Da efabulação e outras artes, também menores


Pedro Correia,

 

I

Há imensas coisas que se aprendem ao folhear um jornal ou uma revista. Às vezes sobre nós próprios. Ontem, por exemplo, fiquei a saber que participei em manobras destinadas a colocar o actual primeiro-ministro no poder. Está lá, com o meu nome e tudo, numa versão avalizada por uma fonte supostamente idónea e — como é costume no jornalismo pós-moderno, contaminado pelos automatismos das chamadas “redes sociais” — não sujeita a um esforço mínimo de contraditório. Não fosse alguma versão contrária estragar aquilo que parece uma boa história.

Diz essa fonte que eu terei participado numa conspiração que envolveu manipulação de fóruns radiofónicos e televisivos, disseminou contra-informação e destruiu reputações nas redes sociais e outras malfeitorias. Tudo a partir de um blogue chamado Albergue Espanhol quando Passos Coelho ainda se encontrava na oposição.

É espantoso como pode alguém convencer-se de que um blogue, tenha a força que tiver, é capaz de conduzir um determinado político ao poder. É também espantoso alguém convencer-se de que um blogue, a partir da oposição, pode no fundo ser mais do que aquilo que é.

 

II

Lamento desiludir aqueles que embarcam em qualquer tese sensacionalista, mas um blogue é apenas um blogue. Funciona como veículo privilegiado de reflexão e discussão de ideias, designadamente na esfera política: nada menos mas também nada mais que isso.

O Albergue Espanhol foi um blogue que existiu entre Janeiro de 2010 e Agosto de 2011 e juntou pessoas que tinham posições críticas em relação ao executivo de José Sócrates: se havia “linha editorial” naquele projecto era essa e mais nenhuma. Não fazia sentido prolongar a sua existência após a derrota eleitoral do anterior primeiro-ministro e por isso terminou naquele Verão, julgo até que por sugestão minha. Mas enquanto durou deu bastante que falar. Não por ser monolítico, longe disso. A prova é que entre os seus membros contava-se o professor José Adelino Maltez, um dos nomes mais respeitados do comentário político em Portugal. E o Luís Osório, que nunca ninguém identificou com o PSD. E o Luís Menezes Leitão, que mais tarde tive o gosto de convidar para o DELITO DE OPINIÃO e cujas posições extremamente críticas de Passos Coelho e do executivo PSD/CDS, na blogosfera e na imprensa, são de todos bem conhecidas.

“Conspiradores”, todos eles? Acredite quem quiser. Há crenças para tudo.

 

III

E por falar em monolitismo: conversei sumariamente com alguns amigos por ocasião do lançamento do Albergue e deixei logo muito claro que nas eleições presidenciais do ano seguinte — que mereceram grande atenção do blogue, como já se esperava — a minha simpatia, à partida, recaía em Manuel Alegre. E recordo com satisfação ter sido eu o primeiro, numa série de 35 textos sob o título “Presidenciáveis”, a sugerir em Janeiro de 2010 o nome de Fernando Nobre como possível candidato a Belém, o que viria a suceder um mês depois.

Por curiosidade, lembro aqui também os textos que, no âmbito dessa série, escrevi sobre Manuel Carvalho da Silva, António Barreto, Marcelo Rebelo de Sousa, António Guterres, Pedro Santana Lopes e o actual presidente da câmara do Porto, Rui Moreira. Vários deles manterão plena actualidade quando começarem a aquecer os motores para a próxima corrida a Belém.

 

IV

Lamento decepcionar os adeptos das teorias da conspiração, mas pela parte que me toca limitei-me a isto: exprimir ideias, escrever o que penso, expressar-me de acordo com a minha consciência, exercendo enfim um direito de cidadania em nome próprio. Que em certos casos é mais do que um direito: é também um dever.

Nas semanas que antecederam as legislativas de 2011 participei num almoço e num jantar entre Passos Coelho, dirigente do principal partido da oposição, e gente muito diversa da blogosfera, como a Ana Matos Pires e o Paulo Guinote, que tive o prazer de conhecer na altura. Mas teria feito o mesmo com qualquer outra iniciativa do género organizada por qualquer outro candidato. Nada mais normal que isso.

Nunca usei pseudónimo, nunca escrevi a pedido fosse de quem fosse, não obedeci a nenhum estado-maior partidário, nada sei sobre fóruns televisivos e radiofónicos a não ser como ouvinte ou telespectador, nunca tuitei na vida, não tenho nem tenciono ter Facebook.

O meu pensamento, de 2006 para cá, está patente na blogosfera e pode ser escrutinado a qualquer momento. Nos blogues Corta-Fitas, Forte Apache e És a nossa Fé, além do Albergue e deste DELITO DE OPINIÃO, que surgiu em Janeiro de 2009 e foi desde o primeiro dia um espaço de liberdade e pluralismo. Se há projecto na blogosfera que sempre congregou pessoas das mais diversas tendências, em saudável intercâmbio de ideias, é este mesmo. Faz parte da sua matriz genética, a liberdade vem-lhe da raiz.

 

V

Dir-me-ão: mas os bloguistas partiram dos blogues noutras direcções. Até para o Governo, para a Assembleia da República (do Carlos Abreu Amorim ao João Galamba, da Inês Teotónio Pereira à Mariana Mortágua), para os partidos e para as empresas. A actual ministra da Agricultura, Assunção Cristas, começou a tornar-se conhecida num blogue que defendia o não no referendo ao aborto. Álvaro Santos Pereira, ex-titular da pasta da Economia, foi um bloguista muito lido antes de receber o convite para integrar o executivo. Miguel Poiares Maduro escreveu no blogue Geração de 60, em cuja ficha técnica ainda figura. E não faltam secretários de Estado, como o Carlos Moedas, o Pedro Lomba, o Bruno Maçães e o nosso colega Adolfo Mesquita Nunes, que também começaram por notabilizar-se na bloga.

