A pretexto da Páscoa, o Governo laico e socialista deu tolerância de ponto aos funcionários públicos esta quinta-feira, véspera de feriado e a quatro dias de outro feriado. O mesmo Governo que institui o regime de salários em atraso ao Exército e que procura anular o défice adiando pagamentos, o que deixa os serviços em ruptura.
Conclusão: durante cinco dias, o vasto País estatal vai manter-se paralisado. Entretanto, os funcionários da CP – empresa pública à beira do colapso financeiro – anunciaram já que estarão em greve na Sexta-Feira Santa, no domingo de Páscoa e na segunda-feira, 25 de Abril.
Não há concidências: nem com o FMI à perna o terceiro país com produtividade mais baixa da OCDE e que lidera a percentagem de abandono escolar precoce na União Europeia ganha juízo. E ainda há quem procure convencer-nos que a culpa de Portugal estar de tanga, à mercê da caridade alheia, é dos deputados finlandeses e dos contribuintes alemães…

A honestidade acima de tudo. Esta tolerância de ponto é para dizer aos homens do FMI: Estão a ver porque somos eleitos? Nas últimas eleições aumentamos os funcionários públicos, e agora quando é necessário dar o exemplo no tocante a produtividade, nem pensar, temos que ser coerentes e manter a tradição, vamos todos para férias e vocês, os do FMI, fiquem aí feitos estúpidos a trabalhar para nós.
É o sinal mais errado que estamos a dar aos nossos parceiros europeus, Singularis. Precisamente quando andamos de mão estendida.
Depois, falam em compromissos. Depois, falam contra quem trabalha, paga impostos, que nós (nós, salvo seja) “chulamos aos milhares de milhões de euros. Tanta desfaçatez, tanta farsa, que custa a acreditar. Mas é mesmo verdade. Fado d’um ladrão!…
Pois, Gonçalo. Entretanto, os que não somos funcionários públicos (falo por mim) trabalhamos nestes dias, sem qualquer ‘tolerância de ponto’ (detestável expressão). Sempre os mesmos a fazer sacrifícios enquanto outros só contribuem para que o buraco se torne ainda maior.
Pois é, Pedro, isso é o que os sindicatos não gostam que se diga.
Um fim-de-semana de Páscoa, com um feriado logo a seguir, com hotéis ao preço da uva mijona, mais uns caracóis de início de “saison” e umas lambretas…; isto só faz sentido com uma tolerância de ponto e uma greve. Não vejo qual o teu espanto.
Como é que um finlandês, vermelhinho, anafado, cheio de vodka e que se dedica a fazer apostas sobre a hora de início do degelo, há-de alguma vez perceber isto? Nunca.
Nós, com a corda na garganta, persistimos em dar os piores exemplo aos parceiros da UE, Sérgio. Trabalha-se pouco, trabalha-se mal e persiste a ilusão dos ‘direitos adquiridos’ sem necessidade de esforço. Como se tudo caísse do céu e não houvesse uma relação directa entre a produtividade laboral e esses direitos.
O caso da CP, por exemplo, é totalmente escandaloso.
Amanhã à tarde, em Helsínquia deverão estar 8 graus centígrados.
Imaginem um Finlandês a trabalhar debaixo de uma chuva chata e a pensar: A estas horas estão aqueles Tugas a dar um mergulho naquelas praias maravilhosas. Tenho de trabalhar mais um pouco para juntar mais uns euros para lá voltar.
E depois chamem-lhes extremistas!
Há uns anos, Carlos Alberto, o actual primeiro-ministro apontava a Finlândia como exemplo a seguir. Parece já ter sido há uma eternidade.
Subscrevo. Ainda hoje tive mais um exemplo da baixa produtividade dos funcionalismo público, que ainda são premiados com estas benesses.
Nem com o FMI vamos mudar de mentalidade e esta é o nosso verdadeiro problema.
Abraço.
É mesmo, Ricardo. Abraço.
Muito bem. Fecha-se o ministério e pronto, que é para esses vikings aprenderem como é que a coisa funciona por cá. Ou pensavam que era só facilidades, hã?
Somos os maiores a mostrar à Europa rica como é que se dorme à sombra da bananeira, Fátima.
A orquestra continua a tocar. Há que aproveitar enquanto o barco não vai ao fundo. Somos mesmo assim, um povo de vistas curtas.
A ‘tolerância de ponto’ à quinta-feira com quatro dias feriados por diante, numa altura como esta, transmite o sinal mais errado à sociedade. O sinal de que conseguimos tudo sem esforço. Toca a descansar, pessoal da administração pública: o FMI está aí a preparar mais um empréstimo internacional que ajudará a pagar os salários, os fornecimentos de bens e serviços, e pelo menos 80% daquilo que comemos.
Uma irresponsabilidade total. Bem sei que estamos a seis semanas das eleições. Mas não devia valer tudo.
Já cá faltava o anátema dos FP…