De rastos


Sérgio de Almeida Correia,

“Pasan los meses y el gobernador del Banco de Portugal, Carlos Costa, no mueve ficha. Espera que se vayan los inspectores de la UE, FMI y BCE que estaban supervisando el plan de rescate de Portugal y luego espera a junio a que el banco Espírito Santo cierre su ampliación de capital. Entonces llama a Salgado a su despacho para pedirle que se vaya del banco, él y todos los miembros de la familia. Salgado accede, pero le cuela como sustituto a su brazo derecho, Amílcar Moraes Pires. El desconcierto es total. ¿Cómo limpiar el banco con los mismos? Costa se acobarda, no se atreve a decir ni sí ni no y, en un comunicado bochornoso, afirma que son los accionistas quienes, el próximo 31 de julio, han de elegir a su dirección. Casi un mes de anarquía financiera alentada por el supervisor. Fernando Ulrich, presidente del banco BPI, lo resume: “Si querían construir la tormenta perfecta, no había mejor forma”.

No era una tormenta, sino el diluvio. El desgobierno absoluto del BES, del Banco Central y de la economía del país. En siete días, el valor del banco cae un 41%. La desesperación llega a la misma familia, que tiene que vender las acciones para pagar el préstamo con que las había comprado. Pierden de su bolsillo 89 millones.

Costa tarda una semana en rectificar. Hay que salvar al BES; cortar ya con las relaciones obscenas entre el banco y las empresas de los Espírito Santo que durante años se peloteaban la deuda, cada vez más grande, extendiendo la metástasis por todos los rincones del grupo.” – El Pais

 

Com uma imagem destas lá fora, será que o atento deputado jotinha, o tal que emite opiniões sem cerimónias, vai agora pedir uma comissão de inquérito à actuação do Banco de Portugal no caso BES?

 

P.S. Antes que venham os da praxe acusar-me de “socratista” e outros mimos do género, esclareço que quem agora pergunta teve em 2008 liberdade suficiente para escrever isto.

12 comentários em “De rastos”

  1. Sérgio Almeida Correia não será socretista, mas o El Pais é o orgão oficioso do PSOE e do PS quando é necessário.
    Dizer que Carlos Costa não “mueve ficha”, à espera da saída da troika é um bocadinho ligeiro e não é verdade. É agora do conhecimento público o que a supervisão fez desde pelo menos há um ano e meio para minimizar os estragos no BES e a exposição que o banco tem ao GES.
    De resto, vindas de quem vêm, estas criticas à supervisão do Banco de Portugal não deixam de ser irónicas: em Espanha, a banca no geral e as “Cajas” em particular, muitas delas controladas pelo PSOE, deram como se sabe um “berro” de quase 100 mil milhões, tudo à frente dos olhos da supervisão espanhola, obrigando a Espanha a pedir um resgate para salvar o que fosse possivel.
    Também não se percebe como é que Carlos Costa e o Banco de Portugal poderiam supervisionar empresas e bancos que têm as suas sedes no estrangeiro.
    Imagine-se o que teria acontecido se no principio do ano passado quando soube o que se estava a passar, o Banco de Portugal viesse para a praça pública tratar do “affair” GES/BES. Teria sido bonita a festa.
    De qualquer modo, ninguém neste momento pode quantificar o impacto negativo que esta história vai ter na economia portuguesa. Mas que vai ser muito mau, disso não tenho dúvidas. Por isso não entendo bem porque é que a Justiça está a ouvir o ex presidente do BES e do GES por ter recebido uma comissão de um empreiteiro, e não está a ouvir também os outros membros da familia Espirito Santo responsáveis por esta pouca vergonha: metam-nos na prisão e atirem a chave fora!

    1. O Governador do Banco de Portugal é tratado nos termos em que o El Pais o faz e ninguém reage? O facto de, é o leitor que o diz, o jornal em causa ser um “órgão oficioso” de um partido qualquer, justifica que cinco dias depois ninguém com responsabilidades se manifeste?
      E quanto a “metê-los” na prisão e atirar a chave fora, não creio que seja esse o modo de funcionar de um Estado de direito democrático. Não vamos voltar ao PREC, pois não?

