Crise? Qual crise?


Pedro Correia,

Rui Pedro Soares recebeu em 2009 1,035 milhão de euros em remuneração variável e prémios de gestão na Portugal Telecom.

 

Os administradores da PT, incluindo o presidente, Henrique Granadeiro, e o presidente executivo, Zeinal Bava, receberam em salários fixos, variáveis e prémios cerca de 7 milhões de euros em 2009.

 

José Penedos, arguido no processo Face Oculta, recebeu 243 750 euros de bónus no final do ano passado. A este valor soma-se ainda um salário de quase 27 mil euros por mês na companhia, o que totaliza 621 mil euros de remuneração.

19 comentários em “Crise? Qual crise?”

  1. Ao mesmo tempo oiço anunciar medidas para reduzir o subsídio de desemprego. Certamente justas, mas para quem tem a infelicidade de dele depender uns euros a mais ou a menos fazem certamente mais diferença que umas centenas de milhar para estes administradores tão eficientes.

    1. Acho que as armas existem e são várias (antes das propriamente ditas), pois quando chegarmos a essas estará instalado o caos… antes disso o Povo tem que se organizar e exigir RESPEITO, se este sistema político não interessa ao País há que rever todo o sistema… mas não será certamente sentados ao computador que iremos resolver isto! Ou seja, até pode ser, mas se assim nos estivermos a organizar como Movimento Cívico, para acabar com a degradação a que este País chegou!

    2. Vivemos sob uma ditadura fascista durante 48 anos e o povo nunca pegou em armas, não deve vira a fazê-lo agora, julgo eu…

      1. Hide in your shell. Essa é uma das melhores.. (pratica ciências ocultas?)
        Porque não é só ter razão, é que ‘you’re bloody well right’ 🙂

        1. Sempre disseram que tenho um dedo que adivinha. Só me falta antecipar a chave do euromilhões.
          Em sua homenagem, Chloé, anteciparei para muito breve a chegada dos nossos… Supertramp. Chega de se esconderem na concha.

  2. Crise?! Prémios?! O mexilhão paga-os!

    Nesta vida tão penosa
    há gente afortunada
    pela graça venenosa
    de uma cunha tisnada.

    O nosso Estado tão exemplar
    pagando estas gratificações
    não causa mais do que enregelar
    as nossas magras remunerações.

    Com a vergonha perdida
    entre as meias verdades
    a podridão desmedida
    faz destas alarvidades.

    Epílogo

    Deste regime apodrecido
    após décadas esfrangalhadas,
    resta um Poder enegrecido
    por gratificações tresmalhadas.

    Nestes anos decadentes,
    difíceis de afigurar,
    os mexilhões tão prudentes
    estão prestes a estoirar.

  3. No que respeita às entidades que prestam (vendem) serviços essenciais, fico arrepiado: cobrar mais aos utentes serve simultaneamente para garantir lucros elevadíssimos, para assegurar cotação na Bolsa e para aumentar os prémios de gestão. Tudo isto sem esforço, excepto o nosso esforço.

  4. O máximo responsável da ONU pelo combate ao crime e ao tráfico de droga, o italiano Antonio Maria Costa, acusou o sistema financeiro de ter recebido dinheiro sujo como forma de resolver os problemas de liquidez que enfrentava. “Os empréstimos interbancários foram financiados por dinheiro vindo do tráfico de droga e outras actividades ilegais”, acusou ontem em declarações ao “Observer”. Ao todo, calcula em 352 mil milhões de dólares (240 mil milhões de euros) o capital ilícito que terá entrado no sistema financeiro durante a crise.

    Segundo o mesmo responsável, a ONU já viu provas de que o único “investimento líquido de capital” que foi disponibilizado a alguns bancos veio de gangues de crime organizado, algo para o qual foi alertado por agências de combate ao crime há cerca de 18 meses. “Em muitos casos, o dinheiro da droga era a única liquidez disponível. Na segunda metade de 2008, a falta de liquidez era o maior problema do sistema bancário, logo ter liquidez em capital tornou-se um factor muito importante”, salientou ao jornal britânico. Antonio Maria Costa revelou que algumas das provas a que o seu departamento teve acesso mostram que muito deste dinheiro sujo foi mesmo aproveitado para salvar algumas instituições financeiras em risco devido ao congelamento dos empréstimos interbancários. “Há alguns sinais que alguns bancos foram assim salvos”, acusa sem pruridos, negando-se porém a nomear bancos ou países que possam estar envolvidos. “O dinheiro faz agora parte do sistema e já foi lavado”, aponta mesmo.

    “Houve um momento, no ano passado, quando o sistema paralisou devido à falta de vontade dos bancos em emprestar dinheiro ao resto do sector. A progressiva reliquidação do sistema, e consequente melhoria de alguns bancos, veio tornar o problema menos sério do que chegou a ser”, referiu o Czar anticrime da ONU, conforme o “Observer” chama Antonio Maria Costa. Segundo estudos da ONU, Grã-Bretanha, Suíça, Itália e Estados Unidos são ser os mercados mais utilizados para lavagens de dinheiro.

    Portugal exemplar Questionado pelo i a propósito das acusações da ONU ao sistema bancário, António de Sousa, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, refere que “Portugal é considerado um dos países que cumpre de forma rigorosa todos os aspectos ligados ao branqueamento de capitais”. E lembrou ainda a existência de “estudos realizados por organizações internacionais” que atribuem ao país “a melhor classificação nesse âmbito e referem que o nosso país respeita integralmente todas as regras impostas a nível internacional de forma exemplar”.

    Já a associação britânica de bancos exigiu a apresentação das provas referidas pela ONU.

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