
Da minha página de FB
Hoje é dia de descanso e é também o prelúdio das férias mais desejadas. Dois anos sem férias foi tremendo para quem as não gozou por motivos de saúde, porque ter de estar em casa fechada sem trabalhar, por não poder e por não dever… não é nada, nada igual ou o mesmo que estar de férias.
O dia de hoje marca também o princípio de um fim, o encerro de um ciclo, o Omega do meu Alfa profissional, o término de uma caminhada de 47 anos, que começou com um convite para trabalhar durante três meses em substituição de uma piquena que estava com baixa de parto. Foram sem dúvida uns longos três meses, durante os quais estudei, conheci o meu marido e casei, fui mãe, perdi os meus pais, casei as minhas filhas, fui avó e cresci, cresci muito desde os 18 anos que levava na bagagem em 1977 até aos 65 de uma vida plena e rica em conhecimento, alegrias e tristezas, que recolho do cacifo e das gavetas da secretária da posteridade.
Não tenho termo de comparação porque nunca tive outro emprego nem outra maneira de viver o dia a dia que não fosse em função do binómio casa/ trabalho. Foram 47 anos em que todos os caminhos iam dar a Belém e, por mais planos que se tenha em esboço para os chamados Anos Dourados, temo que adaptação não seja o tal “ mar de rosas” que todos gostaríamos de encontrar. Afinal não se perdem rotinas de 47 anos num estalar de dedos.
Num cômputo geral, foram uns anos bons. Não digo que não mudaria nada do que fiz. Como nem sempre se opta pelo caminho mais fácil, repensaria seriamente muitas das minhas escolhas.
Saudade não tem tradução, mas traz consigo uma carga enorme de sentimento. E eu vou sentir saudades e muitas. Das pessoas, dos aromas dos sabores, dos espaços… ontem dei por mim a caminhar pelas salas vazias e pensar que seria a minha última ronda matinal. Prometi a mim mesmo que não iria chorar, mas rapidamente percebi que há promessas que não se podem fazer.
Vou sentir muito a falta dos de “lá de cima”, dos meus patrões e chefes que sempre me apoiaram e ajudaram a quebrar barreiras e estereótipos. Pessoas espectaculares para com quem para eles trabalha, sem qualquer excepção.
Vou sentir muito a falta da miríade turbulenta “cá de baixo”, em que cada um trazia consigo um mundo, um pensar diferente que requeria entendimento, adaptação, aconselhamento e sobretudo uma paciência infinita.
Vou sentir muito a falta de rir com todos eles, de chorar com todos eles, até de me exaltar com muitos deles.
Vou ter saudade de quem trabalhou ao meu lado, de quem me entendeu, de quem me apoiou, de quem me ajudou e foi rocha de apoio das minhas fragilidades adquiridas.
Vou sentir muito a falta dos milhares de rostos sem nome que, sorridentes ou não davam cor e temperavam cada um dos meus dias.
Ganhei riqueza em afectos, uma fortuna fabulosa daquelas que não se consomem em cem vidas e por tudo isto a todos sou grata.
Um dia, quem sabe, encontrarei em mim uma réstia de talento que me ajude a penejar esta história tão rica em experiências e narrativas.
Até lá, beijos do tamanho do mundo cá de fora, para todos os lá de dentro, que ajudam todos os dias a engrandecer Portugal no mundo inteiro.
Obrigada!
Foi uma honra e um privilégio fazer parte desta equipa. Bem hajam.

Não percebi, é o prelúdio de quê? De férias, da reforma, de descanso…de quê?
Espero que a saída não seja do Delito senão quem é que eu vou azucrinar?
O Carlos fez-me lembrar o balio. Lê na transversal e depois faz perguntas descabidas. Está lá escrito.
Vou contar-lhe um segredo: com cerca de 200 funcionários e muitos mil passantes a azucrinar-me a cabeça diariamente durante tantos anos, é um prazer batalhar os seus cutucos.
200 funcionários deve ser o centro cultural que os jerónimos não terão assim tanta gente, digo eu.
Nada disso… na 2a feira tínhamos 215. Hoje devemos ter 214, penso eu de que
Pois, mas sendo assim a última frase não está bem. Onde se lê:
“Foi uma honra e um privilégio fazer parte desta equipa.”
Deverá ler-se:
“Foi uma honra e um privilégio fazer parte DESSA equipa.”
Mesmo a ler na transversal penso que a bota tem de condizer com a perdigota.
E se eu estiver a escrever para a equipa ler?
Ah! Está bem, pensava que estava a escrever só para mim.
Só para si teria de dourar a pílula e dar um tom mais cor de rosa à escrita.
E como é que você acertava no tom se você não sai do rosa choque?
Que gosto de chocar, é um facto. Choques frontais sempre foram o meu lema de vida. E não falar ou agir pelas costas dos outros, deu sempre bons frutos. Ontem constatei com um nó na garganta, que todos, mas todos sem excepção tinham os olhos marejados. É bom saber que de algum modo se deixou uma marca positiva em algum canto do mundo.
Quanto ao cor rosa, esqueça. Isso é para a Barbie e para os fazedores de milagres com banha da cobra ranhosa.
Desejo-lhe uma boa reforma, Dulce.
Obrigada balio. Vou dar o meu melhor para aproveitar enquanto posso.