      1. Estou muito de acordo com o Alexandre – não vejo nada de novo no artigo do El Pais, sem ser a liberdade na adjectivação.
        Para além disso há natural interesse de instituições espanholas expostas à dívida Espírito Santo, em culpar o regulador, para tentar compensações doutra forma.

        Talvez os espanhóis devessem começar por perguntar ao BCE para que serviram os famosos testes de stress, senão para carimbar a solidez de bancos que estavam em perigo de se liquefazer.

        O que fica evidente também é que o BCE não tem nenhuma estrutura de regulação eficaz a nível europeu, apesar de se ter afirmado como regulador central… mas será isso surpresa numa estrutura que tem Constâncio como vice?

      2. Se o Banco de Portugal começar a responder a todos os disparates que são ditos e escritos nos media por esse mundo fora, não faz mais nada, e ainda lhe falta o tempo. Quanto ao dichote “metê-los na prisão e atirar a chave fora”, é apenas uma figura de estilo como pode imaginar. Mas o facto é que ainda não vi mais ninguém daquela família com responsabilidades de gestão ser incomodado pela Justiça.

        1. Vejo que os disparates ainda não lhe saem do bolso, mas já não falta muito……………….pelo andar da carruagem vão começar a sair mais depressa do que pensa.

          Hoje a Euronews abriu a emissão das 24h com os prejuízos ATÉ AGORA contabilizados do BES (Só do BES ), provavelmente será um órgão não oficial do PSOE , ou do PSF , ou do Mateo Renzi ou até mesmo do Labour.

          E o que dizer da TVI (tirando o MRS mas até o Patrão da TVI já lhe deu um toque) que até agora é a estação que tem dado a melhor informação sobre o caso, provavelmente terá uma panelinha com o 1º ministro, eterno cavaleiro andante da economia de mercado.

    2. Ao contrário do El Pais, os comentários do senhor Silveira, que deixam qualquer «apparatchik» do PSD corado de vergonha pela timidez das suas intervenções (dos «apparatchik», entenda-se), revelam uma capacidade crítica de fazer inveja a qualquer um.
      Aliás, a forma como começa o seu comentário: «o El Pais é o órgão oficioso do PSOE e do PS quando é necessário do PS» é elucidativa.
      É o ataque «ad hominem» (embora aqui se trate de um jornal, mas que é escrito por homens) em vez do ataque exclusivamente à substância das afirmações.
      Muito típico do ambiente altamente saudável das redes sociais.
      É evidente que Carlos Costa supervisionou, senão o buraco de 3.577 mil milhões seria de 35.770 mil milhões… ou talvez mais.
      Ainda bem que há Costas Contâncios
      Há um ano fui contactado pelo BES para transformar um depósito a prazo numa aplicação no GES, com juros de 7%, sem Fundo de Garantia, a não ser o «enorme e sólido património do Grupo», como me disse a gestora de conta. Avisado como sou nestas tretas, por via do que aprendi com a crise, e aconselhado por quem sabe mais do que eu, disse-lhe que não.
      Mas houve milhares que caíram na esparrela e hoje perderam milhões de euros.
      Tudo legal, tudo às claras, nas barbas do Sr. Costa, que só mandou corrigir a situação há pouco, depois do mal feito.
      Obrigado Sr. Costa… e senhor Silveira pelos esclarecimentos.

