusão deixo, em jeito de prémio para os leitores corajosos por terem chegado aqui, aos que também forem argutos.

Acompanhei com gosto e admiração os seus postais certeiros sobre a questão presidencial.
Contudo, deixo a este propósito o que seria o meu slogan preferido.
O principal problema do País não é o Chega, mas sim o conluio envenenado que Costa e Marcelo protagonizam na sombra do indecifrável.
por que razão é que o CDS não é nem a IL nem, muito menos, o Chega!
O problema é que o CDS, sabendo aquilo que não é, não sabe aquilo que é exatamente.
O CDS é uma misturada pouco paladosa de democratas-cristãos, cristãos menos democratas, liberais, populistas, e direitistas sortidos.
Pois eu faço aproveito e faço aqui uma declaração de veto: não vou, não quero ir e tenho raiva a quem vai.
Ando chateado com esta merda toda. Ainda não li um só candidato a lutar pelas e pelos feministas e a falar mal de Trump. Isso não é campanha para as presidenciais em Portugal!!
Não poso admitir que um bichinho tenha derrotado os feminismos nem que alguém aparecesse a defender a expulsão de Trump a pouco mais de 7 dias de entregar as chaves de casa pela mãos de um mordomo.
A Pelosi, que deve significar peluda, anda muito machista; e talvez por isto ninguém lhe dê atenção em Portugal. Acho, de achismo, que o debate sobre a destituição de Trump não foi introduzido por causa desta machista.
Não me oferecendo os candidatos um forte motivo para votar, irei votar só para fazer um passeio higiénico.
Em jeito de serviço público, partilhamos aqui a recomendação do Conselho Eleitoral:
“Quando lhe entregarem o boletim de voto, não se esqueça de imediatamente riscar o primeiro nome na lista, uma vez que a sua candidatura não foi validada. Evitará assim desnecessárias confusões, podendo concentrar-se melhor na escolha a fazer entre os restantes candidatos. Obrigado.”
Já eu, como de costume, vou ficar em casa, prefiria que o chefe de Estado fosse um descendente de D. Afonso Henriques e de D. Nuno Álvares Pereira, e não um sujeito qualquer impingido pelos partidos ou pela televisão. É uma opinião minoritária, concordo, mas é a minha.
tal como o meu amigo também irei votar Mayan !!
saudações
MC
Muito interessantes considerações sobre quem deverá ser o próximo Presidente da República.
É indispensável analisar conjuntamente o perfil pessoal de cada candidato e, mais ainda, a forma como cada um deles verberou a sua ideia do como cumprir o mandato em causa.
Apesar de se tratar da mesmíssima Constituição a diversidade de intenções expressas pelos diferentes candidatos aponta, ou para uma texto constitucional discutível, ambíguo ou candidatos a delirarem sobre outros voos em outras paragens. Na circunstância, por vezes, tocam no ridículo. Nada abonatório.
Apontaria para um civilizado mestre de cerimónias, sobretudo desengajado em relação a partidos. Possível só com um simples mandato.
O problema é que, tal como nas monarquias, o poder corroi, mesmo quem seja de boas famílias.
Com esta coisa das Urnas de voto nos Lares de terceira idade, vamos certamente ter como Presidente da República um “Primus inter pares”.
Uma comparação entre dois primeiros mandatos presidenciais.
-Em Portugal um Presidente de origem partidária, no fim do mandato cujo único poder é a “bomba atómica”, proclama que cumpriu o desígnio, a sua filosofia presidencial: estabilidade soberana. Mesmo que da, na oposição.
-Nos EUA um Presidente sem origem partidária, no fim de um mandato (com muito controlado pela oposição) poder executivo, toda a oposição e os pseudo afiliados, silencia-o, não o deixando proclamar o que realmente conseguiu realizar. Não será preciso mas… Resta-lhe, tal como César, um “até tu Mitchell McConnell” num intervalo das 40 facadas.
É no que dá ser-se apartidário, supra-partidário, (Monarca, Imperador) em política.
Mayans, Aztecas… para mim são todos uns índios — e embora veja com grande simpatia a causa liberal cada vez suspeito mais que os portugueses na generalidade não estariam preparados para uma economia liberal. Teria de ser uma mudança geracional… e as escolas e universidades estão tão empedernidas como no tempo da maria cachucha*, são incapazes de formar pessoas no espírito da livre-iniciativa — alias, limitam-se a reproduzir um modelo socialista que não cria gente autónoma: cria Lavouras e benfiquistas.
* aulinhas pelo zoom é muita moderno e sofisticado mas não cria pessoas dotadas de self-reliance à americana. Para isso é preciso ser Protestante.
Não votarei. Desisti. Autárquicas talvez. Centrão, é conjugalidade disruptiva. Alternância, sem alternativas. Não vou em alternes. Nem em pantominocracias.