De O’Neill a Régio


Ana Vidal,

 

Segui com atenção a entrevista que Durão Barroso acabou de dar na SIC Notícias, curiosa por saber o que pensa sobre as questões da actualidade o nosso mais proeminente europeu.  Mas fiquei na mesma. Mário Crespo bem se esforçou em malabarismos e truques jornalísticos, tentando apanhá-lo desprevenido, mas tudo o que conseguiu foi uma descrição de um almoço em tête-a-tête com Sarkozy, no Eliseu, na maior intimidade fraterna. Fora isso, e fazendo jus ao nome que lhe ficou colado à pele, Durão esquivou-se a todas as perguntas com exímia e escorregadia arte sub-aquática e a nenhuma respondeu. "Mas este é o seu país!", queixava-se Crespo, já desesperado. Nada feito. A frase que mais lhe ouvimos foi um lapidar e descomprometido "não vou entrar por aí". E não entrou, de facto. Ficámos sem saber por onde vai, ou para onde vai. Sabemos só que não vai por aí.

 

40 comentários em “De O’Neill a Régio”

  1. Ele sabe para onde vai, só não sabe é quando chega 🙂
    Tal como um dia disse que seria primeiro-ministro, só não sabia quando.
    Há tipos que nasceram com o rabinho virado para o sol. E nunca se queimam 🙂

    1. Ele talvez saiba, mas não diz. E os planos não devem passar por cá, Joaquim… achei-o distante e altivo, a demarcar-se bem do país onde nasceu. Este é que adopta o slogan “nós, europeus” aplicado a si próprio, deixando para os portugueses uma espécie de “vós, coitados”…

  2. Não vi a entrevista, mas o senhor não dá ponto sem nó. Ninguém lhe arranca nada que não queira dizer. E se há coisa que não quer é envolver-se nas lutas internas. O campeonato é outro! Tenho cá para mim que não voltará a Portugal.

      1. Oh João eu penso que esse ‘Certo’ será uma espécie de aliteração, pois o post fala do Régio e ele era exímio no jogo das repetições.

        Por isso, não se preocupe, quem sabe no seu próximo post, não lhe sai um poema?

  3. Eu praticamente só vi a parte do TGV. Ele é a favor, mas quando o Mário Crespo lhe perguntou: “mas agora”?respondeu como sempre :lavo daí as minhas mãos, o governo de cá que se amanhe, mas sou a favor.
    É por ser tão assertivo que todos o querem lá. Um grande orgulho para os portugueses, sem dúvida!

    1. Mais exactamente, o que ficámos a saber é que não vem por aqui. Fez questão de distanciar-se bem deste cântico negro português, que já não lhe diz nada.

  4. E o Mário Crespo não teve artes de lhe dizer: “O senhor é português, portanto vota para os órgãos legislativos de Portugal, pelo que tem de ter uma opinião, certamente, qual é?”. Se ele se esquivasse disto era espetar-lhe com um “Está então a dizer que Portugal não lhe interessa mais”.

    Ele até poderia escapar-se, mas teria uns momentos de embaraço.

    Felizmente não vi. Certo.

  5. Posso desafinar?
    Então, com licença.
    Acho que ele esteve muito bem.
    O José Manel é o presidente da Comissão Europeia, cargo que, em princípio, ocupará por mais um mandato. As responsabilidades inerentes ao lugar que ocupa nada têm que ver com a política nacional. A esse nível, apenas lhe cabe velar pelo cumprimento dos tratados e legislação europeus. Não é a ele que cabe levantar ondas, nem isso lhe interessa nesta altura do ‘campeonato’. Faz muito bem.

    1. Claro que podes desafinar, Carlota! Mas eu não esperava dele que fizesse ondas, é claro, só que desse uma oipiniãozita aqui e ali sobre assuntos que dizem respeito ao seu país, e para isso não precisava de se comprometer. Dizes bem: não lhe interessa nada, nesta altura do campeonato, meter-se em trabalhos. E eu diria mais: não lhe interessa nada Portugal, tout court.

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