Também não faltam bloguistas nos gabinetes governamentais, começando no do primeiro-ministro. Durante 22 meses, como é público, exerci eu próprio funções de adjunto no gabinete do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares. Uns continuam, outros saíram, alguns entraram: nada mais normal. O próximo executivo, tenha a cor que tiver, contará igualmente com pessoas que escrevem ou escreveram em blogues.

Haveria algum motivo para não ser assim?

Sucede isto em toda a parte onde existe opinião livre: constitui uma homenagem implícita dos poderes fácticos ao potencial analítico da escrita blogosférica. Mas reparem: onde se nota mais a influência bloguística é nos órgãos de informação. É incontável, por um lado, o número de jornalistas que têm blogues. E, por outro, os blogues foram e são viveiros de talentos que permitiram renovar e rejuvenescer em anos recentes o elenco de comentadores em todos os jornais e todos os canais televisivos, tornando a opinião mais acutilante, mais estimulante e mais plural. Gente tão diversa como o Pedro Mexia, o Pedro Marques Lopes, o Tiago Mota Saraiva, o Pedro Adão e Silva, o André Abrantes Amaral, o Henrique Raposo, o Daniel Oliveira, o Rui Tavares, o José Mário Silva, a Helena Matos, a Carla Quevedo, o Alberto Gonçalves, o João Pereira Coutinho, o Luciano Amaral, o Hugo Mendes, o Joel Neto, o Luís Januário, a Maria João Marques, o Francisco Mendes da Silva, o Alexandre Homem Cristo, o Pedro Lains, o Tomás Vasques, o Bernardo Pires de Lima, o José Pedro Lopes Nunes, o Francisco Proença de Carvalho, o Luís Rainha, o Ricardo Arroja.

A lista é quase interminável. 

 

VI

Há hoje bloguistas em todo o lado. Até no desemprego: a alguns deles mal sobra o dinheiro para ir comprando revistas e jornais — acreditem que sei bem do que falo.

Tal como há mitómanos por toda a parte: alguns confundem desejos com realidades, imaginam-se pequenos reis-sóis ou génios do manobrismo político. Efabulam enredos e chegam ao ponto de acreditar neles.

Sem terem sequer a lucidez de um Groucho Marx, incapaz de pertencer a um clube que o aceitasse como membro.

80 comentários em “Da efabulação e outras artes, também menores”

  1. Há quem tenha a pudicícia de onze mil virgens… quando toca a desacreditar os outros. Apressam-se a rasgar as vestes, o que é, aliás, pouco consentâneo com a virgindade.

  2. Pedro,

    conheci um pouco da história da sua vida, e apreciei. Apreciei muito a oposição a Sócrates (o desgramado bem que o mereceu). Apreciei o apoio a Passos Coelho, só para que o “desgramado” saísse de lá e não por virtudes do Passos. Apreciei também a “nossa fé”, nessa vale a pena preserverar, pois o reino é dos que pereservam.
    No resto dou-lhe um conselho: não ligue, mude antes de partido, torne-se independente. Casque nos gajos a torto e a direito. Não perdoe a nenhum. Os tipos não merecem. Vote quando tiver que votar e mande os tipos à à à à ou pró pró pró (peço desculpa, mas quando me enervo gaguejo. Logo acabarei).

      1. Obrigado, caro Vento. Só não tenho que mudar de partido porque nunca pertenci a nenhum. Mas não renego uma só linha de um só texto que escrevi nos diversos blogues em que participo ou participei (todos fundados ou co-fundados por mim).
        Por vezes escuto histórias da carochinha dando a entender que nesses anos de intensa intervenção política na blogosfera só havia blogues de um lado. Os “do Passos”. Como se não houvesse também os outros. Os do Sócrates. Os do Portas. Os do anti-Passos, oriundos do PSD. Com autores empoleirados em permanentes tribunas televisivas.
        Ao contrário do que alguns historiadores da treta dão a entender, houve muita mobilização blogosférica nas mais diversas frentes. Pró-quase tudo, antiquase tudo.
        Nada mais salutar. Os blogues servem para isso.
        Falo por mim: tenho amigos em todos esses grupos. E orgulho-me de ter fundado um blogue (este mesmo) que soube sempre congregar gente de todos esses grupos e também gente que nunca teve nem quer ter grupo nenhum.
        A fronteira que sempre tracei foi muito diferente. A dos que escrevem em blogues com assinatura e a dos que escrevem em blogues sob o anonimato. Defendo ao máximo os primeiros, mesmo que pensem de forma oposta à minha, e desprezo os segundos, que dão mau nome à blogosfera.
        Gosto do confronto às claras. Bastaria isso para ser incapaz de me associar aos cenários que vi descritos na tal publicação.

        Saudações Leoninas, sempre.

  3. Caro Pedro, não vale a pena atribuir grande importância à entrevista. Parece-me evidente que o tipo é um lunático sem tino.

  4. Eu, em nome de toda a minha família, quero deixar aqui o que sentimos.
    Estamos todos muito tristes com o que veio, agora, a publico. A entrevista que fala do seu nome é uma bomba que para já deixa-nos a todos muito constrangidos, pois é tanto o indecoro que no momento estamos completamente perdidos.

  5. Caro Pedro,

    gostei de o ler.
    Muita gente não se apercebe que muitas vezes as coisas que parecem não custar nada são muito caras, e o que se pode dizer num contexto é diferente do que se pode dizer noutro.
    Não teria que fazer esta “carta”, fê-lo, e fê-lo muito bem.

    Um abraço,
    da Maia

    1. Muito grato, da Maia. Pela sua sabedoria e pelos seus bons conselhos. Tenho aprendido muito consigo e com outros leitores nas caixas de comentários deste blogue. Poucas coisas me fazem sentir tão gratificado como isso.
      Abraço retribuído com gosto.

