
Crucificado, de El Greco (1541-1614)
À minha cabeceira o Cristo morre
de puro dó. Silenciosamente,
da cabeça, caída para a frente
um fio de sangue, ainda vivo, escorre.
Puseram-n’O ali como um remorso.
Não quiseram matá-Lo de uma vez,
pra m’O porem ali como um remorso.
Tem os olhos abertos. Tristes… tristes…
E a Sua boca quase que me fala,
como quem repreende meigamente.
Quando me vou deitar, já nem O olho.
Apago a minha vela bruscamente,
pra não ver os Seus olhos que me doem
como um remorso antigo.
Por que não ficou morto no Calvário,
apodrecendo aos Astros indiferentes?
Por que veio acabar para o meu quarto,
com estes olhos suaves que me acusam,
com estes lábios tristes que me pedem
que O não deixe morrer tão sem-razão?
Tem quase dois mil anos o meu quarto.
E em mais de mil das noites destes anos
eu apaguei a vela pra não ver
a agonia do Cristo, que me acusa.
Mas Ele rasga a escuridão da Noite.
Mas Ele rasga o sono em que me oculto
e vem, solto da cruz a que O prendi,
continuar, no fundo da minh’alma,
Seu estertor.
Seus olhos brilham mais, na escuridão,
Pra de todo morrer,
como que espera apenas o segundo
de eu Lhe pedir perdão.

era filho do Sr. Gama hoteleiro na Arrábida (Portinho)
Bem sei. A viúva do poeta, Joana Luísa da Gama, morreu em 2014, com 91 anos.
Devemos-lhe o tratamento muito cuidado – e consequente valorização – do espólio de Sebastião da Gama, incluindo a publicação de vários livros póstumos, em poesia e prosa.
andou na velha Fac. de Letras com um Amigo da minha família.
a Casa-Memória Joana Luísa e Sebastião da Gama não sei onde fica.
Em Azeitão, já lá estive.
Quantos hoje terão, indo por um momento além da ansiada expectativa da fruição de mais um feriado à sexta-feira (e de sol e quase calor), reflectido – reflectido mesmo, não cumprindo formalidades de religiosidade de rotina e sem substância – por um minuto, um minuto apenas, no porquê desse feriado?
Mais do que muita gente pensa, caro Costa.
Incluindo cada vez mais jovens – não apenas em Portugal, mas também em países como Espanha, Itália e França.
Boa tarde.
Respeitosamente, sou um dos que pondera isso.
E sigo os eventos Pascais aqui no conselho de Idanha-a-Nova mas muito em particular na aldeia de Monsanto.
A Pedro Correia e todos os companheiros delituosos bem como aos leitores uma boa Páscoa. Saúde.
António Cabral
Páscoa feliz, caro António Cabral.
Excelente. Boa Páscoa
Abraço amigo
Excelente, sim. E muito apropriado ao dia de hoje.
Páscoa feliz, caro Fernando.
Obrigado pela partilha e votos de uma muito Feliz Páscoa ao Pedro Correia, extensivo a todos os “delituosos” e respectivas famílias
Obrigado, em nome de todos nós, caro António.
Votos de feliz Páscoa.