Costa, Ventura, Vieira e Benfica


Pedro Correia,

DE8qitCXcAEH8d-.jpg

Vieira e Ventura: o criador e a criatura

 

Não sei se é a primeira vez que um chefe do Governo no activo integra a “Comissão de Honra” de um candidato à presidência de um clube de futebol. Mas é a primeira vez que surge na “Comissão de Honra” de um candidato arguido em processo-crime por grave suspeita de fraude fiscal (que resulta da Operação Saco Azul) e está indiciado noutros processos, nomeadamente por suspeita de corrupção, no âmbito da Operação Lex, que enviará para o banco dos réus pelo menos dois juízes, incluindo o ex-desembargador Rui Rangel.

 

Monumental escorregadela de António Costa, que noutras circunstâncias foi precavido ao ponto de ter recomendado aos seus ministros que «nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do Governo» e fez até aprovar um código de conduta que impõe aos membros do Executivo que devam «abster-se de qualquer acção ou omissão, exercida directamente ou através de interposta pessoa, que possa objectivamente ser interpretada como visando beneficiar indevidamente uma terceira pessoa, singular ou colectiva»?

É óbvio que sim. O primeiro-ministro estava consciente dos potenciais danos deste apoio, mas confiou que só causaria brevíssima celeuma, logo sepultada na espuma dos dias. Ter-se-á tratado, em larga medida, de um risco assumido: Costa quer fazer marcação cerrada a André Ventura em matéria de benfiquismo militante, consciente de que o maior clube desportivo português pode ser um baluarte eleitoral em terreno político.

Não por acaso, Ventura é um dos raros opositores ao Governo que tardam a pronunciar-se sobre o apoio do primeiro-ministro ao presidente do SLB, a quem o actual líder do Chega deve tantos favores. Ao ponto de poder dizer-se que Ventura, iniciado nas lides mediáticas como escrevinhador do jornal do Benfica e comentador da Benfica TV, é uma criação de Vieira.

 

Acontece que Costa menosprezou a capacidade de indignação dos portugueses. Ao aceitar tornar-se “testemunha abonatória” de Vieira (tradução prática da inclusão do seu nome na tal “Comissão de Honra”), o chefe do Governo desautoriza as tímidas medidas legislativas anticorrupção anunciadas há dias pela ministra da Justiça e caminha sobre uma camada de gelo muito fino: Vieira integrou a lista dos maiores devedores do BES, causou perdas de 225 milhões de euros ao Novo Banco (de acordo com a auditoria feita pela Deloitte a esta entidade financeira) e poderá estar envolvido com a desacreditada construtora brasileira Odebrecht, implicada no escândalo Lava Jato.

Não faço ideia o que Vieira lhe terá dito como expressão do agradecimento pelo apoio do chefe do Executivo nesta campanha eleitoral em que enfrenta pelo menos três adversários à presidência do Benfica. Mas esta inconcebível trapalhada fornece um poderoso argumento à candidata presidencial Ana Gomes, que faz do combate à promiscuidade entre política e futebol uma das prioridades do seu discurso. Se Costa supunha que a polémica passaria depressa, enganou-se em toda a linha.

90 comentários em “Costa, Ventura, Vieira e Benfica”

  1. Claro que vai passar…

    Covid, fogos, cheias, crise, saída da crise, e ainda inventam mais umas tangas para entreter, tipo Avante vs Fátima.
    Entretanto já começaram, desviando para o Rui Moreira (que não devia ter feito o que fez, mas cada caso é um caso, e um erro não valida outro).

    Enquanto for ganhando, o Vieira vai-se safando. Querem lá saber os lampiões de Lex, mala ciao ou toupeiras. Querem é vitórias e títulos. E ai de quem prejudique quem por isso faz, chame-se Luís ou António.