      1. Mais uma achega para o senhor Silveira:
        Construtores do caos
        por VIRIATO SOROMENHO MARQUES
        In DN.
        «O caso GES-BES tem suscitado uma pergunta simples: como foi possível que gravíssimas práticas fraudulentas tivessem escapado durante anos à vigilância das autoridades de regulação, incluindo à vigilância da troika sobre o setor bancário? A resposta é tão dura quanto simples: nos últimos 30 anos muitos governos (de direita e de esquerda) foram responsáveis pela criação dos alçapões e das opacidades que transformaram o sistema financeiro europeu (e mundial) num campo minado onde aventureiros põem em perigo a segurança de milhões de pessoas. Em 1933, em plena Grande Depressão, o Congresso dos EUA produziu uma lei (Glass-Steagall Act) que restaurou a confiança no sistema financeiro: separou e protegeu os bancos comerciais, face aos bancos de investimento. Por outras palavras: os bancos que recebiam as poupanças dos depositantes e que emprestavam às empresas na economia real não podiam fazer operações especulativas com produtos financeiros. Durante décadas essa higiénica distância permitiu prosperidade económica, a par de visibilidade e eficácia no trabalho dos reguladores. Contudo, o lóbi financista, embalado pelo mantra do neoliberalismo, não descansou enquanto não meteu no bolso os governos e os parlamentos necessários para misturar tudo de novo. Em 1999, o Congresso americano revogou a lei de 1933, regressando à promiscuidade especulativa. Por todo o lado, incluindo a UE, as leis “liberalizaram-se”, no sentido de criar obscuridade, onde antes havia transparência. Criaram-se condições para mascarar a exposição da poupança das famílias, no labirinto arriscado das ações, das obrigações e de uma miríade de derivados toxicamente imaginativos. Os políticos que se queixam dos banqueiros deveriam ter vergonha. O caos habita nas leis que eles próprios assinaram. Seria interessante saber como e porquê…»
        Ah… esqueci-me, este também deve sr socioalista, as opiniõs dele não contam.

      2. M. S. O comentário é livre aqui no Delito, mas para comentar os comentários que eu escrevo, seria talvez bom, ainda que possa ser uma maçada, lê-los na integra, e não apenas aquilo que lhe convém.
        Foi prudente quando não aceitou a proposta do seu gerente de conta para fazer uma aplicação financeira no GES; deve ser mais esperto do que parece quando lemos aquilo que escreve.

  2. A ler com atenção, o título abaixo, e depois não digam que andam distraídos com os sunsets, em cada praia, um festival a cada canto, um punhado de artistas em cada terra, a soldo das tv’s, já para não falar da “cassete”, passada até à exaustão para ligar o 760, tal, tal, para o prémio fantástico, que pode ter ainda como cereja no topo do bolo o apresentador(a) a rebolar no chão no meio de um monte de confetis.
    Pobre país!

    Os mais abonados em dinheiro, giros, mas muitos vácuos e longe da realidade do país, vão para as grandes festas de passadeira vermelha, mais uma vez a soldo das tv’s, para o Algarve, onde milhares em pura histeria, quase orgásmica, lá estão horas a fio, para a foto da praxe, ou melhor, a silfie da moda.
    Podre país!

    Depois lemos coisas destas:
    António Costa diz que diferença entre PS e governo é apenas «no ritmo e na dose»

    http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=721285

    1. Inteiramente de acordo com o que escreveu, especialmente com 1º parágrafo, uma cambada de mansos uns por inacção outros por perfeita ignorância sendo que ás vezes os invejo (os ignorantes) pois não tendo como agir gostava de ser como os ignorantes.

      Quanto ao Costa e á noticia que “linka”, é o habitual, a partidocracia e a maçonaria reinventam-se para lixar ainda mais os Portugueses, nada que já não soube-se, daí que não votarei mais PS, PSD ou CDS, cambada de mentirosos e trapaceiros.

      Cheira-me que PPC vencerá as legislativas do próximo ano mas não conseguirá formar governo com o CDS pois este será reduzido á dimensão do Bloco e por sua vez AC não terá também votos suficientes á esquerda para formar um governo que sobreviva com acordos de regime feitos com o PC e 3/4 deputados do Bloco.

      E aí serão mais 4 anos de nojeira do Bloco Central com o CDS convidado para a festa para lhe dar um ar de “pluralidade”.

      1. Caro William Wallace,
        Obrigado pelas palavras de elogio ao meu comentário.
        Começo a perceber que temos mesmo de passar da inacção para a acção, acção essa, cujo tiro de partida já demos há muito tempo neste espaço: exprimir, de forma livre, aquilo que sentimos, aquilo que pensamos.
        Há-de haver, cada vez mais gente, que nos lê, que perfilha do mesmo ideário e que também sente uma forte sensação de orfandade em relação ao seu país, na sua falta de rumo, na falta de desrespeito pelos seus mais altos intelectos e quejandos, bem como figuras de renome e projecção mundial, onde a troco do ouro negro se vilipendia a língua de Camões, cujo AO a feriu com gravidade e agora esta nova composição da CPLP vem colocar em estado quase agonizante.
        Pobre pais!

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