Os apelos ao diálogo entre Madrid e Barcelona são extemporâneos. Há um conflito aceso e duro dentro da própria sociedade catalã, e é por aí que deve começar o diálogo. Na sua essência, é um problema de corvos. Explico porquê aqui, no Observador.
Criar corvos na Catalunha [pub]
Diogo Novo,

Mas a Espanha também é uma sociedade profundamente dividida e é por essa mesma razão que o diálogo é necessário dentro dela.
No fim de contas, todas as sociedades são divididas e por isso em todas elas o diálogo é necessário.
Por exemplo, a direita portuguesa está dividida, mas isso não é razão para que o Partido Socialista não dialogue com ela.
O Luís não percebe ou faz um esforço olímpico por não perceber?
Percebo, percebo. Percebo que o Diogo Noivo faz um esforço para justificar a recusa do diálogo.
É claro que os partidos independentistas catalães estão divididos, tal como os partidos nacionalistas espanhóis também o estão. É natural que haja divisões, por isso mesmo é que há partidos. O PSOE não tem a mesma posição que o Cidadãos nem que o PP, tal como os diversos partidos independentistas catalães (e vascos) também têm posições diversas.
Mas o facto de haver divisões não justifica que não haja diálogo. Deve-se procurar dialogar com aqueles cujas posições estão menos afastadas das nossas, para ver se pelo menos se pode realizar algum progresso.
Li algures (não sei se é verdade, o Diogo Noivo poder-me-á certamente esclarecer) que o PSOE em tempos defendia posições federalistas para Espanha. Se pudesse voltar a defendê-las, isso seria provavelmente um bom ponto de consenso parcial com, pelo menos, alguns independentistas (talvez a ERC).
“Deve-se procurar dialogar com aqueles cujas posições estão menos afastadas das nossas, para ver se pelo menos se pode realizar algum progresso.”
Então não se abespinhe que o problema está resolvido. Consta que PSOE e PSC dialogam perfeitamente com a ERC. O Conseller d’Interior do Govern (ERC) é que parece ter mais dificuldade de conversar com o President da Generalitat (JxC).
O que aliás só confirma a tese do Diogo. Enquanto ERC e JxC não se entenderem, é extemporâneo falar em diálogo com Madrid. E provavelmente não se vão entender sem haver eleições para o Parlament. Torra não representa sequer os partidos que o “apoiam”, quanto mais a Catalunha.
Se aquilo que você diz que “consta” fôr verdadeiro, fico satisfeito com isso. Já é melhor que nada.
Conforta ler quem sabe ,”et pour cause”, o que realmente se passa .
Um contraponto sensato, e isento, ao ruído propagandístico e mentiroso de espectáculo internacional, melhor, internacionalizado, que nos tentam impôr como “relato” de sentido único.
JSP
Muito amável, JSP. Obrigado.
Belo artigo, minha vénia.
Obrigado, José. Abraço grato
A Catalunha nesse particular está como o resto de Espanha.
“Há governo, sou contra”.