De trapalhada em trapalhada


Pedro Correia,

De trapalhada em trapalhada, de disparate em disparate, o Governo continua a dar sinais de total desnorte. As declarações de Luís Amado ao Expresso, em que admitia a possibilidade de Portugal sair do euro, tiveram grande repercussão internacional precisamente quando o seu colega de Governo Pedro Silva Pereira apelava à necessidade de enviarmos “mensagens positivas” para o exterior. Hoje coube a vez ao ministro das Finanças, que não quis ficar atrás do titular dos Negócios Estrangeiros: em entrevista ao Financial Times, Teixeira dos Santos admite existir um “risco elevado” de Portugal poder vir a pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional. Doze dias depois de José Sócrates ter garantido, na segunda entrevista que deu em apenas um mês à outrora odiada TVI, que “Portugal não precisa de ajuda nem de assistência para resolver os seus problemas».

Conhecendo-se o ainda primeiro-ministro como já conhecemos, é seguro que cada garantia categórica sua não tarda a ser desmentida pela realidade. Nessa entrevista à TVI, Sócrates assegurava três coisas aos portugueses: não haverá FMI em Portugal nem remodelação do Governo nem nova onda de despedimentos. A partir do momento em que declarou isto, ficámos todos com a certeza de que tudo sucederá ao contrário.

6 comentários em “De trapalhada em trapalhada”

  1. O definhar da roseira

    Sem a autoridade moral
    depois de tantas trapalhadas,
    fica o cancro estrutural
    das nossas contas baralhadas.

    De trapalhada em trapalhada,
    de baboseira em baboseira,
    esta política farfalhada
    mostra o definhar da roseira.

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