    1. Entretanto, sobre o tema em causa, o Presidente da República conseguiu produzir o discurso mais redondo e hermético do ano:
      «O que sei é que uma determinada pessoa que exerce determinada função em relação a um determinado acontecimento desportivo num determinado momento histórico num determinado contexto. Portanto não é possível fazer considerações teóricas sobre uma realidade concreta.»
      (cito de cor).

      1. Também ouvi essa, foi de rir…

        A verdade é que o futebol em Portugal é um cancro com muitas metáteses, e não é só no SLB, até no clube da terra isto se encontra. É raro encontrar o político que não tenha uma relação estranha com a bola e todos sabemos a corja (jornalistas, humoristas, músicos, pseudo-empresários, médicos, juízes, advogados e tantos e tantos outros).

        Faz-me lembrar o que acontece em muitas terras por este Portugal: para se conseguir abrir um negócio, desenvolver uma actividade seja ela qual for ou até encontrar um emprego, tem de se falar com os influentes da Câmara, com a Misericórdia, com o tipo da loja de vestuário, com o tipo do stand, com o fulano da segurança social e agora com o presidente do clube da terra. 🙂

        P.S.: sem ter a ver com o assunto, e nem é uma provocação, o Pedro não acha estranho que aqueles que mais se queixam de estar sem dinheiro por causa dos estádios fechados e pelos altos impostos serem também aqueles que têm gasto milhões e milhões em contratações?

        1. Estranho. Mas isso só se aplica ao Benfica, que até agora gastou 83 milhões de euros em jogadores (segundo clube em toda a Europa a gastar tanto, após o Chelsea) sem ter conseguido vender nenhum.

    2. Nao e muito diferente o Apito Dourado, pois nao? Quiseram la os adeptos saber se nao dd vitorias e titulos… e ai de quem prejudicasse quem por isso fez…

  2. um candidato arguido em processo-crime por grave suspeita de fraude fiscal (que resulta da Operação Saco Azul) e está indiciado noutros processos, nomeadamente por suspeita de corrupção, no âmbito da Operação Lex

    Convém sempre lembrar, e relevar, que um arguido ou um indiciado não são acusados de nada, muito menos são réus, e muitíssimo menos são culpados. O Ministério Público pode, se isso lhe der na real telha, transformar qualquer um de nós em arguido ou em indiciado, mesmo que nós estejamos totalmente inocentes – e fá-lo à discrição e com grande despreocupação pelas consequências.

    Costa menosprezou a capacidade de indignação dos portugueses

    Convém não confundir os portugueses, que são dez milhões de pessoas muito variadas, com os escrevinhadores sobre a coisa pública, como o Pedro Correia (e eu), que são algumas dúzias de indivíduos muito singulares. O facto de estes indivíduos estarem, eventualmente, indignados não significa que os portugueses em geral o estejam.

    1. Espero que o balio/Lavoura se lembre desse exercício epistemológico de relevância estatística da próxima vez que a proposição inicial for sua.

      Por acaso acho que os portugueses no seu conjunto estão indignados, inclusivamente muitos benfiquistas que com certeza começam a pensar em que medida o sucesso do seu clube não provém destas relações perigosas — e como ganhar a ganância de ganhar a todo o custo corresponde mais a um problema de classe e de ascenção social do que a um feito desportivo. E de como o benfiquismo começa a corresponder a uma maneira de estar que não é nada recomendável entre gente de bem. Se o caso fosse com o Sporting, que é o clube que eu mais por tradição do que convicção continuo a defender, eu decerto pensaria desta mesma maneira. Se o desporto e o futebol afinal é isto, e serve para isto, então é melhor que não exista.

      Do lado da política é ainda pior, e revela o pior que os políticos são capazes de fazer — e isso quando é apresentado assim tão a cru, como demonstração de imparcialidade, manipulação e política-de-bastidores (típica de países subdesenvolvidos) é mesmo factor de indignação generalizada.

      Eu até diria que se António Costa não se retractar nos próximos dias, o PM deveria ser demitido. Já que não teve esse acto de grandeza quando a Protecção Civil e a GNR mataram 260 pessoas numa estrada em chamas, devia fazê-lo agora.

