Ela olhava-me, avaliando-me às claras. Perguntei a mim mesmo o que estaria ela a ver. Senti que lhe devia algumas explicações acerca dos anos decorridos entretanto. Sentia aquele vago pavor que experimentamos quando alguém nos examina atentamente depois de uma longa separação e nos faz pensar que cometemos um pecadilho ao atingirmos este ponto das nossas vidas tão diferentes e tão crispados. Estranhos aos nossos próprios olhos, compreendem. Alcançarmos esta fase de tal maneira indefesos ante os nossos próprios ardis que permitimos que a verdade nos fosse escamoteada.
Don DeLillo, Submundo.
Edição Sextante, tradução de Paulo Faria.

Grande livro! bj
É verdade, Patrícia, mais de oitocentas páginas.
(Caramba, sou tão infantil…)
jaa, livra-te de mudares 😉
Laura: o excerto do DeLillo até vem a propósito, porque nem sempre é opcional – uma pessoa vai mudando, pelos mais variados motivos (as pancadas da vida, digamos) quase sem se aperceber. E depois restam os momentos em que tem oportunidade de fazer trocadilhos estúpidos…
Dizes bem. A chatice é que “não é opcional”. Grrrrrrrrrr 😉