      1. O apreço é mútuo, e como sabemos, quando o mar puxa para dentro, basta flutuar e guardar forças para nadar na direcção certa com a próxima vaga. Abraço.

  6. Há quem seja importante e há quem se ache importante. E também há gente que, por ser gorda, julga que tem o rei na barriga…
    Todos somos importantes e eu (importante), fiquei triste por o amigo não fazer qualquer referência à minha contribuição, anónima e gratuita, para a feitura e para o êxito deste blogue. Por isso, qualquer dia invento uma tese de que estou, aqui, a ser maltratado, escrevo-a em português o mais escorreito possível e vou angariar uma entrevista à minha pessoa, a dizer mal do Delito de Opinião, que, além disso, terá andado envolvido numa conspiração para não eleger o Menezes…
    Numa altura destas, não se pode esquecer a colaboração dos comentadores, anónimos ou não. Será que só servimos para encher chouriços?

  7. Caro Pedro,
    obrigado por este texto! Obviamente não tem nada de mal ser bloguista, ter filiação partidária, fazer campanha, trabalhar para o governo. Bem o mal pode ter o que se lá faz. Trabalhou para o Relvas, enfim, como eles, mas acredito sinceramente que não participou nas campanhas sujas.

    1. Caro Lutz, anos de exposição pública – dia a dia – na blogosfera, sempre com assinatura, deixam rasto, permitem criar um perfil evidente aos olhos de qualquer leitor que saiba ler. Esse perfil existe – e de algum modo este blogue é o espelho dele.
      Um abraço.

  8. Ainda bem que puseste os pontos nos ii. Como tua amiga e colega de profissão apetece-me também dizer, para que conste, que ao contrário de muitos “jornalistas no activo” nem sequer escrevias na secção de política nacional do jornal onde trabalhavas quando publicavas as tuas opiniões no blogue que a entrevista da Visão refere. O teu comportamento sempre se pautou por uma rectidão que muito admiro e que sei que te é reconhecida por todos os que te conhecem bem, incluindo políticos dos mais diversos quadrantes.

    1. Obrigado pelas tuas palavras, Teresa. Nem referi isso por me parecer escusado, mas não fica mal lembrá-lo. E provavelmente terei mesmo de falar disso noutro texto, se for necessário.
      Um beijo muito grande.

  9. Pedro, eu não o conhecia antes da blogosfera (a si e a outros nomes, por ignorância minha, falta de tempo para ler a imprensa, seja lá o que for) mas gosto de o ler, a sua escrita prende-me. Tirando a posição face ao AO, se bem que perceba mt bem a sua recusa- e a de muitos – depois de se entrar um pouco mais a sério e a fundo nas dificuldades tolas da hifenização, sobretudo, a verdade é que até acho que temos coisas em comum – salvaguardando as devidas distâncias, não sou jornalista, sou uma mera professora de Inglês, vivo na “província” e outras coisas mais que não me dão credibilidade nenhuma pública, de todo. 🙂
    Onde acho que temos pontos em comum? Bom, naquilo que o conheço da blogosfera, parece-me que se pauta por uma certa independência de espírito que também cultivo e aprecio. E abertura, até. As posições políticas partidárias dividem quando se mostra a bandeira mas curiosamente podem ser completamente impercetíveis nas questões essenciais – liberdade, respeito pelos direitos humanos, humanismo, tolerância, ausência de xenofobia, gosto pela cultura, valores, afinal. Tenho votado sempre à esquerda, no plano nacional não creio que o vá mudar nunca, mas caminho para um apartidarismo concetual, passo a expressão, que reflete a minha incapacidade em ser membro filiado de qualquer coisa – sou demasiado independente para isso. De economia percebo pouco ou nada, e acho que temos tido, desde há bastante tempo, governantes e políticos inenarráveis, o estado de coisas ultimamente agravou-se ao ponto de criar problemas profundos e infelicidades várias (também não gosto do bota abaixo constante dos portugueses e a ideia de que não há políticos bons, acho é que os medíocres, infelizmente, triunfam sobre os bons, e não só na política). Bom, o discurso vai longo e a ideia é: eu gosto de ler o Pedro Correia, o Daniel Oliveira (é inteligentíssimo, interessante e independente, porque o é, recebe inexplicáveis ataques nas suas caixas de comentários do pior possível), gosto de ler o Sérgio Lavos, gosto – adoro – ler a Helena Sacadura Cabral (tão sábia, tão serena, tão positiva), gosto de ler a F. Câncio, muitas vezes, o Pedro Rolo Duarte (que me parece pensar completamente por cabeça própria, também), a Helena Ferro de Gouveia, imensa gente e jornalistas neste caso, e nem sempre temos que concordar. Interessa é vermos outros pontos de vista e aprendermos algo com eles. E há escritas que agarram, têm uma alma lá dentro. Dentro dos valores éticos que partilharei, as diferenças na perspetiva política partidária são o que menos interessará. Se os valores morais, éticos, sociais, contrastarem com os meus (que são fortes, admito) aí nem pensar. Não leio, ou a ler, não gosto.
    Posto isto, gente medíocre há em todos os partidos, em todos os setores e em toda a blogosfera. E o contrário, graças a deus, também há. Haja tempo para selecionarmos quem nos apazigua, informa, diverte, toca, desperta e faz evoluir, mesmo na diversidade dos contrastes. Ou, porque gostamos da geografia a oriente, precisamente por isso.
    Só para terminar, às vezes paga-se caro uma certa independência. Neste país, sobretudo, onde o espírito de carneirada é fomentado sob uma falsa forma, muitas vezes, de solidariedade coletiva. Gosto de pessoas humanas, compreensivas, tolerantes e responsáveis, mas gosto de quem pensa pela própria cabeça. Gostei de ler.
    Bom fim de semana que aí vem 🙂

    1. Minha cara AE: muito lhe agradeço estas linhas e o persistente incentivo que, enquanto comentadora, tem dado a este projecto, prestes a fazer cinco anos. Um projecto que só faz sentido precisamente para leitores assim. Estejamos de acordo ou em desacordo. Porque a verdade é que aprendemos muito com quem discorda de nós.
      Volte sempre.

