“Escreve, rapariga, escreve” dizem-me com a mesma ternura com que mandavam a outra pequena comer chocolates.
É verdade que a escrita consola, tal como os chocolates.
Uma vez li que o chocolate contém uma substância semelhante à que o nosso organismo segrega quando estamos enamorados. Talvez a escrita espolete a mesma convulsão orgânica de prazer.
Comer chocolates é mais fácil do que escrever. É uma acção passiva que se conjuga no infinitivo, no conforto de um sofá. Escrever implica uma cirurgia invasiva a todas as nossas artérias sem qualquer tipo de anestesia. É a arte de escavacar bocados de nós para os organizar em narrativas coerentes.
Dizem-me que os grandes autores só escreveram grandes obras depois dos quarenta. Eu estou para fazer quarenta e cinco e não quero escrever nenhuma obra-prima. Mas gostava de estar pronta para escrever a minha história sem ser assim, aos bocados. Quadrado a quadrado, como numa tablete de chocolate.

já estou á espera.
escreva rapariga escreva.é que eu adoro ler o que escreve.
Uma admiradora dos meus escrevinhamentos? Já me fez ganhar o dia.
Grande vénia de gratidão.
Gracias, gracias, gracias.