Se a globalização torna mais difícil aos regimes de cariz autoritário esconderem os benefícios da democracia (actualmente tão pouco valorizados por quem deles goza), também lhes é útil em momentos de confronto político: no dilema entre proteger interesses económicos e fazer respeitar princípios, as democracias são sempre as primeiras a sacrificar os princípios.
Da (in)capacidade de mostrar força ou Ucrânia como lembrete
escafandro,

Isso mesmo se tem visto, a propósito da agressão russa à Crimeia, por parte desta Europa que em termos diplomáticos funciona a duas velocidades: devagarinho e parada.
Exacto. Mas será que os cidadãos europeus gostariam que fosse de outra forma?
É sinal que têm princípios. As ditaduras não têm esse dilema.
As ditaduras (e os regimes com cariz autoritário, onde até podem existir eleições mas não há verdadeiramente uma comunicação social livre nem instituições autónomas fortes) também terão princípios – só que definidos por uma pequena minoria de, no limite, uma pessoa. Mas, de facto, não existem os princípios do respeito pela opinião maioritária nem de, avaliando o mal menor, colocar o bem-estar dos cidadãos acima de outras considerações (ainda que ultimamente muita gente pareça pensar que estes pontos também são secundários nas democracias). A questão é que consequências isso traz. Se, com cada vez maior integração económica (que eu defendo) as democracias não tenderão a ficar reféns de regimes pouco recomendáveis. Ou, postas as coisas de outra forma, entre a pressão crescente dos cidadãos dos países com regimes ‘duvidosos’, cujo nível de exigência aumenta, e a crescente impotência das democracias, que efeito será mais forte?
Aqui está a nova “democracia” à ucraniana:
http://www.youtube.com/watch?v=1c6eYId4f PE
O vídeo já não está disponível. Mas o meu texto não é especificamente sobre a Ucrânia nem a partir dele deve ser presumida qualquer posição específica sobre a questão ucraniana. É muito mais sobre países como a Rússia – ou a China – que, por uma mistura de força e de dependência económica, conseguiram vergar o Ocidente. Se a Rússia invadisse a totalidade da Ucrânia ou a China invadisse Taiwan, o que fariam hoje os Estados Unidos e a Europa?
“Se a Rússia invadisse a totalidade da Ucrânia ou a China invadisse Taiwan, o que fariam hoje os Estados Unidos e a Europa?”
Exactamente o mesmo que fizeram a Rússia e a China quando o “Ocidente” bombardeou a Sérvia, invadiu o Iraque, estilhaçou a Líbia, a Síria, etc…
Em Belgrado até uma embaixada limparam… Nesse campo os Orientais são uns meninos em comparação com “nós”, “os bons”, “os ocidentais civilizados”…
Concedo-lhe o Iraque, apesar das resoluções da ONU violadas pelo regime de Saddam. Os outros casos são completamente diferentes. Aliás, nem percebo bem a inclusão da Síria na lista.
O Iraque estava em estado de Guerra com os EUA. Plenamente justificado qualquer ataque.
Quer me explicar onde o Ocidente atacou a Síria?
Mas nas opiniões tipicamente anti-ocidente dos comunistas parece que só os anti ocidentais é que podem ser apoiados.
Não se esqueça que os Russos agora recebem armas da malvada NATO…
Logo também podem ser maus…zeca marreca.
Mas talvez esteja a falar para o boneco, afinal nos anos 30 a Frota Soviética Comunista foi renovada com compra e cooperação tecnologica da Itália Fascista de Mussolini.
Não tem muito que ver com a economia.
Hitler chegou onde chegou e a globalização era fraca. Na verdade em parte devido às teorias autárquia economicas fascistas em vários países nos anos 30 o comércio internacional tinha descido.
Tem muito mais que ver com o risco da guerra para políticos eleitos, a diversão de recursos para a Guerra em vez de para o Estado Social não dá votos-economia mas não no sentido do autor – o facto de os jornalistas tratarem a guerra como se fosse uma construção de uma ponte onde tudo deve ser previsível…
Nada melhor que:
Sir Humphrey: There are four words you have to work into a proposal if you want a Minister to accept it.
Sir Frank: Quick, simple, popular, cheap. And equally there are four words to be included in a proposal if you want it thrown out.
Sir Humphrey: Complicated, lengthy, expensive, controversial. And if you want to be really sure that the Minister doesn’t accept it you must say the decision is courageous.
Bernard: And that’s worse than controversial?
Sir Humphrey: (laughs) Controversial only means this will lose you votes, courageous means this will lose you the election.
O Ministro Francês da Defesa disse que a venda de 2 Porta Helicópteros/LPD’s – já em construção, um já no mar – a Moscovo está em risco. Bluff ou não se verá.
Mas esses sistemas sociais, que já estão em risco, ficariam ainda mais ameaçados com a existência de conflitos abertos, sendo que a interdependência económica (e eu sou favorável ao comércio livre, que considero um factor de crescimento global e de pressão sobre os regimes menos democráticos) faria aumentar as consequências negativas. Se a Europa não necessitasse do gás russo, provavelmente já teria aprovado sanções fortes contra a Rússia.
Evidentemente, isto não significa que não existam outros motivos para as democracias tenderem a arrastar os pés. A Europa, sendo especialista na evocação de princípios, é também especialista na inactividade. Mas os EUA não o eram tanto. Quanto ao caso nazi, parece-me um pouco diferente porque, claramente, a opção era entre nada fazer e partir para a guerra. Num caso como o da Ucrânia, há ainda outra vias. Mas têm consequências económicas…
Férias na China
http://news.yahoo.com/michelle-obama-tou rs-beijings-forbidden-city-060755672.htm l;_ylt=AwrTWfwVZixT6zoAw2PQtDMD
Exacto. Como perguntei mais acima: se a China invadisse Taiwan, o que fariam hoje os Estados Unidos e a Europa?