  10. Caro Pedro,

    Eu lembro-me bem desses tempos de “ascensão” do PPC à liderança do PSD e do apoio (maciço!) que o mesmo teve nos blogues (é engraçada a menção ao Albergue Espanhol, quando a corrente pro-PPC foi particularmente forte no Corta-Fitas, levando – após o que me pareceu um putsch interno – à saída de uma pessoa que na altura até era assessora de comunicação ou coisa do género do PPC e que entretanto desapareceu da circulação.

    Eu, como manifesto apreciador da MFL e manifesto “depreciador” de PPC defendi algumas vezes o contrário em caixas de comentários mas, tirando alguns casos gritantes (com o FMS ou o CAA) nunca achei que houvesse “partidirite aguda”, i.e., as pessoas acreditavam piamente que PPC era a melhor solução. A maioria dessas pessoas, com a passagem natural do tempo e a entrada deste Governo, passou a assumir uma posição mais crítica o que apenas demonstra a sua independência. Há, obviamente, resquícios: o JM no Blasfémias ou a MTA no Corta-Fitas são absolutamente e cegamente pró-Governo.

    A “estratégia” de PPC de aproximação aos blogues foi bem executada? Foi e é preciso admiti-lo. De certa forma entre isso e o Corporações, alguma “inocência” dos blogues como espaços livres de opinião perdeu-se e perderam – acho – entre muitos bloguistas uma concepção algo onírica e sebastianista de uma “nova política” (encarnada por PPC mais à direita). É bom que assim seja e, quanto ao Delito, apenas lhe e a todos os seus colaboradores dar os parabéns por ser, de facto, um blog colectivo à moda antiga. Onde contam as opiniões pessoais de cada um, como deve de ser.

    1. Caro Carlos:
      Agradeço-lhe a reflexão e o enquadramento que aqui traz. E agradeço sobretudo as palavras elogiosas que dedica ao Delito.
      Concordo consigo de que a estratégia do actual primeiro-ministro aos blogues foi bem sucedida. De algum modo, a “vitória” de Passos Coelho na blogosfera prenunciou a sua vitória nas urnas.
      Isto sucedeu por mérito de Passos, muito por demérito da governação Sócrates e – numa percentagem claramente inferior, mas não desprezável – pelo efeito de mobilização causado pelos blogues e amplificado a partir daí nos meios de informação tradicionais, para onde muitos bloguistas se transferiram nessa altura como comentadores, arejando a opinião que viveu nas três décadas anteriores dominada pelas mesmas figuras.
      Nessaa altura, recorde-se, a blogosfera estava muito dividida. À esquerda, entre pró-Sócrates e anti-Sócrates; mas também, mais à direita, entre pró-Passos e anti-Passos. E os blogues funcionaram sobretudo como viveiros de uma nova geração de colunistas e comentadores. Precisamente a geração que está aí agora, por todo o lado, em jornais, rádios e televisões.
      Isso sim, foi uma novidade enorme no debate político português. A notícia foi esta, a notícia é esta. Dá para uma tese, dá para cem teses se for preciso.

      Um abraço.

  11. A seguir, Pedro, há que explicar porque é que o pato grasna e o burro escoiceia. O rancoroso tende a projectar nos outros a causa das suas frutrações, o que sendo patético é por vezes incomodativo. Ou calunioso. Mas pior é o rancor servir de conduto aos lorpas que lhe dão voz. Ao menos usavas luvas higiénicas quando tiveste que lancetar este furúnculo?

  12. Bem,
    eu no mínimo aconselhava-o a escolher melhor as companhias…
    Assim como os apoios.

    Cumps.

    António Vaz Tomé

  13. Tenho que concordar que, na campanha (orquestrada ou não) porca e desonesta que foi feita para derrubar Sócrates, o Pedro Correia tomou, pelo menos neste blogue (os outros em que ele escreve ou escreveu não leio nem li), uma parte relativamente menor e relativamente menos desonesta.
    Mas o que fica pessimamente mal é jornalistas como ele tomarem parte em tais campanhas. E ainda fica muitíssimo pior quando, elas concluídas, passam a fazer parte do governo, como o Pedro Correia passou (ser assessor é para mim ser parte do governo). Porque ser jornalista e tomar parte ativa no jogo político ou, ainda pior, fazer parte do governo são, para mim, coisas incompatíveis.
    Ou se está de um lado, ou do outro.
    Desta forma, o Pedro colaborou para sujar ainda mais a profissão de jornalista (a qual, a meu ver, está em Portugal ao nível da de prostituta).

    1. Nunca estive em “dois lados”. Fui jornalista, deixei de ser jornalista. Enquanto jornalista, expressei sempre como quis e onde quis a minha opinião – era o que faltava os jornalistas, que são a garantia primeira e última da liberdade de expressão, verem eles próprios condicionados este direitos fundamental, consagrado na Constituição da República.
      Emitir opinião não equivale a “participar em campanhas”. Só mentes tontas ou “sujas”, para usar a sua expressão, podem pensar isso. Deriva de uma visão conspirativa da política, cheia de “inimigos” por todo o lado, que não resiste ao mais elementar confronto com a realidade.
      A política é uma actividade nobre, essencial em qualquer sociedade. As excepções a esta regra são isso mesmo: excepções.
      A condenação da política como actividade “suja” é meio caminho andado para acolher o primeiro ditador populista, “antipolíticos”, que nos surja pela frente.
      Escrevi e escrevo sobre o quem muito bem me apetece. Durante anos, mantive colunas de opinião nos jornais onde trabalhei: sempre assim foi durante 30 anos. E o que escrevi em blogues sobre a campanha legislativa de 2009, no exercício desse direito constitucional, em nada se confundia com a minha actividade no diário onde trabalhava, e no qual desempenhava as funções de editor da secção internacional.
      Conflito de interesses? Zero.
      Qualificar os jornalistas de “prostitutas” diz tudo sobre o nível da sua argumentação e a sua incapacidade de participar num diálogo civilizado. Mais: desqualifica quem profere essa atoarda, não os supostos destinatários. Talvez lhe custe entender isto, mas é mesmo assim. Eu, se soubesse qual é a sua profissão (algo que não me interessa minimamente), jamais a qualificaria desse modo.

