De D. Dinis a Capoulas Santos


Pedro Correia,

A tragédia de Pedrógão fez aumentar o caudal de disparates proferidos por certos governantes. Entre eles destacou-se o ministro da Agricultura, que a 13 de Agosto se apressou a proclamar ao País que o Executivo tinha acabado de aprovar a “maior revolução na floresta desde o reinado de D. Dinis”.

Estava equivocado. D. Dinis destacou-se por mandar plantar árvores, não por vê-las arder. Com destaque para uma das maiores manchas de pinheiro bravo da Europa, reunida no vasto pinhal de Leiria, com cerca de 15 milhões de árvores. Acabo de saber que 80% desta mata nacional foi consumida pelas chamas – no dia em que no País inteiro ardeu uma extensão equivalente a seis cidades de Lisboa. Presumo que não se tratava de “floresta desorganizada”, na medida em que é propriedade do Estado. A menos que cheguemos à conclusão que afinal o Estado imita os piores procedimentos dos privados.

Capoulas Santos, o revolucionário da treta, desta vez tem-nos poupado à sua ridícula verborreia. Resta ver por quanto tempo conseguirá permanecer calado.

17 comentários em “De D. Dinis a Capoulas Santos”

  1. Há dias, e não é nada que se compare ao Pinhal de Leiria, fui a Ofir, praia cá do norte, dar uma volta.
    O carro ficou estacionado na rua principal.
    Quando vinha da praia em direcção ao carro, do lado do passeio onde os pinheiros têm o seu habitat, o lixo dos banhistas do verão passado acumulava-se ali à vista de todas as pessoas… excepto dos responsáveis, GNR, Câmara, e dos próprios utentes que desrespeitam o que de melhor temos em Portugal.Tentei encontrar um aviso proibitivo num qualquer pinheiro mas não vi nenhum.
    Boa noite.

        1. Não há mais nada a concluir, já está concluído.
          Da mesma forma, se Lisboa (pelo menos, as partes dela por onde costumo circular) hoje em dia está cheia de garrafas de cerveja vazias, abandonadas pelas ruas, a culpa principal desse facto é, evidentemente, das pessoas que andam a beber cerveja pela rua e que, depois de acabar de beber, em vez de deitarem a garrafa num vidrão (e quase sempre há um por perto), decidem abandonar a garrafa algures num canto.
          A culpa principal não é das autoridades por não limparem. É de quem suja.

          1. Meu caro, concordando em parte, permita-me. Os serviços do Estado servem para colmatar a imperfeição de comportamento dos seus cidadãos. Aliás se todos nascessemos civilizados não existiria Estado.

            Se existe acumulação de lixo pode também dever-se a uma insuficiente recolha…

  2. conheço bem a zona
    vi na tv o pinhal e as bermas da estrada cheias de mato e ervas

    neste governo só existe gente fina

  3. Proprietários que não limpem as deverão ser expropriados… e que fazemos com o Pinhal de Leiria?
    Este governo já se gabou de ter feito a maior revolução florestal desde Dom Dinis… espero que não voltem a repetir essa barbaridade.

    1. O Governo, proprietário e péssimo gestor do pinhal de Leiria, tem de ser expropriado. A bem da segurança e da saúde pública, ameaçadas pelos incêndios florestais.

  4. Presumo que não se tratava de “floresta desorganizada”, na medida em que é propriedade do Estado.

    O próprio artigo lincado diz que a floresta estava toda maltratada.

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