      Se se demitisse podia ir viver dos benefícios que dá ser benfiquista nos grandes negócios de imobiliário. Passava a vender terrenos e apartamentos e deixava-nos em paz. Nada mau para todos.

      1. errata: em cima quis dizer, obviamente, demonstração de parcialidade.

        É este lado de parcialidade, sectarismo e impunidade que é mais nojento.

      2. Retenho do seu comentário sobretudo estes dois elementos:

        – que se o futebol “é isto”, melhor seria que não existisse. E de facto, pelo menos para quem não tenha por ele verdadeira paixão, torna-se difícil encontrar-lhe um mérito que não caia perante a sordidez geral do mundo do futebol. Fica talvez o facto de, enquanto indústria, proporcionar directa ou indirectamente um número decerto não menor de empregos (daqueles remunerados de uma forma normal e de que vive ou tenta viver o cidadão comum). Os tempos presentes e os do futuro previsível fazem de um emprego que se salve um bem muito especialmente valioso. Mesmo que nos custe muito caro;

        – que mais facilmente por cá um caso relacionado com o futebol poderá levar um político à demissão, por questão de honra, do que o fará uma tragédia nacional, que permanece mal explicada, envolvendo a actuação da administração pública e maciça perda de vidas e bens. Que assim seja, e não surpreende, em nada abona quanto a nós, como povo. Mas nem isso de facto surpreende, nem creio que aconteça: não só a ordem superior é a de que não haja crises políticas e se faça o que houver a fazer para as evitar (e percebe-se em boa medida porquê; a questão será a de até onde e até que custo levar este desígnio), como – e só o posso invocar enquanto mero espectador céptico do fenómeno – não me recordo de alguma vez ter visto ou escutado um geral repúdio, pelos adeptos de um qualquer clube (um qualquer clube) ou selecção, de uma vitória alcançada por erros de arbitragem ou outra forma mais sombria que tivesse prejudicado quem de facto a merecia. A batotice na bola, no mundo da bola, parece ser uma prática tranquilamente encarada. Faz parte, é tudo, seja para dar pretexto a um regenerador rasgar de vestes, clamando a condição de heróico mártir, seja para festejar um sucesso afinal menos merecido. Dentro do campo, no jogo. E manifestamente fora dele também.

        Costa

    2. Já há tempos tivemos a oportunidade de discordar sobre o mesmo assunto.

      Salazar era um escrupuloso cumpridor da lei – com alguma excepção no artº 8 da Constituição de 1933 – e dirigiu o que foi chamado “uma república de doutores” (significando juristas). Isso fez escola – advogados são hoje considerados aptos a exercer qualquer cargo directivo ou ministerial maxime ministros das Finanças, apesar de terem apenas uma cadeira de Finanças Públicas.
      No lamentável presente, o permanente desrespeito até por normas que os próprios criam – como agora com Costa a apoiar Vieira contra outros candidatos – provoca reacções, uma das quais é exactamente generalizar o âmbito da lei, aplicando as suas regras, apenas válidas para investigação, inquérito, pronúncia e julgamento, à sociedade em geral e até aos “fora” de opinião num vão desejo de sanear uma fossa que deixa os estábulos de Augeas a perder de vista.

      Como evidente, isto é um disparate a que eu chamo juridismo.

      O que nesta matéria regula ou devia regular a sociedade e a opinião pública é o Artº 19º DUDH (Declaração Universal dos Direitos do Homem, incorporada na legislação constitucional portuguesa) que estatui que todos nós temos o direito de formar as nossas próprias opiniões e de expressá-las e compartilhá-las livremente.
      Por exemplo. Quando há anos soube que Sócrates tinha autorizado a construção do Freeport na mesma zona protegida em que recusara um cemitério meses anos, eu concluí que havia fortes probabilidades de ser corrupto dando apenas o benefício da dúvida por ser possível que fosse mais sensível à questão económica do que à sanidade pública. Factos subsequentes vieram apenas eliminar esse benefício de dúvida e, para mim, Sócrates é corrupto.

