
Há duas teses opostas sobre a crise das democracias. Alguns estudiosos e comentadores julgam que o povo não sabe votar e que as maiorias criadas pelo voto tentam limitar os mecanismos de controlo (funcionários, instituições não governamentais, académicos, juízes, jornalistas). Quando a direita vence eleições, procura conter os poderes destes grupos não eleitos que se auto-intitulam liberais. Como se reclamam da defesa das liberdades, estas entidades resistem, acusando o poder de ser populista. As palavras populista e liberal são apenas rótulos simplificados, mas os governos diabolizados consideram que a resistência vem de elites que não querem respeitar o veredicto popular. Alguns chamam aos não-eleitos “o estado profundo”. Isto é visível, por exemplo, nos poderes da União Europeia, que parece cada vez mais afastada dos interesses dos países que representa. Também é visível na influência de causas ultra-minoritárias, como nos direitos trans e outros. Os intelectuais da direita dizem que a esquerda se apoderou das instituições não-eleitas. A mesma esquerda ataca ferozmente todas as organizações que não controla, como é o caso das Igrejas. Lentamente, a ideia de que a democracia não se esgota nas eleições vai evoluindo para a ideia de que as eleições não contam, o mais importante é a mobilização, a denúncia permanente e, se for preciso, a desordem.
imagem, Dall-e (IA)

A democracia nunca está em crise, simplesmente os ditadores mascarados mandaram-na para o lixo.
Talvez o Churchill tivesse razão, e a democracia seja o pior dos regimes com exceção de todos os outros.
E a frase do Lincoln – do povo, pelo povo e para o povo – é muito bonita mas pouco mais do que isso.
Ao fim de ninguém sabe quantos milénios, a verdade é que estamos bem mais perto do mundo hobbesiano, da luta de todos contra todos, no fundo dessa coisa simples que é a lei do mais forte.
E que emerge de forma mais clara e crua nos momentos difíceis; porque quando existe abundância é mais fácil sermos todos bonzinhos e amigos do próximo, ou como se diz agora, do outro.
Pitigrilli:
« Sempre existiram drogas mais potentes, mais calmantes, mais tranquilizantes, mais alucinógenas do que todas as drogas da farmacopéia antiga e da farmacologia moderna. Essas miracle-drugs, essas drogas-milagre são as palavras
Se no combate contra o ancient regime a democracia esteve aliada à liberdade no entanto a lógica entre as duas é conflitual a partir do momento em que a maioria vota para tirar mais e mais à minoria que cria e produz…
A democracia actual não tem mecanismo algum para ser possível existir menos politica que seria com lugares vazios nos parlamentos onde só a partir de determinado quorum se poderiam tomar determinadas decisões…Assim o mecanismo é sempre de mais e mais politica.
Uma sociedade onde a intensidade politica não pode diminuir vai cair sobre a entropia desta na melhor das hipóteses ou guerra civil.
Mais prosaicamente a esquerda tem usado com sucesso a violência política de baixo grau (+ de 20 mortos nos EUA no entanto) apoiadas pelo jornalismo para intimidação e práticas mafiosas de protecção para conseguir recursos para as suas organizações . Em Portugal por exemplo nunca um governo de direita eleito com maioria alguma vez poderá governar a não ser que esta maioria seja tão extensa que demonstre uma mudança cultural significativa da sociedade tipo 55% do voto.
Serão “protestos” e “protestos” sucessivos.
Depois a direita reage com personagem tipo Trump e Bolsonaro que são os únicos que mostram que combatem quando o conservadores tradicionais sempre muito preocupados com as aparências sem perceberem patavina do que é o poder não conservam nada.
Não perceberam é que a democracia está cada vez mais na rua não no voto.
Só o termo DEMOCRACIA é para rir