
Foto: Manuel de Almeida / Lusa
Há cinco anos, Jorge Jesus chegou ao termo da relação contratual que mantinha com o Benfica: a entidade patronal decidiu não lhe renovar o vínculo apesar de se ter sagrado campeão nacional de futebol. Em articulação estreita com Jorge Mendes, empresário do treinador, “ofereceu-lhe” um longínquo desterro no emirado do Catar que culminaria numa hipotética transferência para o PSG – tudo à revelia do técnico, apanhado de surpresa neste fim de linha quando pretendia permanecer na Luz.
Sabe-se o que aconteceu depois. Jesus recusou o emirado e atravessou a Segunda Circular, convidado por Bruno de Carvalho para treinar o Sporting. Vieira, furioso, declarou guerra ao seu “melhor amigo”. O treinador e a sua equipa técnica foram impedidos de entrar nas instalações do Seixal para esvaziarem os cacifos com os seus pertences, a fotografia de Jesus no bicampeonato foi de imediato retirada da “megaloja” benfiquista e logo os papagaios tarefeiros (incluindo um fulano que é agora deputado) começaram a denegri-lo serão após serão nas pantalhas onde lhes dão tempo de antena.
Valeu de tudo. Acusaram-no de roubar software do clube em benefício do Sporting, negaram-lhe o pagamento do último salário na Luz e moveram-lhe até um processo-crime exigindo uma inédita indemnização de 14 milhões de euros por supostos prejuízos jamais confirmados, sempre com o incentivo nada desinteressado dos cartilheiros de turno, especialistas em danos reputacionais.
A 7 de Setembro de 2016, em entrevista à TVI, Vieira foi peremptório: «Jorge Jesus não serve para este Benfica.»
Pois o indivíduo que há cinco anos colocou os patins a Jorge Jesus e atiçou a matilha contra ele é o mesmo que agora, acossado por uma sucessão de escândalos judiciais e vergado a uma humilhante derrota em recente assembleia geral, vai buscar o treinador ao Rio de Janeiro, como se fosse mordomo dele, e lhe oferece boleia em jacto privado, prontificando-se a pagar pelo menos 25 milhões de euros só para o trazer de volta e prometendo-lhe «o maior investimento da história do Benfica». Ridicularizando o administrador financeiro da SAD benfiquista, que em recentes declarações avisara: «Provavelmente haverá uma travagem em termos de investimento, admito que haja uma redução, este ano investimos cerca de €60 milhões.»
O motivo é só um: daqui a três meses haverá eleições no clube. Vieira, presidente desde 2003 e tendo visto fugir para o FC Porto o segundo campeonato em três anos, está apavorado com a hipótese de ser chumbado nas urnas.
Até onde chega o desespero. E, sobretudo, até onde chega a absoluta falta de vergonha.
ADENDA: «O que passou-se?». Bruno Vieira Amaral escreve sobre o tema na Tribuna Expresso.

No surprise there . Nem um nem outro —nem o clube— primam pela nobreza de carácter
Vale tudo. Com os papagaios amestrados em contínuos exercícios de contorcionismo nas televisões que lhes dão guarida.
Já “amaram” Jesus, já “odiaram” Jesus, agora estão prontos a “amar” Jesus outra vez.
por outro lado, há aqueles que odiaram jesus, amaram jesus, e agora estão pronto a odiar outra vez.
Há quem gaste caracteres a falar de carácter com a mesma apressada vontade de se juntar ao rebanho.
O Benfica é uma instituição nobre, transitoriamente dirigida por pessoas comuns, que podem ser um Borges Coutinho ou um Vale e Azevedo.
Confundir Portugal com um Miguel de Vasconcellos ou o Sporting com Bruno de Carvalho é um selo de desonestidade intelectual.
Houve um diplomata, salvo erro foi o Kissinger, que resumiu episódios deste tipo com uma tirada – “também temos de ter o nosso filho da p”$a”. Ou seja, numa luta na lama todos se sujam. Há é quem goste de se juntar à vara, está no seu elemento.
“No surprise there”
Honestidade intelectual? Vejamos. O clube não existe sem as pessoas. Ou seja, são as pessoas que fazem o clube e não o contrário. Os valores de uma instituição são valores actualizados pela prática social dos seus intervenientes. E que comportamentos e que tipo de linguagem observamos no momento actual? Chamaria a sua atenção para a recorrência e prevalência de truques retóricos como a vitimização (está na moda), a proclamação da grandeza universal em contraste com a “humildade” (uma bela treta), a arrogância e o boicote.
Mais, se as pessoas que o lideram e que o apoiam montam um esquema —um esquema tipo al qaida, com células em todo o lado, em que já nem é preciso dar instruções para jornalistas, video-árbitros (lembremos que para evitar o benfiquismo latente precisamos é de menos instâncias de decisão e não de mais), amigos, políticos, taxistas, vira-sardinhas e etc estarem sempre a falar do benfica mesmo quando se está a falar de outra coisa qualquer (como sistematicamente os jornalistas fazem nas conferências de imprensa de outros clubes) — e se isso por força da lógica não constitui um acto nem de desportivismo nem de nobreza de carácter… então parece-me um bocado complicado afirmar que o clube é nobre.
