Criminosos


Pedro Correia,

O coronavírus afecta já 200 países e territórios em todo o mundo. Não há praticamente uma parcela do planeta imune ao Covid-19.

A pandemia causa 2.700 mortes por dia nos cinco continentes – vitimando uma pessoa de dois em dois minutos. A cada dois segundos, regista-se um novo caso de infecção.

Apesar disto, três países persistem em manter os respectivos campeonatos de futebol: Bielorrússia, Burundi e Nicarágua. 

Um procedimento criminoso, que devia encher de vergonha os dirigentes máximos destes países – respectivamente Aleksandr Lukashenko, Pierre Nkurunziza e Daniel Ortega.

Nenhum deles recomendável em matéria de respeito pelos direitos humanos. Não há coincidências.

 

Publicado originalmente (28/3) aqui

40 comentários em “Criminosos”

  1. Disparate. Os dirigentes máximos dos países têm muito pouco a ver com os campeonatos de futebol. Quem organiza os campeonatos de futebol não são os dirigentes máximos, são as federações ou as ligas de futebol.
    De resto, eu sobre o Burundi e a Nicarágua nada sei, mas sobre a Bielorrússia sei que a atividade viral lá é muitíssimo baixa (na Lituânia, da qual tenho notícias diretas, é também muito baixa, mas a Bielorrússia está ainda muito menos infetada, por ter muito reduzidos contactos com o mundo exterior) e com certeza irá totalmente desaparecer antes do verão, tal como irá desaparecer em todo o resto da Europa, pelo que acho que a Bielorrússia fez muito bem em não parar o seu campeonato de futebol.

    1. Disparate o seu. Equivale a dizer que no tempo do Salazar o poder político nada tinha a ver com o que se passava no futebol.
      Em sistemas ditatoriais, como acontece nestes casos, o poder político interfere em tudo. E no futebol também, motivos óbvios.

      1. éramos tão felizes quando podíamos apenas de falar de futebol sem meter o covid-19 à mistura. estúpidos, mas felizes. agora somos estúpidos, infelizes e potencialmente contaminados e, se tivermos azar, vivemos num país liderado por um qualquer idiota, eleito ou não, que acha que estamos apenas a passar por uma gripe mais forte. a humanidade está escrever em conjunto a mais estranha distopia de sempre!

        1. Diz bem, anónimo. Talvez por isso nestes dias não consigo ver filmes nem séries. Nenhuma série nem nenhum filme ultrapassa em imaginação e impacto esta realidade que vivemos.

          1. no meu caso, por estes dias pandémicos, não consigo ler. já tentei, mas não consigo. a televisão não exige esforço, pelo contrário, as imagens e os sons simplesmente entram na nossa cabeça. deixei de ver telejornais apenas porque não suporto a carga emocional que colocam nas notícias e reportagens. também não suporto comentadores e jornalistas transformados em especialistas em curvas epidemiológicas. não acredito que uma curva epidemiológica seja algo que possa ser analisado por toda a gente, tal como uma perna partida ou uma infecção num ouvido. mas se calhar estou errado.
            mas filmes e séries têm sido boa companhia por estes dias.

            já a leitura exige concentração total. pelo menos para mim, que não gosto de ler na diagonal. nem sei bem o que isso significa. além disso, tenho o estranho hábito de jamais deixar um livro a meio mesmo que não goste do que estou a ler. se começo, acabo, de preferência o mais depressa possível, utilizando todas as pausas do dia para ler mais um bocado, e iniciar este processo por estes dias tem sido impossível para mim.

          2. Comigo tem sucedido ao contrário: tenho lido muito. Estou a acabar o sétimo livro desde que iniciei a quarentena.

            Se não lermos agora, vamos ler quando?

            Não tenho visto séries nem filmes. Porque me sinto eu próprio personagem de um filme ou de uma série. A realidade ultrapassa por completo qualquer ficção.

      1. O que o Pedro Correia escreveu sobre mim é “fake”, já o link que deixei é verdadeiro mas há mais por essa comunicação social fora.
        Parece que agora já vamos poder andar de máscara, já chegaram, antes não era preciso e era contraproducente diziam e também diziam que não iam mentir.

        WW

      1. “Seguiram-se vários dias de pressão intensa por parte do governo sueco, que ameaçou notificar a Comissão Europeia por alegada violação francesa do mercado único, impedindo a circulação de bens que, neste caso, se dirigiam para outro membro do mercado único europeu – Espanha (e, também, para Itália, em menor quantidade).

        Mesmo com a aparente resolução deste caso, a empresa sueca decidiu interromper a circulação de produtos seus em França e vai mudar toda a sua cadeia logística para a Bélgica, país a partir do qual vai passar a ser exportada a produção desta empresa.”

        Uma verdadeira vergonha segundo quaisquer padrões morais decentes.

