Cravos de crochet…


fiodeprumo,

 

Oiço a Presidente da Assembleia da República e, confesso, começo a ter alguma dificuldade em a entender. Ou, quem sabe, em entender-me.

Primeiro, a senhora admitiu um mecenato institucional para partilhar as despesas com as comemorações dos 40 anos da revolução dos cravos. Depois, perante as reacções negativas face ao projecto, quis expressar a necessidade de que os afectos(?) também fossem tidos em consideração naquelas festividades. E daí, nem sei bem como, ei-la a admitir a hipótese de um desfile de chaimites frente à sede da democracia, ornamentado com cravos vermelhos de Joana Vasconcelos, cujo preço rondaria os 5000 euros unitários.

Alguém me diz se esta ideia tem pés e cabeça, ou mesmo só cabeça, num país como o nosso? Serei eu que estou com dificuldades cognitivas?!

10 comentários em “Cravos de crochet…”

  1. Entre a Sr.ª Presidente da AR, o líder da Oposição, o Ministro dos Negócios Estrangeiros e outros que para aí andam, acho que é desta que o País passa oficialmente a manicómio. Só pode..

  2. Não está enganada, não. Apenas uma torre de marfim povoada por ingénuos personagens, grotescos, sem a representatividade eleitoral que idealizam ter. Infelizmente triste espectáculo com bilheteira “para o caro” … e compulsiva.

  3. Fique completamente descansada Helena, pois o problema não é seu…
    A Presidente da Assembleia da República tem um problema de ‘inconseguimento’ que se tem vindo agravar dramaticamente e que não sei onde irá parar nem onde nos levará.

  4. Não estou assim tanto contra o mecenato. Se alguém quiser reencenar a queda do governo (sem violência, claro está) darei a minha contribuição de bom grado. Se se garantir que no final da encenação o governo não volta para lá, até duplico a contribuição.

  5. Compreendo a tua reacção, a minha foi um pouco pior. Com todo o respeito pela Joana Vasconcelos e as senhoras que tem no atelier a fazer crochet para ir embrulhando coisas: se a AR quer festejar os 40 anos do 25 de Abril, tendo até um historial de exposições digno desse nome, não é a meio de Fevereiro que surgem estas ideias. Lança-se um concurso, há muitos artistas a passar necessidades e é preciso saber se continuamos a ver a nossa cultura e artes pelos olhos dos outros. Ora, se a Joana Vasconcelos esteve exposto em Versailles, vamos chamar a senhora para fazer cravos a cinco mil euros por unidade? A minha mãe, que tem ataques de crochet, diz que faz por metade do preço. Acresce que há outro pormenor que me incomoda nisto e que é típico da portugalidade: quando alguém fica na moda, pois fica na moda. Sabem que para expor em França, na corte, a Joana Vasconcelos, deve de ceder e não expor uma das suas peças mais emblemáticas? O lustre, ou lá como se chama, feito de tampões. Eis uma concessão que eu não faria, que a maioria dos artistas que eu conheço não fariam. Nada mais indicado para Versailles que um lustre, certo? Pelos vistos não.
    Não sei, por cinco mil euros, talvez se possam fazer chaimites em versão tampão. Por favor, o pior continua, desculpem insistir, alguém percebe por que carga de água é que a Assunção Esteves fala de forma incorrecta e mal articulada. Fala mal. É a segunda figura do Estado em termos institucionais, certo? Dêem-lhe uma gramática do Ratinho? É melhor. Para ela e, pelo menos, para mais um, se é que me entendem. Bom dia dos namorados ou da disfunção eréctil, não sei qual dos dois será melhor comemorar. Beijos, querida Helena

  6. portugal é (mesmo!) um país uno: só tem mesmo uma artista (do regime),a tal de vasconcelos (este nome diz-me qualquer coisa, relacionada com álvaros).
    esta coisa da arrigementação cansa e cansa e cansa…
    mas porque é que estas alminhas não entregaram a comemoração ao povo, à rua e aos seus artistas, e não avançaram com uma proposta de grafitizar, embadeirar, emcortiçar, enchouriçar e alheirar as chaimites ou até preservatizar com pele de porco, prontos?

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