De trapalhada em trapalhada, de disparate em disparate, o Governo continua a dar sinais de total desnorte. As declarações de Luís Amado ao Expresso, em que admitia a possibilidade de Portugal sair do euro, tiveram grande repercussão internacional precisamente quando o seu colega de Governo Pedro Silva Pereira apelava à necessidade de enviarmos “mensagens positivas” para o exterior. Hoje coube a vez ao ministro das Finanças, que não quis ficar atrás do titular dos Negócios Estrangeiros: em entrevista ao Financial Times, Teixeira dos Santos admite existir um “risco elevado” de Portugal poder vir a pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional. Doze dias depois de José Sócrates ter garantido, na segunda entrevista que deu em apenas um mês à outrora odiada TVI, que “Portugal não precisa de ajuda nem de assistência para resolver os seus problemas».
Conhecendo-se o ainda primeiro-ministro como já conhecemos, é seguro que cada garantia categórica sua não tarda a ser desmentida pela realidade. Nessa entrevista à TVI, Sócrates assegurava três coisas aos portugueses: não haverá FMI em Portugal nem remodelação do Governo nem nova onda de despedimentos. A partir do momento em que declarou isto, ficámos todos com a certeza de que tudo sucederá ao contrário.

O definhar da roseira
Sem a autoridade moral
depois de tantas trapalhadas,
fica o cancro estrutural
das nossas contas baralhadas.
De trapalhada em trapalhada,
de baboseira em baboseira,
esta política farfalhada
mostra o definhar da roseira.
Esta rosa está cada vez mais desfolhada, Manuel.
Eu já não consigo distinguir os nossos políticos, dos bonecos do contra informação, acredita?
Acredito, Fátima. Comigo passa-se o mesmo.
Casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão.
Nunca um provérbio popular português foi tão bem aplicado.