Financiada em 40 por cento pelo Estado, Torres Vedras tem uma creche aberta há dois meses. O primeiro-ministro foi inaugurá-la hoje. Para quê? Para falar. Para dizer que «o principal problema dos jovens casais é “não terem onde deixar os filhos em segurança e qualidade”». Está-se mesmo a ver. Basta perguntar a qualquer casal jovem qual é o maior problema que enfrentam. Desemprego, trabalho temporário, salário insuficiente, custo de vida, impostos? Nada disso. Falta-lhes uma creche, é o que é.
Com as cem creches prometidas (isto de promessas do primeiro-ministro é o diabo) até Dezembro, não faltarão palcos para José Sócrates continuar a falar por muito tempo. É só ir agendando as creches que estiverem a funcionar. Mas nunca a funcionar há muitos meses, que pode parecer mal.
Nota — Dir-se-ia que estou contra as creches. Não estou. Pelo contrário. Estou contra o uso de creches como palcos para estes fins. Parece-me uma utilização imprópria para menores, uma espécie de pedofilia platónica.

Mas foi fixe, porque ontem andaram a cortar o mato num terreno que fica em frente à creche, e noutro mais afastado. Tudo bem, costumam fazê-lo uma vez por ano, mas já estava com mais de um metro e uns animais tinham lançado para lá um sofá velho e entulho e hoje estava tudo limpinho. Também não havia carros estacionados em frente, coisa que nunca acontece, pois é só carros parados, apesar do sinal de proibição – de resto, Torres Vedras deve ser a cidade do país com pior ordenamento urbano. E havia polícias na zona. Devia haver visitas todos os dias e creches e inaugurações. Era da maneira que estava tudo arranjadinho, mas não pode ser nada.
Pode ser que haja cem lugares efemeramente limpos e seguros nos próximos meses…
Típico de Sócrates: fala no reforço do ‘estado social’ enquanto proliferam as ‘parcerias’ com o sector privado. O eco que aqui deixas desta notícia, num dia em que não acompanhei a actualidade noticiosa, suscita-me a dúvida: será que o(s) responsável(s) pela maioria (60%) do financiamento desta creche também teve (tiveram) autorização para falar nessa luzida cerimónia propagandística?
Acho que falaram p’ra dentro.
Abre creches e fecha escolas. É o mesmo que construir uma ponte e depois mudar a estrada de sítio.
Bem visto, Zélia. Eheh…
Que não nos faltem!…
Tantas creches às molhadas
que fazem por abrilhantar
essas cenas farfalhadas
por luzes de desencantar.
Cem creches prometidas
farão muito por render
as razões incontidas
do regime a pender.
Perfeito, Manuel “Amêijoa Fresca” Brás.
Estava a comentar com a minha mulher que adorava poder tirar da net o momento em que ele se dirige a uma criancinha para lhe dar o beijinho da praxe e o puto sai a correr num choro convulsivo.
Uma boa maneira para os pais da criancinha a obrigarem a comer a sopinha toda – “Ou comes a sopinha, ou a gente pede ao Sócrates para ir à tua creche dar-te beijinhos!!”
Eheh…
‘Tadinha da criança. Também não é preciso exagerar, não é? ‘Tadinha.
Caro João, lamento contrariá-lo. O nosso PM tem razão. O problema dos nossos jovens é não ter onde deixar os filhos, porque com emprego ficavam sem tempo para os fazer. Portanto a politica está certa, deixem de trabalhar e façam filhos, não vejam noticiários……olhem o tempo para fazer filhos. Ainda vão arranjar fiscais para ver se conseguem apanhar alguém a transgredir, isto é, a ocupar o tempo sem ser a fazer filhos.
Bem me parecia que o PM tinha razão. Eheh…
“Estou contra o uso de creches como palcos para estes fins”
Quais fins?
Admitindo que o fim seja apregoar o investimento do Estado em creches, parece-me natural que o palco para tal fim seja uma creche.
Da mesma forma que, para apregoar o investimento do Estado em estradas ou em hospitais, o primeiro-ministro inaugura presencialmente uma estrada ou um hospital.
Mas, concordo, o primeiro-ministro poderia inaugurar as creches na ausência total de crianças. Poderia inaugurá-la, digamos, em Agosto, antes de o ano letivo começar.
Quais fins?
R – Falar, dizer coisas.
Apregoar o investimento do Estado em creches, parece-me natural que o palco para tal fim seja uma creche.
R – Se é natural apregoar o investimento em creches público-privadas… Duvido que seja natural apregoar uma invenção sobre o principal problema dos jovens casais.
Para apregoar o investimento do Estado em estradas ou em hospitais, o primeiro-ministro inaugura presencialmente uma estrada ou um hospital.
R – Estradas e hospitais a funcionar há dois meses, pelos vistos…
O primeiro-ministro poderia inaugurar as creches na ausência total de crianças, antes de o ano letivo começar.
R – A creche está a funcionar há dois meses. Parece que vai haver mais cem no primeiro período do ano lectivo.
… uma espécie de pedofilia política.
Eheh…