      É a minha opinião e tenho direito a expressá-la e compartilhá-la. E nada disto colide com as regras judiciais. Ainda que, como não é impossível, Sócrates venha a ser ilibado por insuficiência de prova e, no limite, formos todos chamados a pagar-lhe uma indemnização pela prisão indevida, eu posso legitimamente continuar a afirmar que Sócrates apesar de judicialmente ilibado, na minha opinião é corrupto.

      Ao contrário do que pretende o poder instalado, desde Salazar que chamou Domus Justitiae aos Tribunais até hoje em que isso é diariamente evidente, lei e justiça são coisas diferentes; e desde Roma em que inicialmente tiveram uma forte relação, essa tem vindo a esbater-se ao longo da história e hoje é muitas vezes mais antagónica do que concordante.
      Justiça, como aqui já escrevi, é um princípio que consiste em dar a cada um aquilo que lhe cabe. Mas numa sociedade sem regras o conflito seria permanente e daí a necessidade de regras a que todos obedeçam. Lei é isso. Apenas um utilitarismo social que deve ou deveria, ser formulada por forma a evitar o maior número de conflitos no respeito pelo princípio da liberdade.

      Enquanto a filosofia grega foi deduzida a partir do princípio da verdade, o direito romano foi deduzido do princípio da justiça e o direito actual foi deduzido do princípio da liberdade. Apenas, na minha opinião, o direito actual maxime em Portugal, sofreu um viés e fixou-se no direito do infractor, menosprezando os direitos das vítimas. É o que muito autores chamam um direito excessivamente garantístico e que, muitas vezes impede condenações por inadequação da prova e sempre as impede em tempo útil.

      Só isso já seria muito mau. Mas agora, sem acusações de carácter nem de intenções, começa a desenhar-se uma tendência que deve ser combatida implacavelmente. É que o direito do acusado – presunção de inocência – começa a ser utilizado para retirar à sociedade o direito de opinião. Assustador.

      1. tivemos a oportunidade de discordar sobre o mesmo assunto

        Eu neste caso não vejo em que é que eu discordo de si, ou você de mim.

        Você ou eu temos todo o direito de acreditar que Luís Filipe Vieira (LFV) tenha ou não tenha cometido uma variedade de delitos. Ninguém nos retira tal direito.

        O que eu disse é que o facto de o Ministério Público ter classificado LFV como arguido nada nos diz sobre a sua eventual culpabilidade. O Ministério Público farta-se de cometer erros e aleivosias, e não é por ele classificar LFV como arguido que LFV passa a ser mais ou menos digno de consideração do que era.

        1. LFV é um homem condenado por furto de um camião. Independentemente de ser arguido ou não nestes casos mais recentes é um homem com cadastro.

        2. “O Ministério Público farta-se de cometer erros e aleivosias, e não é por ele classificar LFV como arguido que LFV passa a ser mais ou menos digno de consideração do que era.”

          A questão não é essa. O problema é um primeiro-ministro pertencer a uma comissão de honra de recandidatura de um indivíduo que está indiciado na prática de crimes que envolvem titulares de órgãos de soberania. Mandava a prudência que guardasse distância.

      2. “Ainda que, como não é impossível, Sócrates venha a ser ilibado por insuficiência de prova e, no limite, formos todos chamados a pagar-lhe uma indemnização pela prisão indevida, eu posso legitimamente continuar a afirmar que Sócrates apesar de judicialmente ilibado, na minha opinião é corrupto.”

        Pode ser essa a sua opinião mas, nos pressupostos acima mencionados, se expressar essa opinião publicamente, poderá ser objecto de um processo por difamação.

