Olhar para Portugal e manter esse tesouro “inicial inteiro e limpo” por ser urgente ainda agora a Liberdade, uma outra forma de Liberdade ou várias liberdades. Como se a luta pelo melhor fosse infinita e, por isso, o que foi ontem ainda é hoje e podemos construir sempre mais e melhor.
Foi ontem a madrugada pela qual tantos esperaram. Foi ontem que as conversas em sussurro vieram para a rua em clamor, sem receios ou olhares de soslaio.
Foi ontem que capitães juntaram os homens para mudar o estado das coisas.
Foi ontem que Paulo de Carvalho cantou E Depois do Adeus de José Niza e José Calvário.
Foi ontem que as mulheres passaram a conseguir sair do país sem precisar de autorização do pai ou do marido.
Foi ontem que o poema de Sophia tatuou para sempre o que todos sentiam.
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo (*)
Foi ontem que a senhora dos cravos nos deu esse símbolo, mesmo que a história tenha várias versões.
Foi ontem que os estabelecimentos prisionais se abriram para deixar livre quem nunca deveria ter sido preso.
Foi ontem que se cantou Liberdade com a convicção de que o futuro seria melhor, seria nosso.
Foi ontem e foi agora mesmo, porque importa recordar o 25 de Abril, o que nos uniu, a razão para a luta.
*Sophia de Mello Breyner Andresen, in ‘O Nome das Coisas’

o 25 de Abril foi uma tragédia á escala global…marcou o inicio da nova expansão islamica!! atacaram o poder Católico no Planeta para promoverem o Império de Meca…
A Patrícia Reis não gosta que digam mal da expansão islâmica.
A liberdade para ela tem limites. Não censura mas ignora.
Ignorar é mais civilizado. Liberdade sim mas só para os que pensam
como ela.
O acento do a na frase ” á escala global” é grave e não agudo (à), por ser a contração do artigo com a preposição. Já a palavra início tem acento agudo na tónica. Não se deixe apanhar pela expansão islâmica e escreva o português correctamente. Se quer parar a expansão islâmica, siga os ensinamentos da Igreja, largue a net, e vá fazer filhos. Não se atrase.
à escala global?
não deve ser para mim, mas faça-me um favor, quando for para insultar esqueça, eu já fui fazer filhos
O comentário não era para si, nem para o que escreveu. Foi para responder ao comentário de tric.Lebanon. Julgo que era perceptível.
Julgo que apesar disso não insultei, ou, pelo menos, não foi essa a intenção.
Compreendo o seu texto. E escrito por uma mulher, ainda mais. Mas ao recordar esse ontem que invoca, pergunto-me se não será devido que resistamos a manifestações de incondicional louvor.
A democracia “de tipo ocidental” – na falta de melhor qualificação – que esse ontem nos trouxe (e afinal esteve, por bem pouco, para expressamente renegar; permanecendo aliás por estes dias bem próximo da esfera do poder, como há muito não estava, quem a renegue aberta e dogmaticamente) é um bem precioso. E recordo a felicidade, que o tempo mitigaria com a enorme, terrível, tragédia que a isso sempre estará ligada, de minha mãe (eu e meu irmão, ao tempo nesse momento meio difuso entre a infância e a adolescência), ao dizer e repetir, por esses dias, que “eles já não vão dar com os costados a África”.
Mas recordar esse ontem que aqui invoca sem lhe associar essa tragédia africana, sem invocar os excessos criminosos e mais que largamente impunes dos tempos do PREC: a colocação de armas “em boas mãos”, a invocação do Campo Pequeno para fins análogos à barbárie para que foi concebido – e que remetia para um tempo chileno quase simultâneo, ainda que de sinal contrário), a metódica devastação da agricultura, da indústria, da economia em geral, a substituição nas prisões de pessoas que, como escreve, nunca deveriam ter sido presas por outras que igualmente nunca deveriam ter sido presas e tanto mais que em muito e criminosamente ultrapassa o que generosamente se poderia chamar as dores de parto de uma democracia; recordar esse bom nome sem lhe associar o doloso e colossal desperdício de dinheiro, como nunca este país teve ou terá, para o nascimento e consolidação de uma classe de donos do regime que, tal é a sua venalidade e desfaçatez, faz desse tal punhado de famílias que mandava em Portugal, até 1974, um ingénuo grupo de meninos de coro, recordar esse ontem de forma tão romanticamente ingénua é uma simplificação das coisas e uma submissão tão assustadora e extraordinária como utilíssima ao politicamente correcto e à História dos vencedores.
Vencedores que estão muito longe de ser insuspeitos e puros exemplos desse “dia inicial inteiro e limpo”, tão citado e abusado.
Pagámos e pagamos muito caro – e suportando muita gente nada recomendável, mas intocável – o privilégio de viver em democracia. Formal, pelo menos.
Costa