Cristiano


Sérgio de Almeida Correia,

(Foto EPA, Kiko Huesca)

Nem todos os deuses são magos, mas há magos que se elevam e fazem de deus. No futebol isso também acontece. Cristiano Ronaldo e a armada do Real Madrid cilindraram em Munique os impantes, rudes e sobranceiros bávaros. Os campeões europeus, reforçados com o saber de Pepe Guardiola, encaixaram uns rotundos quatro a zero perante o seu próprio público. A vitória do Real, quer se queira quer não, será sempre vista como uma vitória da Europa do Sul contra a hegemonia alemã, como uma correcção e reequilibrar de forças depois do que aconteceu na época passada. Lisboa e o Estádio da Luz recebê-los-ão como merecem.

27 comentários em “Cristiano”

      1. Sim, mas cada jogador tem o seu génio e os seus hábitos culturais, que não têm necessariamente a ver com os do clube em que joga.
        Jerome Boateng é um jogador correto e Franck Ribéry tem pelo na venta, independentemente de jogarem no Bayern ou em qualquer outro clube.

        1. Pois é, Luís Lavoura, mas por essas e outras é que João Rocha os educava. Até os ensinava a comer de garfo e faca, não fossem eles comer com as mãos estando vestidos com um blazer do SCP .
          Eles são profissionais e o que ganham devia dar para aprenderem a ter maneiras, fair play , porque depois quem responde pelas asneiras e as tristes figuras é o clube, a entidade patronal.

  1. Sérgio
    Sou fã de Cristiano Ronaldo e daquilo a que, neste caso sim, se chama de subir a pulso. Onde ele tenha uma vitória, seja com que clube for, ela é também nossa e, como dizes, da Europa dos “marginais” face ao bávaros rudes e hegemónicos. Foi, de facto, uma enorme satisfação!

  2. O que prá’i vai. Armadas ibéricas, Europa do Sul, rudes Bávaros.
    O futebol cada vez mais é um fenómeno global. Se em África se continua torcendo pelo Benfica ou pelo Sporting, nós torcemos pelo Real, pelo Barça ou pelo Chelsea, porque são no fundo um pouco portugueses, também.
    O rude bávaro da chapada não é mais do que um labrego do condado francês de Bolonha de que o nosso rei Afonso III foi conde pelo casamento com Matilde que por isso foi também rainha de Portugal. E o rude bávaro e treinador do Bayern é, pasme-se, um vaidoso catalão.
    No passado eram os casamentos do reis e dos príncipes que globalizavam a Europa, hoje é o futebol. Transformar isso em guerras do sul contra o norte é provinciano. Até porque a Baviera não passa de uma Andaluzia alemã.
    Numa coisa tem, no entanto razão. Cristiano Ronaldo deitado ao lado de Irina, sentir-se-á certamente no Olimpo. Eu sentir-me-ia!

    1. Retiro o meu chapéu de abas largas ao seu comentário.
      Europa do Norte contra Europa do Sul em matéria de futebol é puro provincianismo patrioteiro, scolari style.

      1. Muito obrigado no que me toca. Mas não sejamos injustos. Bento XVI, Luís II, o do maravilhoso castelo de Neuschwanstein, Bertold Brecht, Levy Strauss, Leopol Mozart (o pai), decerto gente encantadora. É claro que os houve horrorosos, mas Torquemada era do Sul, e rude era Adolfo Rocha que era um Miguel Torga encantador!

  3. Gostei de ver aqueles naziz humilhados no seu próprio reduto, numa clara demonstração de que o virtuosismo e a verdadeira vontade de vencer está nos povos do sul da Europa.

    1. José Júlio Sarmento
      Terão os povos do Sul da Europa muito virtuosismo, valentia, coragem etc. Eu pertenço a esses povos do Sul e lendo o seu triste comentário acredite que tenho vergonha que pertença ao mesmo povo que eu.

  4. Eu também gostei da vitória do Ronaldo e Cia. Mas rejeito essa ideia da Europa do Sul versus Baviera rude e hegemónica. Nunca ouvi aqui na Alemanha essa versão transportada para o futebol. Por vezes, são os alemães que dominam a CL, outras vezes os espanhóis. É assim há vários anos, fruto do poder económico de certos clubes.

  5. O famigerado ‘tiki taka’ – que implica oito ou dez passes até a equipa que o pratica atingir a linha de meio-campo – foi impiedosamente derrotado nesta meia-final, e sobretudo no jogo de ontem, em que Cristiano Ronaldo voltou a bater mais um recorde pessoal (o de melhor marcador de sempre num edição da Liga dos Campeões).
    Torci pelo Real Madrid também por isso. E também na perspectiva do embate Alemanha-Portugal, do próximo Mundial do Brasil. Com o trio Pepe-Coentrão-Ronaldo a sobrepor-se claramente aos jogadores do Bayern que integram a selecção alemã. E são vários: Neuer, Boateng, Lahm, Schweinsteiger, Kroos, Muller, Götze…

  6. O Jogo de ontem foi uma seca. Não gostei nada. De um lado uns hunos que precisam de 1645 toques de bola antes de chutar á baliza…do outro, uma equipa como o Real a jogar “á italiana” com o autocarro que vai para Atocha estacionado á frente da baliza e depois…seja o que o Ronaldo quiser! Uma tristeza. Só fiquei contente pelos “nossos”.
    Por jogos como o de ontem é que gosto do Dortmund. Mas aquilo acabou por ter qualquer coisa de didatico já que os Alemães pensavam que iam passear e saiu-lhes o tiro pela culatra. Bem-feito!

  7. Quem não perdeu foi a Adidas !

    Quanto ao virtuosismo e vitórias sobre os “hunos” comandados por um homem do sul da Europa, nem sei o que diga

  8. Rudes bárbaros… interessante. algum dos autores do blog conduz um BMW? um Mercedes talvez? se calhar um Opel?… ou ainda um Wolkswagen?…
    Talvez antes de chamar rude a alguém devesse por perguntar o que faço eu.
    Sou português e alemão, não tenho preferência, mas o saber estar não é para todos.
    É um delito de opinião.

  9. Curioso Sérgio que os restantes alemães considerem que foi o estilo “sul-europeu” que foi derrotado. O estilo do tiki-taka, dos troques de bola sem ir a lado nenhum, sem cuidado na defesa e sem se preocupar com os golos, acabou derrotado. O estilo mais norte-europeu (germânico, se quisermos) da defesa sólida e musculada, ataque rápido e incisivo sabendo onde está o golo e com trabalho nos detalhes das bolas paradas acabou por vencer.

    Pode ter sido uma equipa espanhola a vencer uma alemã, mas foi um estilo “alemão” a vencer um estilo “espanhol”.

    1. Ó João,
      Isso só quer dizer que “aprendemos” a lição e os superámos no seu reduto. Mas aquilo que o Real fez fazia o Benfica na década de 60, quando o Bayern “nasceu” para a Europa do futebol, por isso duvido que o estilo seja alemão. Beckenbauer e Muller aprimoraram o estilo.
      O que me parece é que durante muitos anos “abrasileirámos” o estilo do nosso futebol e o resultado foi zero.
      Por alguma razão, ainda hoje, um dos melhores defesas do Real, era também um dos homens que colocava a bola mais depressa na área e nas balizas adversárias. Era um foguete a subir o corredor nos seus tempos áureos Falo de Roberto Carlos.

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