O que não implica, obviamente, que não existam pessoas nobre e honestas afectas ao clube, como provavelmente é o seu caso.
Caro,
os seus argumentos seriam válidos não fossem estar minados por um viés de preconceito, o que é bastante comum quando se fala em rivalidade desportiva.
Normalmente há a tendência para se falar de “os benfiquistas”, ou “os brasileiros”, partindo de uma imagem que identificamos como verdadeira porque a criamos a partir dela uma percepção distorcida da realidade.
“O Benfica” como associação não pode ser definido por más práticas esporádicas, e muito menos quando é alvo de uma campanha negra de propaganda sistemática.
Salvo o exemplo ser extremo, os Alemães da época nazi percepcionavam os judeus como uma sub-espécie humana, pessoas com hábitos irracionais, indignas de fazerem parte do sistema social da grande Alemanha, logo podiam ser “afastados” sem criar problemas de consciência. Era habitual em muitos lares alemães haver objectos como abat-jours e capas de livro feitas de pele de judeus exterminados nos campos de concentração.
Desde os anos 90 que existe um plano de certa forma bem sucedido, de criar um espírito segregacionista anti-Benfica, para os quais um dos grandes clubes foi instrumentalizado por outro.
Os grandes princípios da propaganda de Goebells foram sendo implementados com a conivência de uma CS instrumentalizada, o que aliás pode ser extrapolado para o que se vive actualmente no campo da influência politica.
I rest my case, é um assunto em que nunca poderei concordar.
O “Novo Normal” continua com o velho odor. A vergonha do Benfica só tem paralelo com a governação do país.
Jesus e Vieira, Cristina e Goucha, Centeno e Costa, e por aí adiante até ao estafado Marcelo.
E o país basbaque assiste inebriado, a horas e dias consecutivos, sem cessar por todas as vias, a estas novelas de cadastrados. vendilhões.
Estão bem um para o outro, no meio quem sofrerá mais será o Benfica e os seus sócios mas isso importa-me muito pouco a não ser que tenha de ser feita mais uma operação coração.
Esta é mais uma situação para distrair as pessoas e quem beneficia com isso é o habilidoso.
WW
Era esperado. Mais cedo ou mais tarde.
Nenhum treinador de jeito se quer meter aqui na Parvónia, onde até as Aves desistem de jogar.
Portanto, quando o dr. Vieira se viu apertado pelos resultados, virou-se para o único sítio que conhecia.
O Jesus já percebeu que o seu sonho de treinar uma equipa que lute pela Liga dos Campeões é um devaneio que só existe na sua cabeça e é empolada pelos mesmos que dizem que o Feliz vai ser o novo CR7. Portanto, mais vale regressar à sua zona de conforto, até porque tem consciência de que o Vieira está com eles presos, e lhe dará tudo o que quiser. Até pode trazer a advogada brasileira, que o LFV faz dela a directora de uma coisa qualquer.
Vai mamar uns milhões, vai ganhar coisas (porque vai), e pronto, reforma-se feliz da vida, como o Rei da aldeia.
Todos aqueles que se entreteram a difamar o homem após a sua saída, nem engolir em seco vão, porque a sua profissão é mesmo essa, falar o que lhes mandam.
O Costa quer a bazuca europeia, o Jesus tem uma bazuca brazuca .
Olhaí a bella tujures!!
Por falar nisso, deixo para avaliação do júri: Stine Oftedal .
Deixe lá azia, e mude a cassete, fale das festas sexuais da comporta,mas deixe o Benfica em paz.
Rui Santos
Quero lá saber das suas festas sexuais e com quem é que você se Comporta.
OK!!!
Admito que é uma boa resposta
Rui Santos
No mundo dos negócios, e o futebol actual é um negócio não há lugar a emoções, veja-se bem o exemplo na Fórmula 1, o Alonso fez. McLaren perder um campeonato, divulgando a espionagem efectuada por esta e chateou-se com director técnico, mas uns anos depois foi recontratado pela mesma equipa, pois está sentiu que era o piloto capaz de ajudar a equipa a atingir os objectivos. Nós negócios os sapos são mais fáceis de engolir
Este caso é mais Fórmula Zero…
Eu já comentei aqui há poucos dias que este episódio mostra que Vieira, tal como António Costa, é capaz das mais extraordinárias contorções de espinha para garantir a sua sobrevivência no cargo.
Este frenesim de Vieira cheira a desespero. Será que ele tem razões para temer a perda da protecção que a presidência do Benfica garante neste país?
Muito bom, Pedro
Presidentes de Clubes de Futebol a contradizerem-se e a utilizarem nomes e contratações milionárias para potenciarem as suas candidaturas ou recandidaturas. Onde é que isto já viu? Ainda bem que dedicou um post a este tema, senão ninguém se tinha apercebido desta situação inédita.
Ainda bem que se deu ao trabalho de aparecer aqui a comentar algo que lhe parece tão irrelevante.
Esta história mais a da Cristina, torna obrigatória a legalização da prostituição.