Por outro lado não me parece que o CCB tenha 47 anos.
Ainda não atingiu a meia-idade,. Tem apenas 35 anos.
Eu já estou nessas férias desde o ano passado, depois de mais de 42 no aeroporto.
Muitas felicidades, continue a escrever aqui.
Beijo amigo
Agradeço, Fernando. Vou ficando por cá , enquanto puder e me quiserem.
Sem indiscrição, que profissão foi a da Dulce, que começou a exercer aos 18 anos de idade e exerceu durante 47 anos?
Fui operadora de caixa quando entrei para fazer 3 meses e durante 3 anos, por causa do horário da faculdade. Fui Relações Públicas durante cerca de 20 anos, cargo que depois compartilhei e acumulei com supervisão geral nos anos restantes.
Que os anos que se seguem sejam mesmo dourados, Maria Dulce.
Fui literalmente inundada por postais digitais e SMSs do género ” Actividade é longevidade “! Não posso desapontar tanta gente ou a mim própria, Teresa. Obrigada e beijinhos.
Et maintenant que vais-je faire
De tout ce temps que sera ma vie
De tous ces gens qui m’indiffèrent
Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.
Gosto de Gilbert Bécaud. O meu pau tinha dele uma excelente discografia.
Edilson Coelho Sampaio
Organizador
ENVELHECIMENTO HUMANO
Desafios Contemporâneos
Tenho os meus próprios planos e não gosto de mentalizadores. Não sou fã.
Faltam-me dois anos (menos uns dias, na verdade). Não será fácil esse momento em que, sinta-me eu como me sentir, e gostando tanto do que faço, me cortarão as asas – (quase) literalmente – mas, tudo visto, dou por mim a ansiar por ele. Há-de ser a vida a passar por mim…
Feliz reforma, minha senhora. Que sejam mesmo, independentemente da gente de má-fé que nos desgoverna, “golden years”, Maria Dulce (permita-me o trato). Tanto quanto a nossa mediocridade oficialmente consagrada o permita.
Eu também sempre gostei muito do meu trabalho. Adorava poder falar uma data de línguas ao mesmo tempo, mesmo quando os espanhóis me interpelavam em inglês. 😀
Mas saí porque quis. Porque já tenho bonificações na pensão, porque com a prótese tenho muito menos agilidade, porque tinha traçado esta meta e consegui atingi-la… quero ter fins de semana e dias festivos com a família, quero fazer um curso de Língua Gestual Portuguesa, quero poder inscrever-me na hidroginástica sem ter horários limitativos, quero viajar enquanto consigo andar… quero poder fazer tanta coisa que nunca pude fazer, porque não tive tempo…
Muito obrigada caro Costa. Não há mal que sempre dure. Vamos ter fé. Um grande abraço.
É isso: ter fé.
Abraço
Obrigada, Costa
com a prótese tenho muito menos agilidade
Tem uma prótese de que parte do corpo?
A que se deve essa prótese, isto é, como partiu esse osso?
Que horror, balio! Parece o Grande Inquisidor! … ou talvez uma comadre mexeriqueira?
É habitual, no conteúdo e na forma.
Se lesse o que costumo escrever sem ser na transversal, o balio não faria figuras destas, Costa, mas enfim.
O homem tem-se na conta de um director espiritual. Ou na de um comissário político. Alguém que tudo pode devassar e inquirir, legitimado por não sei que poder superior e perante o qual todos nos devemos curvar. Não é de agora; é de há muito e a começa logo na forma como com lapidar facilidade recorre uma e outra e outra vez à fórmula “disparate” – plena de elegância, aliás – para desconsiderar sem mais tudo o que não se enquadre no seu cânone.
Deslumbramentos, enfim.
Espero que se adapte depressa, Maria Dulce, que goze o encanto de ter tempo para fazer outras coisas. Como escrever. Escreva as suas memórias, escreva ficção, escreva nos blogues, mas escreva, que o faz muito bem!
As maiores felicidades!

O tempo para mim é um luxo, Cristina. Em todas a viagens que fiz, queria ter podido fazer mais, ver mais, ir mais além do turístico, mas poucas vezes consegui porque o compromisso profissional cobrava-me sempre tempo . Espero poder corrigir isso agora. Ou pelo menos tentar. E continuarei escrever , porque escrever para mim é catártico. E memórias não me faltam, resmas delas. Obrigada minha amiga e um grande beijinho.
O tempo é um bom tempero. Ficarão as recordações que lhe farão companhia eterna.
É verdade, Maria. Agora que o tenho, é para o cuidar bem.
Dizem que o segredo passa por colocar o melhor de si em cada uma das fases da vida. Pelo que conheço da Dulce, basta manter a atitude.
Feliz nova fase.
Beijo amigo
Fazer o melhor que se pode e se sabe. É isso mesmo, Paulo. Obrigada. Beijinho.
Pelo pouco que lhe li tenho a certeza de que saberá “reinventar-se”. Sem temores. Boa vida!
Farei para que assim possa ser, Leão. Obrigada!
A Dulce não tinha dito aqui que mora(va) em Belém?
Então quer dizer que morava e trabalhava em Belém, pelo que se podia dar ao luxo de ir para o trabalho a pé.
Que bom!
Claro que era óptimo em 1977 quando inda morava com os meus pais…