De partir o côco


Rui Rocha,

De acordo com o Correio da Manhã, a Polícia Judiciária do Porto foi chamada para investigar o caso de uma mulher que fez explodir um côco, com recurso a pólvora e a mando de uma suposta vidente. Pelo visto, a detonação do côco tinha como objectivo reverter um feitiço de que o marido teria sido alvo. Um jornal normal poderia ter-se ficado pela simples divulgação do facto noticioso, relevante por si mesmo. O Correio da Manhã não. Para cabal informação dos seus leitores, decidiu contactar um especialista. No caso, Fernando Nogueira. Também conhecido por Bruxo de Fafe. O seu parecer não deixa qualquer dúvida. “Trata-se de uma burla” pois “não há bruxaria nenhuma que se resolva com um côco ou com pólvora”. E vai mais longe: “essa falsa vidente devia ser presa por atentado à vida de um ser humano”. Pela minha parte, daria o assunto por encerrado sem necessidade de adicional esclarecimento. Não fosse, confesso, o ligeiro incómodo provocado pela ausência de conhecimentos que me permitam, um dia que falte o Correio da Manhã, distinguir entre verdadeiros e falsos videntes.

17 comentários em “De partir o côco”

  1. Então e os bruxos que dizem que a dívida se resolve com mais austeridade? Fossem perguntar à senhora Leite e ela garantia logo que eram falsos bruxos que deviam ser presos por atentado à vida dos reformados.

    1. Hmm estou a ver que para os videntes do Rossio a Dívida se resolve com mais Défice. Ou seja mais Dívida…

      Mas suponho que o socialismo elitista despreze contas de merceeiro.

  2. Coitada da senhora. Se isto meteu polícia o feitiço nunca vai ser revertido. Eu no lugar dela pedia uma indemnização à vidente por não ter observado os efeitos da detonação.

    1. Pois eu tendo a considerar que foi um problema de má execução. Repare que com um pouquinho mais de profissionalismo o marido podia ter ido desta para melhor. E acabava-se logo ali o tal feitiço…

  3. e já não vou a tempo de apagar.Apague se ainda for possível.Lembrei-me que o coco se poderia utilizar para reverter a classe política que nos calhou,um feitiço medonho.

  4. Qualquer sorte de enchidos obriga a retribuição com robalos,trabalhos de limpeza dos canais ferroviários e velamento facial.O feitiço ainda implica delicado recorte de processos.Não,não será isto que é pretendido.Venha o coco.

    1. Sinto que o Correio da Manhã podia ter ido um bocadinho mais longe, sabes? O Bruxo de Fafe diz que não se pode acabar um feitiço com pólvora e cocos (ou lá como é que se escreve) mas não esclarece qual o procedimento adequado para o fazer.

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