Da falta de memória


Pedro Correia,

Leio hoje no Expresso, em peça muito destacada, que há a partir de agora três mulheres à frente de bancadas parlamentares — «são as sucessoras de Manuela Ferreira Leite, a única mulher até agora líder de um grupo parlamentar, entre 2001 e 2002».

Erro factual grave. A primeira mulher que liderou um grupo parlamentar foi Maria José Nogueira Pinto, à frente da bancada do CDS entre 1997 e 1999.

Um erro que é consequência directa da galopante falta de memória nas redacções dos órgãos de informação. Ao contrário do que muitos imaginam, o mundo não começou anteontem.

9 comentários em “Da falta de memória”

  1. Para os precários e imberbes escribas dos dias de hoje, se não está na primeira página do Google, não existe. Não dão para mais e também não ganham para se esforçarem além disso.

  2. Como bem sabemos temos o privilégio de viver um tempo novo, ou novo tempo, ou lá o que é. É por ele e pelo seu ano zero que tudo é aferido, mesmo que antes dele a grande parte dos anos desta república tenha sido (des)governada sob a venal batuta socialista.

    A referência a Manuela Ferreira Leite foi decerto uma bondosa concessão e Maria José Nogueira Pinto muito provavelmente uma omissão deliberada. Bem se vê: foi pessoa “de direita”, o que liminarmente desqualifica quem quer que seja, por cá, e mais ainda se mulher.

    E estamos muito bem assim, no país onde – entre outras vergonhas recentes – depois da histórica catástrofe que se abateu sobre o pinhal (ou mata) de Leiria resultou, fruto de laboriosa, decidida, objectiva, inflexível, profunda e isenta investigação pública, a apresentação a tribunal de uma sexagenária.

    E o que move as massas e a comunicação social é, e muito patrioticamente, a crise do Sporting.

    Costa

    1. Concessão?

      A Manuela Ferreira Leite é uma “comentadora de direita” faz parte daquelas pessoas oriundas da direita que são promovidos pelas redacções de esquerda para criticarem a direita.

      lucklucky

  3. “All these newspapers used to have foreign bureaus. Now they don’t. They call us to explain to them what’s happening in Moscow and Cairo. Most of the outlets are reporting on world events from Washington. The average reporter we talk to is 27 years old, and their only reporting experience consists of being around political campaigns. That’s a sea change. They literally know nothing,”

    Quem disse isto era de que administração e estava vangloriar-se de quê?

    lucklucky

  4. De todas as particularidades físicas que vêm ocorrendo no parlamento desde a sua instalação original, o que mais me preocupa é que nunca puseram lá ninguém com 2 dedos de testa

  5. Ignorância.

    O pior é quando se desiste, e o erro é legalizado. É assim na Língua, será assim na História.

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