
«O 25 de Abril é uma data fundadora da democracia. Depois houve aquela perturbação terrível a que chamaram PREC. Houve ameaças significativas à intenção inicial do 25 de Abril, que era a intenção democrática. O 25 de Novembro reassumiu esse compromisso original e completou o 25 de Abril. Quem quer separar as duas datas está a cometer um erro histórico.»
António Ramalho Eanes, em entrevista à SIC (21 de Abril de 2024)

Muito bem falado.
Por um lado, fala com conhecimento de causa.
Por outro, é parte interessada.
não suporto elogios. fontes seguras militares afirmaram que nas 2 datas existiram aspetos desconhecidos e certas personagens impostas.
Subscrevo a opinião de Ramalho Eanes.
Sem o 25 de Novembro, o mais provável é que tivéssemos regressado a uma nova Ditadura, desta feita, pretensamente, de Esquerda…
E, nesse sentido, o 25 de Abril e o 25 de Novembro complementam-se: o primeiro permitiu a extinção de uma Ditadura que durou 48 anos e o segundo impediu a instauração de uma nova Ditadura…
Não há “Ditaduras do Bem”. Há ou não há Ditaduras. E quando as há nunca são boas.
A “ditadura” que durou 48 anos – e que foi apenas um regime autoritário (basta comparar com ditaduras da mesma época a começar pelos vizinhos – começou de facto com uma Ditadura Militar mas evoluiu para um regime pessoalista. O Salazarismo era o governo de um homem e não lhe sobreviveria. Salazar soube-o muito bem e, além de nunca ter preparado a sucessão impediu colaboradores próximos sequer de discutir o assunto.
Marcelo Caetano teve o destino nas mãos. Podia ter endurecido o regime apoiado em salazaristas de elevada craveira como Franco Nogueira ou Antunes Varela e generais como Kaúlza de Arriaga e prolongar a guerra até à viragem que estava próxima (Kennedy já tinha confidenciado a diplomatas que já estava convencido que Portugal combatia o comunismo em África mas precisava de tempo para mudar discurso e política). Podia igualmente abrir o regime, apoiado nos deputados da Ala Liberal e em generais como Spínola e Costa Gomes (próximo dos americanos se não mais do que isso, no que a África respeitava) iniciar conversações para independências a prazo e abrir-se à Europa. Em vez disso fez como Montenegro hoje e não escolheu aliados (apenas dependentes, seus antigos alunos) convencido da sua capacidade e habilidade para equilibrar forças antagónicas, conseguindo apenas alienar ambas.
O 25 de Abril acabou com um regime esgotado e com a única excepção do brigadeiro Junqueira dos Reis na Rua do Arsenal, ninguém levantou um dedo para o defender. Os PIDES apenas se defenderam a eles mesmo e, aliás, sem grande convicção porque bem sabiam que Caetano não os apoiava. E o brigadeiro Junqueira dos Reis, não conseguiu fazer-se obedecer nem por subalternos, sargentos e praças, que se recusaram a cumprir a ordem de abrir fogo, nem pelos seus oficiais superiores, pois o major Pato Anselmo, que na Ribeira das Naus comandava as Panhard que detruíriam sem esforço as Chaimites de Salgueiro Maia, acabou por se render a este último.
Complementado a sua ignorância, no que infelizmente não está só mas muito acompanhada, sem o 25 de Novembro não teria havido nenhuma ditadura. Melhor, teria havido temporariamente em Lisboa e no Sul Só a Sul do Tejo ou numa linha que terminava em Rio Maior, conforme a escolha de algumas unidades a começar por Mafra, mas que acabaria de vez não apenas com esquerdismo militar como fez o 25 de Novembro, mas com o poder anti-democrático da extrema-esquerda incluindo PCP que seriam responsabilizados pelos crimes do PREC mas que foram “de facto” indultados” pelo 25 de Novembro.
Fiquei tão encadeada pela luz provinda da sua excelsa e suprema sabedoria, obviamente contrastante com a minha desprezível ignorância, que a única coisa que me apraz responder é isto:
– Quem qualifica o Estado Novo como “APENAS um regime autoritário”, mas não como uma ditadura, desprezando e omitindo todas as atrocidades cometidas durante 48 anos, não me merece qualquer respeito ou consideração… Tudo o que escreveu depois da expressão “apenas” ficou irremediavelmente descredibilizado…
As “certezas” do Anónimo são simplesmente risíveis e patéticas, mas não me apetece rebatê-las…
Tenha um excelente 25 de Abril!
Mantenha-se “encadeada”. E, já agora, recomende a quem tem o cadeado que perca a chave.