  14. O texto está à altura da qualidade que é padrão do Pedro Correia, conquanto seja meu entendimento que os blogues não se estruturam a partir de um universo de ingénuos e santos sem ambições políticas e inevitavelmente sociais. Basta estar atento a certos círculos da sociedade, predominantemente dominados por blogosféricos que dilataram o exército de transformação de autores de blogue em vedetas dos comentários nos écrans da TV – do eixo do bem ao eixo do mal. Ou os convidados da SIC e da TVI.
    No respeito pela tradição portuguesa, e por esse histórico amparo da cunha, é inaceitável aceitar o postulado de que, por pureza, a blogosfera nacional é o paraíso, sem belzebu e sem cunha para mais nenhum.
    Se, partindo da blogosfera , a forma de itinerário até meios de liderança da opinião pública tem praticamente contornos comuns, o mesmo não sucede no que respeita ao desfecho: capacidades e desempenhos nos comentários públicos. Comparar o Prof. José Adelino Maltez com o Pedro Marques Lopes, por exemplo, ou outros pares distanciados dentro de idêntica amplitude da escala qualitativa, é o mesmo que comparar o arco da Rua Augusta com a vala do buraco do esgoto.
    Igualmente lhe manifesto profundas reservas quanto à escolha de Fernando Nobre para PR – penso que aí o Pedro Correia está equivocado. Basta analisar a composição dos órgãos sociais da AMI, os vencimentos auferidos por estes e as fontes de financiamento (o Estado Português em primeiro lugar, laboratórios a seguir) para se entender com verdade e justiça que Nobre é um logro. É aconselhável consultar as contas da AMI e os resultados objectivos dessa organização.
    Com sinceridade,
    Carlos Fonseca

    1. Com sinceridade lhe digo também, Carlos, que este seu texto na presente caixa de comentários nem parece escrito pela mesma pessoa que assina este:
      http://www.solossemensaio.blogspot.pt/2013/11/uma-mensagem-para-o-fernando-moreira-de.html

      Chega você aqui, sem eu nada lhe pedir, a elogiar-me o “texto que está à altura da qualidade” que diz ser meu “padrão”. Lá, em sua casa, no mesmíssimo dia, brinda-me com estas palavras gentis: “Em descabelado assomo de vaidade, e respondendo nos ‘posts’ apenas a comentários de amigos e conhecidos, considera[m]-se membro[s] de uma elite predestinada.”
      Notável equívoco, o seu.
      Se há coisa que todos sabem, lendo minuciosamente este blogue de há cinco anos para cá, ou qualquer outro em que tenha participado, é que nunca deixo de responder seja a quem for. Amigo, inimigo, conhecido, desconhecido. ‘Quod erat demonstrandum’.
      Sobre o resto – nomeadamente a discrepância de tom entre os dois textos, o que joga em casa e o que joga fora – nem vale a pena dizer mais nada. Muito menos devolver-lhe os mimos com que lá me brinda. Os leitores que avaliem, se quiserem dar-se a esse incómodo.

      1. Primeiro, acho que, concordando ou discordando, o Pedro Correia escreve bem. Esta é uma opinião sobre o formato que não renego.
        No aspecto mais profundo, o conteúdo, se me merecia reservas, fiquei mais tarde em poder de informações que me levaram a fazer um juízo de valor que, de, facto, nunca lhe pode ser favorável – omitiu o nome do órgão de comunicação (a ‘Visão’) e do visado.
        Mas também lhe digo mais: a independência de quem integra a comunicação social (e eu já a integrei na ‘Capital’) deve levar a distanciamento da ambição de acesso a lugares políticos, segundo regras de ética e neutralidade que o Pedro Correia, como muitos mais, não podem reclamar ter cumprido. Chocou-o a comparação entre o Prof. Maltez e PML ? Julgou-me caluniador a propósito do Nobre de quem se confessou apoiante?
        Sempre fui assim e já não tenho idade para aturar ocas vaidades, nem medo de quem julga poder intimidar-me. Quem quiser pode sempre recorrer aos tribunais. Encarregar-me-ei de provar as verdades. Seja quem for e o ‘Albergue’ que lhe tenha servido de desmerecido abrigo, dos muitos que nós contribuintes sustentamos à força de leis iníquas e dos garotos que nos têm governado, incluindo aquele que o Pedro ajudou a impulsionar.

