Nem todos os deuses são magos, mas há magos que se elevam e fazem de deus. No futebol isso também acontece. Cristiano Ronaldo e a armada do Real Madrid cilindraram em Munique os impantes, rudes e sobranceiros bávaros. Os campeões europeus, reforçados com o saber de Pepe Guardiola, encaixaram uns rotundos quatro a zero perante o seu próprio público. A vitória do Real, quer se queira quer não, será sempre vista como uma vitória da Europa do Sul contra a hegemonia alemã, como uma correcção e reequilibrar de forças depois do que aconteceu na época passada. Lisboa e o Estádio da Luz recebê-los-ão como merecem.
Cristiano
Sérgio de Almeida Correia,


Ole ole ole
No vídeo lincado, os “rudes bávaros” são personificados por Jerome Boateng, um berlinense, e por um francês.
Pois é, mas o Bayern é de Munique.
Como o Benfica é de Lisboa, e não de Buenos Aires, e o FCPorto também não é de Bogotá. Quando corre bem ou quando corre mal.
Sim, mas cada jogador tem o seu génio e os seus hábitos culturais, que não têm necessariamente a ver com os do clube em que joga.
Jerome Boateng é um jogador correto e Franck Ribéry tem pelo na venta, independentemente de jogarem no Bayern ou em qualquer outro clube.
Pois é, Luís Lavoura, mas por essas e outras é que João Rocha os educava. Até os ensinava a comer de garfo e faca, não fossem eles comer com as mãos estando vestidos com um blazer do SCP .
Eles são profissionais e o que ganham devia dar para aprenderem a ter maneiras, fair play , porque depois quem responde pelas asneiras e as tristes figuras é o clube, a entidade patronal.
Sérgio
Sou fã de Cristiano Ronaldo e daquilo a que, neste caso sim, se chama de subir a pulso. Onde ele tenha uma vitória, seja com que clube for, ela é também nossa e, como dizes, da Europa dos “marginais” face ao bávaros rudes e hegemónicos. Foi, de facto, uma enorme satisfação!
Se foi, Helena.

Como eu gostei do que escreveu. Espero que este nosso craque e seus colegas espalhem magia na Luz.
Eu não gostaria menos se fosse José Mourinho a espalhar a sua magia na Luz. Fazendo um jogo em catenaccio e marcando um golo isolado que lhe desse a vitória.
O que prá’i vai. Armadas ibéricas, Europa do Sul, rudes Bávaros.
O futebol cada vez mais é um fenómeno global. Se em África se continua torcendo pelo Benfica ou pelo Sporting, nós torcemos pelo Real, pelo Barça ou pelo Chelsea, porque são no fundo um pouco portugueses, também.
O rude bávaro da chapada não é mais do que um labrego do condado francês de Bolonha de que o nosso rei Afonso III foi conde pelo casamento com Matilde que por isso foi também rainha de Portugal. E o rude bávaro e treinador do Bayern é, pasme-se, um vaidoso catalão.
No passado eram os casamentos do reis e dos príncipes que globalizavam a Europa, hoje é o futebol. Transformar isso em guerras do sul contra o norte é provinciano. Até porque a Baviera não passa de uma Andaluzia alemã.
Numa coisa tem, no entanto razão. Cristiano Ronaldo deitado ao lado de Irina, sentir-se-á certamente no Olimpo. Eu sentir-me-ia!
Retiro o meu chapéu de abas largas ao seu comentário.
Europa do Norte contra Europa do Sul em matéria de futebol é puro provincianismo patrioteiro, scolari style.
Nunca fui tão provinciana e com tanto gosto!
Se hoje torço pelo Real é porque lá está Cristiano Ronaldo. Se este jogasse no Bayern eu seria um rude bávaro!
Nessa altura seria um bávaro encantador. Uma verdadeira excepção!
Muito obrigado no que me toca. Mas não sejamos injustos. Bento XVI, Luís II, o do maravilhoso castelo de Neuschwanstein, Bertold Brecht, Levy Strauss, Leopol Mozart (o pai), decerto gente encantadora. É claro que os houve horrorosos, mas Torquemada era do Sul, e rude era Adolfo Rocha que era um Miguel Torga encantador!
Gostei de ver aqueles naziz humilhados no seu próprio reduto, numa clara demonstração de que o virtuosismo e a verdadeira vontade de vencer está nos povos do sul da Europa.