  2. Bom dia Pedro Correia
    Respeitosamente, em algumas democracias, e concretamente na nossa, as interferências na federação de futebol, na liga, etc, não existem formal e directamente, é certo, mas basta ir examinar certos personagens metidos em orgãos dessas instituições para ficar a pensar. Basta pensar também como aparecem as injecções de futebolês nos canais de TV. Basta recordar a construção dos estádios anos atrás.
    Nada acontece por acaso.
    António Cabral

    1. Meu caro, felizmente por cá não temos o Supremo Magistrado a recomendar-nos que bebamos bagaceira e cachaça para “combater” essa mariquice da Covid-19, como acontece na Bielorrússia. Nem temos uma Primeira Dama a forçar o pessoal a participar em “marchas do amor”, tudo bem juntinho, já com a pandemia declarada, como sucedeu na Nicarágua.

  3. O tipo da Bielorrúsia disse, e bem, para não serem piegas, e matarem o bicharoco a vodka e com saunas.
    O problema está no new-age das quinoas. Está mais que provado que a ingestão de sementes de chia propicia a disseminação do covid. Bebam uns mata-bicho pela manhã que isso passa.

    (ontem vi pela 1ª vez o “what ever happened to baby jane”. E consegui reler A quinta dos animais – incluindo o prefácio, de que não tinha memória. Copo meio cheio)

    1. Ena, você está a aproveitar bem o tempo. Antes ver bons filmes e ler bons livros do que desperdiçar os dias a partilhar boatos das redes sociais e memes idiotas da internet.

      1. Quem disse que não dá para fazer ambos? Ou o PC é daqueles que acha que os homens só fazem uma tarefa de cada vez??

        Multitask, multitask
        (não confundir com a actividade de ir a diversas tascas consecutivamente)

  4. Eu até incluía o Reino Unido e a Suécia. Não sei se há mais. E a China que ocultou no início? E os Estados Unidos? Criminosos há muitos.

      1. Não esqueça o Brasil. Está mais ou menos a meio caminho entre a Bielorrússia e o Reino Unido. Não tem nada a ver mas, ao fim e ao cabo, há um contínuo.

      2. e porque não? no contexto actual o que separa um ditador que quer matar o coronavírus com vodca de um democrata negacionista? se o resultado é o mesmo – milhares de mortes a mais do que as que ocorreriam se não se negasse a realidade – não devem ser julgados pela mesma bitola?

          1. Escolho sempre aquele que puder pôr e tirar de lá, meu caro. Por mais iluminado que seja o déspota, um dia acaba sempre por lhe rebentar os fusíveis.

    1. Números errados quanto à Bielorrússia:
      https://www.worldometers.info/coronavirus/country/belarus/
      13 mortos

      Na Nicarágua, os números reduzidos devem ser por efeito das prédicas da mulher do ditador, que é (por coincidência) vice-presidente do país:
      «Este sábado vamos a desplegarnos en fuerza de espíritu, en gracia de Dios y con la fortaleza de la fe y la esperanza», disse a senhora ao mobilizar o povo para uma Marcha do Amor, a 15 de Março, com a malta toda compacta e bem juntinha.

      Também pode ser por outro motivo: praticamente não se realizam testes no país:
      «Lo que sucede es que no se han realizado exámenes. Como no sabemos cuántos enfermos tenemos, no sabemos cuál es el nivel de respuesta en este momento.»

      https://www.infobae.com/america/america-latina/2020/03/21/especialistas-temen-explosion-de-casos-en-nicaragua-porque-daniel-ortega-hace-todo-lo-que-no-debe-hacerse-para-combatir-al-covid-19/

      1. Esses ditadores que deixam as pessoas escolherem: se querem fazer quarentena; quais actividades praticar; como agir perante o risco de contágio. As nossas democracias e que estão correctas na atitude perante este coronavirus que ataca com 8% de agressão, idosos e doentes

          1. Atalanta vs Valência

            Festejos de carnaval em Veneza e outras cidades italianas.

            Festejos de carnaval no Estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália

            Infectar mas em liberdade.

            E já há clubes e jogadores italianos a reclamar que querem voltar aos treinos.
            Sendo Itália um país democrático por certo voltaremos a ter animação na Sport-tv.

          2. Não deixam de ditadores e não invejo a quem seja a obrigado a habitar lá, mas neste caso estão a agir melhor que democracias . Qual a necessidade de um estado de emergência em Portugal? Porque não se informou a população dos riscos e deixar as pessoas decidirem por si! Quem tem medo e recursos fica em casa quem é corajoso e necessidade sai á rua. Podemos considerar este vírus pouco perigoso e de fácil gestão pois parece escolher as vítimas entre os idosos e doentes
            Quando apareceram as primeiras informações sobre este vírus o estado deveria ter montado simples hospitais de campanha, assépticos e equipados com ventiladores e fornecimento de oxigénio, deveria ter dado formação em técnicas médicas e de enfermagem a voluntários e preparar o exército para entregar mantimentos a casa das pessoas dos grupos de risco que o desejassem. Não entendo o termos andado a pagar anos conselhos nacionais de saúde, comissões nacionais de saúde mais outros observatórios e institutos e não haver um já um plano de contingência.

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