        1. Suponho que o “Anónimo” com quem estou a dialogar é o Carlos Fonseca que aparece mais acima. Sinceramente, não me chocou nenhuma comparação que possa ter feito: tem todo o direito de a fazer. Tem também todo o direito de emitir as opiniões que entender a propósito de Fernando Nobre mas há que respeitar a verdade factual: eu não o apoiei, nem deixei de apoiar, para a Presidência da República. O que fiz, e aproveitei para assinalar ‘en passant’ no texto que deu origem a esta série de comentários, foi tê-lo incluído numa série do Albergue Espanhol sobre possíveis candidatos presidenciais – acontece que, neste caso, a hipótese se tornou verdade. Só isso.
          Não apoiei Cavaco Silva, aliás criticado duramente por mim no blogue. Estão aí diversos textos para confirmar.
          Diz você, ferindo a minha modéstia, que eu “ajudei a impulsionar” o actual PM ao poder. Há-de explicar-me que textos meus tanto contribuíram para isso: ficar-lhe-ia grato que me apontasse um. Apenas um. Enquanto isso não acontece, meu caro, permita que lhe diga sem qualquer espécie de ironia que quem
          “impulsionou” Passos Coelho foi o eleitorado que, bem ou mal, votou nele. Esta é a regra de ouro de um sistema democrático.
          Um blogue é um blogue. O Albergue Espanhol, na generalidade, apoiava o PSD. Houve blogues a apoiar Sócrates e o PS. Outros a apoiar Portas e o CDS. Houve blogues conotados com o BE e com o PCP. Qual o problema? Isto são demonstrações de vitalidade democrática. Lá fora sucede o mesmo. Só mentes tortuosas podem ver nisto uma máquina conspirativa ou algo do género.
          No Delito, como já sublinhei e é patente a qualquer um, houve e há opiniões de todo o género. Não conheço blogue menos monolítico que este. Isto tem que funcionar a meu crédito. Ou acha que não?
          Quanto à minha isenção jornalística, lamento contrariá-lo. Em 30 anos de profissão, ninguém a pôs seriamente em causa e agora já é tarde para o fazer.

          Não me diga é que os jornalistas, pelo facto de o serem, não podem abraçar causas ou cargos políticos. Ministros, deputados na Assembleia da República ou no Parlamento Europeu, secretários de Estado, dirigentes partidários foram ou são jornalistas. Miguel Portas, formado em Economia, foi jornalista. Paulo Portas, líder do CDS, teve o jornalismo como única profissão. Ainda há dias vi sentados na bancada parlamentar do PS três ex-jornalistas.
          Recordo de tempos mais recuados o Dr. Raul Rêgo, ilustre figura do PS que foi simultaneamente deputado e director de jornal. Ou o dr. Balsemão, fundador e presidente do PSD, vice-primeiro-ministro e chefe do Governo, que foi também director de jornal.
          Os exemplos são quase intermináveis. Mas estes bastam.

          (E como se comprova você não tinha razão ao escrever que eu não respondo aos comentários. Gosto é de responder com o tempo mínimo de reflexão que todos os leitores me merecem, concordem comigo ou discordem de mim. Essa é uma prova de consideração que vos devo. A si também.)

  15. Caro Pedro Correia, aposto que “aquilo” é malta que não aprecia um bom almoço e não entende o prazer duma boa conversa/amizade pós-prandial. Espero que tenham a pachorra e a amabilidade de me poderem aturar no próximo…e olhe, sempre por bom caminho ( o seu ) e segue !! ( aqui o sapinho e que não me calha tão bem, mas noblesse oblige…)

  16. Pedro
    Sabes que faço parte desse grupo de “gente que nunca teve nem quer ter grupo nenhum”. Isso não significa que condene ou deixe de considerar quem veste camisolas com entusiasmo e por elas se bate, mesmo que sejam camisolas que eu nunca vestiria. Pelo contrário, admiro quem o faz e assim se sujeita bravamente a críticas, justas ou injustas. A única distinção que faço – e que, para mim, separa as águas da honestidade e do carácter – é entre quem dá a cara e quem se esconde em cobardes mas muito convenientes anonimatos, quem assina por baixo o que escreve/diz e quem é incapaz de o fazer (sobretudo quando as coisas deixam de correr de feição), enfim, entre a integridade e a baixeza. Sobre ti não tenho qualquer dúvida neste capítulo, nunca tive. Não precisavas de ter escrito este texto. Qualquer pessoa que se interesse honestamente por conhecer-te saberá facilmente quem és, o que fazes e o que pensas, a clareza das tuas posições é pública e assumida. Assim tem sido desde que te conheço há anos, primeiro na blogosfera e depois na vida real.
    Dito isto, não li a entrevista nem vou lê-la. Não dou tempo de antena a vómitos de ressentimento e vinganças pessoais, mascaradas de cruzadas pela verdade. Que há jogo sujo na política – em todos os quadrantes – não é novidade para ninguém. Que a política se socorre de todos os meios ao seu alcance para que esse jogo sujo dê frutos, e nesses meios estão incluídos os blogues e as redes sociais (que permitem, ainda por cima, o anonimato e a multiplicação de falsas identidades), também não. O lodaçal é grande e assustadoramente crescente, mas não é verdade que a bitola sirva para todos sem excepção. Preservo ciosamente a minha crença na humanidade distinguindo quem me merece esse título. E tu estás, evidentemente, entre aqueles que me fazem ainda acreditar nela.

  17. Há anos que embarcaste em lutas de fundo como o direito de cada um pertencer ao clube que muito bem entender e de expressar o que pensa onde bem quiser no quadro de uma diversidade democrática que continua infelizmente um desejo. Em todo esse trajecto nunca te vi escondido. Não deves nada a ninguém. Um abraço amigo.

    1. Tu bem me conheces, de há longos anos, e sabes que nunca mandei dizer por outros: disse sempre o que pensava. Assinando por baixo. Ou por cima.
      Um abraço amigo, Fernando.

  18. Caro PC

    portuguesmente falando:

    ” Os cães ladram e a caravana passa”.

    Só um país de medíocres e “virgens” se entretém com estas merdices…

    1. Entretanto há já uma “interpretação autêntica” da referida peça jornalística, caro AM. Quem quiser poderá encontrá-la nesta hiperligação:
      aventar.eu/2013/11/14/a-comunicacao-politica-digital-a-entrevista-1/#more-1207439

      Na parte que me toca, vem ao encontro do que escrevi aqui.

  19. Meu caro Pedro,

    O assinar por baixo faz toda a diferença. E o não ter de apagar ou rasurar nada, ainda mais. O resto vem no Freud, aliás um enorme escritor para lá do divã em que tanta gente aprecia deitar-se sem saber nunca se de lado, de frente ou de pança para cima.

