Como sabe quem me é chegado, se há coisa que me aborrece é ir ao supermercado. No entanto, reconheço que, não raro, trago de lá motivo de reflexão.
A presença do meu filho em casa durante o fim-de-semana pede sempre uns mimos culinários para os quais necessitava de ingredientes que não tenho habitualmente. Lá fui. E reparei numa coisa que já me tinha chamado a atenção e na qual não me detivera ainda. Por todo o supermercado há produtos abandonados fora do sítio próprio: quatro iogurtes junto aos pacotes de arroz, uma embalagem de bacon na prateleira dos sumos, dois queijos frescos em cima dos limões. Isto só para dar alguns exemplos. Estive a pensar num termo com o qual eu pudesse qualificar a atitude subjacente a estas deslocadas presenças. Não me ocorre outro melhor: é estupidez.
Vejamos, e eu não sou, muito longe disso, um exemplo de disciplina e ordem no momento de fazer as compras. Normalmente faço uma lista, mas posso bem ir sem a fazer. Compreendo perfeitamente que alguém, olhando para o carrinho, pense: “Afinal, não preciso de esparguete, ainda lá tenho.” O que eu não compreendo é que se agarre no pacote de esparguete para o colocar na prateleira mais próxima que, por acaso, é a dos sabonetes. Já me aconteceu, algumas vezes, decidir que, afinal, não vou levar algum produto que já tinha retirado do lugar. Volto lá. Parece-me elementar. Faço marcha atrás e volto a colocá-lo onde o tirei. E, mais fácil ainda ou se estiver muito apressada, posso deixá-lo na caixa: “Desculpe, afinal, não vou levar isto.” É capaz de ser mais correcto. Não sei, digo eu.
Haverá, decerto, quem argumente que não tem de estar a facilitar a logística do supermercado. Eles é que têm o lucro, eles que suportem as contrariedades.
Pois. Mas, na minha opinião, nada disto tem a ver com eles. Tem a ver com cada um de nós.

Há uma justificação, Ivone. Deixando os produtos em qualquer lado, chegam mais depressa àquele estreitamento de via, na estrada em obras próxima da grande superfície, em que se meterão à frente dos outros que estão lá há mais tempo.
Bem pensado, Rui. 🙂
Nos supermercados, como em outros sítios onde a educação é necessária à boa ordem, encontramos essas pérolas. Iguais às que abandonam lixo na rua, por exemplo. Já assisti a quem deixe cair algo da prateleira, e que ao invés de apanhar, chuta para debaixo dela. Linda também esta, não vos parece?
Já vi, num dos corredores, (produtos de limpeza de sapatos) um cidadão já com idade avançada… a engraxar os sapatos com tinta auto brilhante, limpou, fechou a garrafinha e foi embora todo contente.
E esta heeeeemmmm !?
Potuga é mesmo desenrascado ! Ehehehehe !
É mesmo uma questão de educação e de respeito, Ivone.