Tem toda a razão: deve ser encandeada em vez de encadeada. Só vi isso agora e, em minha defesa, devo dizer que fui enganada pela treta da escrita automática. Quanto ao resto que refere, está equivocado: quem tem o cadeado, toma todos os cuidados para não perder a chave… E olhe que isso nem sequer é uma recomendação minha… Aliás, nunca recomendaria tal coisa a ninguém…

Digo, encandeada.
Numa recente sondagem, “ignorantemente” só 11% dos portugueses atribuem o 25 de Abril à guerra do ultramar.
Não digo que teria sido 100% mas 99, 9999%, não tenho dúvida.
Sou desse tempo.
«a atividade militar é um modo de vida … e não de morte»
Apoiado!
Moi aussi.
De pé e aprumada.
as cavalgaduras também usam cravos nas ferraduras
Se pensarmos que Otelo, Vasco Lourenço e outros lideraram a coisa, como é que podemos ter a certeza de que a “intenção inicial” do 25 de Abril era instalar um regime democrático? A julgar pela participação daqueles dois o objectivo seria instalar um ditadura comunista. O que os comunistas chamam “democrático” é à forma da participação das massas populares no trabalho e não no regime. Olha olha. O próprio Otelo confessou isso numa entrevista derradeira: que as suas expectativas não se concretizaram.
faltou capacidade a Otelo e «Melena e Pá»
Detesto o 25 de Abril.
Ao sábado ou ao domingo.
Deixa lá, na 2ª feira compensas. Chegas às 10 da manhã ao ministério, mesmo na hora do cafezinho lá em baixo. Mais um cigarro e é meio-dia. Vês os e-mails. Depois mete-se o almoço e tal e às 3 da tarde já estás na 2ª Circular a voltar para casa.
Pois é, tantos carros àquela hora na 2ª Circular… estranho. São os teus colegas!
As ditaduras nunca acabam apenas passam por metamorfoses
O General Ramalho Eanes tem toda a razão. O 25 de Abril foi uma ideia giríssima, uma espécie de team building militar com cravos e cantigas do Zeca, mas que começou a descambar quando a plebe achou que a liberdade era mesmo para usar.
Aí começou essa “perturbação terrível” a que chamaram PREC. Imaginem o pânico: a malta na rua a querer coisas absurdas como casas para morar, salários dignos, hospitais e literacia. Um regabofe absolutamente inaceitável. Parecia o fim do mundo, ou pior, parecia que a revolução ia ter efeitos práticos.
Felizmente, apareceu o 25 de Novembro para “completar” o 25 de Abril. O 25 de Novembro é o equivalente político a estarmos no pico de uma valente festa e, de repente, entrar o Ramalho Eanes de pijama, cheio de olheiras, a mandar a malta toda para a cama. “Pronto, meninos, já brincaram à revolução, a festa foi gira, mas agora voltem lá para a vossa vidinha miserável que a malta que manda nesta merda, tem de dormir.”
Quem quer separar as duas datas está, de facto, a cometer um erro histórico. Principalmente para quem acha que a verdadeira utilidade de uma revolução não é emancipar os desgraçados, mas sim arranjar uma forma mais civilizada e democrática de entregar o país aos mesmos gajos de sempre. Muito obrigado, General. A malta estava mesmo a precisar que alguém chamasse a polícia por causa do barulho.
Lapidar. Para mais dito por quem sabe bem do que fala; e que manteve uma autoridade moral ao longo da vida que transmite ainda mais idoneidade e peso às suas palavras – tanto se queiram escutar.
Tudo o resto são comentários avulsos, arrivismos oportunistas, rancores mal dirigidos – ou lama, sem mais.
Quem viveu a festa que foi o 25 de Abril e depois o PREC, não pode deixar de concordar com Ramalho Eanes. Não há revoluções de proveta, e no nosso caso a impreparação da população para viver em liberdade abriu caminho a seitas extremistas, que professando ideologias que nos eram estranhas já recuperavam amarras que julgávamos terem sido cortadas. Era o sonho de uma sociedade mais justa, claramente ameaçado, que o 25 de Novembro veio recuperar, restituindo a verdade dos ideais por detrás das espingardas que saíram para a rua no 25 de Abril. O regime caiu sem estrondo, estava há muito agonizando, não tendo tido o bom senso, ou a capacidade, de negociar a auto determinação dos territórios africanos, o que poderia ter evitado o drama de um êxodo humilhante e profundamente injusto para muitos, nomeadamente militares e populações que sofreram penas ainda mais duras com as lutas pós independências.
O 25 de Abril será sempre um marco na nossa História, no que de bom nos trouxe mas também nas trágicas convulsões que originou.