José Júlio Sarmento
Terão os povos do Sul da Europa muito virtuosismo, valentia, coragem etc. Eu pertenço a esses povos do Sul e lendo o seu triste comentário acredite que tenho vergonha que pertença ao mesmo povo que eu.
Caro leitor,
Percebo e compreendo o que quer dizer mas considero a expressão que utilizou para qualificar os espectadores alemães e adeptos do Bayern desapropriada e excessiva. Fica o registo.
Eu também gostei da vitória do Ronaldo e Cia. Mas rejeito essa ideia da Europa do Sul versus Baviera rude e hegemónica. Nunca ouvi aqui na Alemanha essa versão transportada para o futebol. Por vezes, são os alemães que dominam a CL, outras vezes os espanhóis. É assim há vários anos, fruto do poder económico de certos clubes.
O famigerado ‘tiki taka’ – que implica oito ou dez passes até a equipa que o pratica atingir a linha de meio-campo – foi impiedosamente derrotado nesta meia-final, e sobretudo no jogo de ontem, em que Cristiano Ronaldo voltou a bater mais um recorde pessoal (o de melhor marcador de sempre num edição da Liga dos Campeões).
Torci pelo Real Madrid também por isso. E também na perspectiva do embate Alemanha-Portugal, do próximo Mundial do Brasil. Com o trio Pepe-Coentrão-Ronaldo a sobrepor-se claramente aos jogadores do Bayern que integram a selecção alemã. E são vários: Neuer, Boateng, Lahm, Schweinsteiger, Kroos, Muller, Götze…
Estás sempre a ver à frente, Pedro.
Só que para isso será necessário que não repitam o plano de “preparação” do Mundial da Coreia.:)
O Jogo de ontem foi uma seca. Não gostei nada. De um lado uns hunos que precisam de 1645 toques de bola antes de chutar á baliza…do outro, uma equipa como o Real a jogar “á italiana” com o autocarro que vai para Atocha estacionado á frente da baliza e depois…seja o que o Ronaldo quiser! Uma tristeza. Só fiquei contente pelos “nossos”.
Por jogos como o de ontem é que gosto do Dortmund. Mas aquilo acabou por ter qualquer coisa de didatico já que os Alemães pensavam que iam passear e saiu-lhes o tiro pela culatra. Bem-feito!
Quem não perdeu foi a Adidas !
Quanto ao virtuosismo e vitórias sobre os “hunos” comandados por um homem do sul da Europa, nem sei o que diga
O homem não é bem do Sul. A modos que a Catalunha é assim uma espécie de Alemanha espanhola. Pelo menos assim se julgam.
Rudes bárbaros… interessante. algum dos autores do blog conduz um BMW? um Mercedes talvez? se calhar um Opel?… ou ainda um Wolkswagen?…
Talvez antes de chamar rude a alguém devesse por perguntar o que faço eu.
Sou português e alemão, não tenho preferência, mas o saber estar não é para todos.
É um delito de opinião.
Curioso Sérgio que os restantes alemães considerem que foi o estilo “sul-europeu” que foi derrotado. O estilo do tiki-taka, dos troques de bola sem ir a lado nenhum, sem cuidado na defesa e sem se preocupar com os golos, acabou derrotado. O estilo mais norte-europeu (germânico, se quisermos) da defesa sólida e musculada, ataque rápido e incisivo sabendo onde está o golo e com trabalho nos detalhes das bolas paradas acabou por vencer.
Pode ter sido uma equipa espanhola a vencer uma alemã, mas foi um estilo “alemão” a vencer um estilo “espanhol”.
Ó João,
Isso só quer dizer que “aprendemos” a lição e os superámos no seu reduto. Mas aquilo que o Real fez fazia o Benfica na década de 60, quando o Bayern “nasceu” para a Europa do futebol, por isso duvido que o estilo seja alemão. Beckenbauer e Muller aprimoraram o estilo.
O que me parece é que durante muitos anos “abrasileirámos” o estilo do nosso futebol e o resultado foi zero.
Por alguma razão, ainda hoje, um dos melhores defesas do Real, era também um dos homens que colocava a bola mais depressa na área e nas balizas adversárias. Era um foguete a subir o corredor nos seus tempos áureos Falo de Roberto Carlos.