    Abraço amigo do

    João Gonçalves

  20. Boas Pedro Correia
    Não se incomode.
    Tal como já deu a entender, escreveu o que pensava ser certo, lutou contra aquilo que achava que estava mal e deu a cara ou os dedos às teclas por aquilo em que acreditava. Eu sou assim, às vezes sofro desilusões, mas fico de consciência tranquila.
    Não me chocou a entrevista na Visão, não participei nos blogues citados nos moldes que pelos vistos o Fernando Moreira de Sá diz que muitos participaram, mas também acredito que muitos que assim agiram fizeram-no de boa-fé e outros talvez por interesse, mas não deixa de ser interessante haver periscópios acima da linha do horizonte a denunciar o que vai submerso no mar da blogosfera. Um abraço

  21. Confesso, meu caro Pedro Correia, que quando li a entrevista que deu origem aos presentes autos, fiquei atónito. Tendo sido eu um dos co-fundadores do DO – de que me afastei por questões meramente pessoais – não me revi minimamente no que a entrevista dizia. Posso assegurar que da tua parte e de todos aqueles que regularmente alimentavam este blogue, nunca houve qualquer tentação manipuladora da opinião pública em favor ou desfavor de quem quer que fosse, o que, desde logo, é confirmado pelo facto de haver na equipa pessoas de todos os quadrantes ideológicos, até mesmo da linha que, agora, se diz que era para combater. Dito isto, escusado será dizer que nem eu próprio estava envolvido nessa sugerida trama. Fica com um abraço, extensivo a todos os delinquentes de quem tenho saudades. De todos.

    1. Meu caro Joaquim:

      Como sublinhas, e sabes bem do que falas, nunca houve no Delito “qualquer tentação manipuladora da opinião pública em favor ou desfavor de quem quer que fosse, o que, desde logo, é confirmado pelo facto de haver na equipa pessoas de todos os quadrantes ideológicos, até mesmo da linha que, agora, se diz que era para combater”.
      Sendo o Delito o blogue com a difusão e a popularidade que tem, desde os primeiros dias, como é que uma operação “manipulatória” envolvendo blogues em que eu estivesse envolvido poderia dispensá-lo? Pelo contrário: este projecto é a prova viva de que, na parte que me diz respeito, essa tese não tem o menor cabimento.
      Dito isto, resta acrescentar o óbvio: esta casa continua a ser tua e regressarás a ela no dia em que o entenderes fazer.

      Abraço amigo

  22. Isto é grave. Foi o que senti imediatamente após ler a entrevista da Visão.
    Se não é grave, peço humildemente que que alguém me explique, como se explica as criancinhas, como pode alguém fazer acusações destas, afirmar que tem provas, apontar nomes e tornar isso publico numa revista que é lida (grosso modo)por toda a população e agora isto fica assim, sem se apurar o que realmente se passa. Uma revista de mexerico do jet7 tuga, que toda a gente, mesmo que não compre, lê, na banca ou na WEB,(todos sabemos perfeitamente que este povo adora mexericos) veicula estas acusações contra pessoas de grande responsabilidade social. Um fulano que diz que não tem medo de ninguém, diz que tem provas; deixando em mim e creio que em qualquer pessoa que o ler, a ideia de que fala a verdade, o que nos remete todos para a hipótese de ser mesmo verdade, que a ser, independentemente do quão poderosas são realmente estas ferramentas, o facto é que o Srº Pedro e outros colegas são apontados como gajos a trabalhar para um qualquer partido politico, e que são recompensados por esse trabalho com cargos públicos. Para quem segue os suas partilhas na blogos-féra(e eu já sigo à algum tempo) acredita na sua defesa, que aqui apresenta.
    Só me resta uma pergunta: Vai levar o caso à justiça? (Eu levava)

  23. Pedro, não li a entrevista, logo nem deveria deixar aqui comentário. Mas conheço-te, logo devo deixar comentário embora nada seja necessário acrescentar ao que colegas do DO e os comentadores já disseram. Abraço-te.

  24. Posso dizer – não sei se impropriamente – que te reconheço aqui.
    <>Bravô!</i>. Que a pena não te doa.
    Invejo-te, tens uma profissão onde (leia-se bem o paradoxo) não há censura profissional.
    Já vou tarde para mudar.

  25. Caro Pedro,

    Sempre o li com grande admiração. Do que li em Delito de Opinião sempre mostrou ser uma pessoa moderada em todos os seus comentários. E, mesmo tendo passado pelo gabinete do PM–desconhecia tal facto– penso que foi sempre íntegro e moderado nas suas posições.

    Hoje leio-o com menos regularidade por força das circunstâncias– decidi emigrar para manter vivos os meus sonhos. Para manter uma certa ligação umbilical com as pessoas amigas (e família) que já me seguiam nos outros lugares onde escrevi (no Sapo como Faust Von Goethe por questões profissionais), decidi criar (mais um blogue) que irá apenas durar enquanto estiver emigrado por cá.

    Curiosamente, ontem num pequeno texto em que critiquei de forma mordaz fiz um pouco de humor sobre as pessoas que não precisam de emigrar– as que querem fazer carreira da política como o caso do Fernando que deu a entrevista à visão. O texto pode ser lido aqui:
    http://nelsonfaustinopt.wordpress.com/2013/11/15/o-chauvinismo-da-emigracao/

    Embora o meu ataque cínica seja mais direccionado a ele e a toda a classe que tenta sobreviver de forma parasitária dos partidos, gostava desde já salientar que em momento algum quis atacar diretamente o Pedro e os restantes, muitos dos quais que nunca li sequer.

