Bloomsday é o único feriado literário do mundo. Celebra-se na Irlanda, no dia 16 de Junho, que é o dia do ano que James Joyce escolheu para o desenrolar da narrativa da sua obra Ulisses. A história, famosa por se passar num só dia, segue a vida e os pensamentos de Leopold Bloom das 8 da manhã do dia 16 de Junho de 1904, até à madrugada do dia seguinte.
As celebrações tomam várias formas, desde representações de cenas do livro com roupas da época, leituras, palestras, visitas a lugares referenciados na história ou até mesmo a reprodução do pequeno almoço que Leopold Bloom tomou na manhã de 16 de Junho. Inclui fígado e rins, juntamente com outros ingredientes típicos de um pequeno almoço irlandês frito.

A Francisca permita-me comentar.
Segundo li, um francês, nos Jerónimos com a família num 10 de junho, perguntou aos próximos qual o rei de Portugal que homenageavam os marinheiros com a coroa de flores. Disseram-lhe que era um poeta e ele estranhou bastante.
«Na noite, que mal dorme, ou ardente sesta,
Compõe sonetos por seu passatempo,
E sua pequice em versos manifesta.»
(“Satyra II. A Luiz de Camões”, de Falcão de Resende.)
Não é isto mais um “feriado literário” que outra coisa?…
Tem toda a razão. Também temos um belíssimo feriado literário.
Um abraço
Mas como foi confiscado pela política e o alto-funcionalismo público só se fala de “comunidades” no linguajar republicano. O Bloomsday parece-me bem mais refinado e distintivo da alma dos habitantes das ilhas britânicas — que também teremos mas por cá é reprimida.
Ulisses é um clássico. Divide-se entre aqueles que o julgam ter lido e os outros que o não leram.