    Cumprimentos,
    Nelson

    1. Agradeço-lhe estas palavras, caro Nelson. Acompanharei com interesse o seu novo blogue e só posso desejar-lhe tudo de bom nesta nova etapa de vida. Felimente nós, portugueses, temos o condão de fazer do mundo inteiro a nossa casa. Como já dizia – em palavras que eu jamais saberia exprimir – o grande Padre António Vieira, talvez o primeiro cidadão luso-brasileiro de sempre.

      Um forte abraço.

  26. Caro Pedro,
    Como diz o ditado: “quem não deve não teme”.
    Fez muito bem em esclarecer e postar aqui este texto, se bem que para muitos, como eu, que o lêem há já muito, nada faz duvidar da sua integridade.
    O Pedro faz falta à blogosfera lusa e não será a vaidade e fome de protagonismo de alguém que irá o ofuscar ou beliscar.
    Força e um forte abraço

  27. Julgo que a referencia não desmerece e que a sua postura é apreciada e conhecida.
    Claro que seja nos media ou web se conhece a influencia que se notou na nomeação e depois eleição dos primeiros ministros ingleses, Camarão, Blair e outros como denunciado nas investigações contra o Murdochk. Não é novidade e cada vez vai ser a luta pelo controle mais sofisticada; no ambito da tese não vejo razão para se sentir entristecido,pois quem o conhece aprecia a sua transparencia.

    1. Assumo tudo quanto escrevi até hoje, dia após dia, ao longo destes sete anos que levo de escrita em vários blogues. Quem quiser pode escrutinar cada texto, cada linha. Não retiro nada.
      Mas não posso aceitar que me imputem acções em que não participei e das quais me demarco sem sombra de dúvida. O meu estilo não é esse. Nunca foi nem será.
      O que fiz foi escrever, assinando por baixo, exercendo o meu direito de cidadania, sem delitos de opinião. E já é muito.

      Agradeço as suas palavras, Cristof.

  28. Cobardes mascarados de espertos é a principal característica que define o carácter da face do poder deste país.
    As redes sociais que tem poder para mobilizar milhares de pessoas para uma manifestação são as mesmas que tem poder para influenciar a opinião publica sobre qualquer alvo que apontem. As praticas que foram denunciadas são uma realidade possível na era digital, é pura hipocrisia não querer admitir isso.
    Contudo não é grave assumir uma posição e trabalhar com convicção num qualquer objectivo, desde que o faça honestamente, principalmente no que diz respeito a eleger governos – porque é um exercício de democracia. Não é democracia quando somos enganados por uma maquina partidária manhosa. Merda para vocês todos, vem para aqui defender este aquele e o outro, quando passam o tempo, aqui no DO a tocar no lado humano e justo dos temas que abordam. Até sou capaz de acreditar na inocência do Sº Pedro, mas muito me espanta que ninguém sequer considere a hipótese dos partidos andarem a usar estas ferramentas duma forma reles, baixa e sem escrúpulos e até ilegal, como meio de atingir determinado fim. Se isto é democracia, vou ali e já venho.

  29. Passo por cá só para te deixar um forte abraço, Pedro. O teu texto é claro e faz luz sobre uma evidência. Há gente que se coloca a si própria um degrau abaixo do nível dos idiotas úteis. Falo, obviamente, dos idiotas inúteis. Os que se prestam a serem usados e sem que tenham qualquer relevância ficam convencidos de que contribuíram de forma decisiva para determinado desfecho. Uma espécie de loiras burras com a desvantagem de nem sequer serem loiras.

  30. Pedro, comecei a seguir a sua escrita aqui no DO desde aquele post da foto encontrada na máquina do seu avô, que me comoveu imenso.
    Guardo as melhores recordações das nossas conversas virtuais sobre livros, filmes, música.
    Foi um privilégio acompanhar a arrumação da sua biblioteca.
    Não me interessa nada o partido a que pertencem as pessoas, mas sim o que as pessoas são.
    É por isso que, embora eu não seja ninguém, lhe dou o meu voto de confiança nesta ‘eleição’.
    Um abraço.
    Antonieta

    1. Muito lhe agradeço os diálogos que temos mantido tantas vezes nestas caixas de comentários, Antonieta. E, naturalmente, também o que agora me diz com a gentileza de sempre.
      Que estes diálogos prossigam, tal como até aqui, são os meus votos.

  31. Pedro,

    só hoje li a dita entrevista. Aquilo cheira-me a “dor de cotovelo”, muito em voga na nossa sociedade.
    Quem te conhece como eu, vai para mais de trinta
    anos, sabe da certeza absoluta de que jamais entrarias em qualquer jogo político.
    Por ti e pela tua integridade poria as mãos no lume.
    Um abraço amigo!

  32. Era só para deixar um abraço. E para deixar expressa a minha convicção de que o Pedro não é apenas dos mais activos e categorizados blogers. É o mais respeitado!

  33. Só agora é que vi este longo mas elucidativo post. A tal entrevista da Visão deixou-me muito surpreendido no ponto em que fala do Pedro Correia, porque com mais ou menos simpatias por este ou aquele movimento político, nunca o vi a prostrar-se aos pés do actual governo (como se comprova pela série “gorduras de Estado”). Para se vir expor em público a contar uma coisa daquelas só mesmo por uma enorme carga de mitomania e vaidade pessoal inconsciente e infantil.

    1. A rectificação logo feita pelo autor das declaraçoes, somada ao meu desmentido categórico que a Visão publicou, de forma irrepreensível, na edição seguinte deixam tudo bem claro. Qualquer insistencia no tema, pela parte que me diz respeito, será dirimida em tribunal. Creio, apesar de tudo, que ainda não atingimos o ponto da inversão do ónus da prova, caro João Pedro: isso constituiria a negação de um principio básico do Estado de direito. Não reclamo para mim nada que não faça questão de reconhecer aos outros, o tempo todo: o direito ao bom nome.
      Um abraço deste colega de vários anos das lides blogosféricas, seu leitor atento.

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