        1. Poder podia mas não seria condenado.
          Se Sócrates fosse declarado inocente das acusações já não seria assim mas se, como eu disse for ilibado por falta de prova bastante eu mantenho o meu direito a expressar e compartilhar a minha opinião.
          As regras judiciárias são válidas no âmbito judicial, não têm validade de lei.

          O mesmo ocorreria se Sócrates ou quem quer que fosse, não fosse condenado por prescrição como ocorreu no caso de Melancia, antigo governador de Macau e no caso da importação de sangue contaminado em que era arguida a mãe da ex-ministra da Saúde Leonor Beleza.
          Nenhum deles foi condenado mas a minha opinião é que Melancia era culpado e da ex-directora-geral não sei se tinha culpa pessoal mas tinha responsabilidade profissional, no mínimo por omissão. E também tenho a opinião pessoal que não há coincidências, isto é que a procuradoria-geral da República ter deixado prescrever pela mesma época, dois processos um de alguém afecto ao PS e outro ao PSD foi acordo interno.

          1. Está equivocado. Não existe diferença entre ser ilibado por falta de provas ou ser declarado inocente. Se alguém é considerado inocente em julgamento é porque não conseguiram provar o que quer que estivessem a acusar. E quando não se consegue provar é porque não há provas, aka declarado inocente por falta de provas.

          2. “E quando não se consegue provar é porque não há provas…”

            Ou o tribunal entendeu não aceitar essas provas, ou o ministério público não quiz recolher essas provas ou recolheu-as de forma ilegal ou, se ainda não chega, se o procurador geral da República Pinto Monteiro, da mesma origem política e geográfica de Sócrates mais o presidente do STJ Noronha Nascimento decidem mandar destruir as escutas telefónicas a Sócrates.

            Mal, aliás pior estaríamos se isso pudesse vir a afastar ou limitar o direito de opinião.
            (sem prejuízo do que entender, eu considero este assunto terminado)

          3. Mandou destruir as escutas no cumprimento da lei que assim o determina. Bem sei que eram escutas bastante sumarentas onde muito provavelmente se ouviriam uns piropos a adversários políticos ou conversas de alcofa. Ficaram a perder os que gostam de novelas. O resto é treta.

          4. Ambos os ST por vezes confundem-se com lojas de aventais e só estes teriam poder para determinar a perda de apoio a Sócrates que se tinha tornado um risco excessivo. Mas as conversas não seriam apenas insultos ou de alcova. Muito pelo contrário, teriam provavelmente identificado e permitido chamar ao processo mais uns quantos e isso é que era importante evitar.

            Uma lei que manda DESTRUIR por proposta do PGR e aprovação pessoal do presidente do STJ, sem antes passar por qualquer secção do tribunal, se existe, o que duvido, aposto que é recente e foi já feita à medida. Agora privar para sempre historiadores no futuro de aceder a conhecimento sensível é típico desses. Assim de repente lembro-me dos processos judiciais de investigação do regicídio e do assassínio de Sidónio que também desapareceram.

            Finalmente acho que nada tem de Maquiavel. Ou é ingénuo ou é treta ou mais provavelmente ambos. E é chato, porque me fez voltar a uma questão que preferia abandonar e está fora do tópico do post.

          5. … historiadores do futuro de conversas de alcova? Não me parece. O resto são suposições, desejos, wishful thinking…

    3. O meu caro comete um erro fatal. O MP não constitui ninguém arguido só porque lhe dá na telha. O arguido é constituído quando existem fortes suspeitas de ter cometido um crime. Quando não existem essas suspeitas, é apenas um suspeito, ou seja, uma pessoa de interesse.

      E quando existem essas fortes suspeitas, os arguidos estão sujeitos a medidas preventivas e até privativas da liberdade, em alguns casos.

      Rui Rangel esteve suspenso de funções, o funcionário judicial esteve suspenso de funções.

      E estes dois não foram ainda julgados.

      O problema é a morosidade da justiça, que se fosse competente e eficaz, julgaria o processo, antes de terminarem as suspensões.

      1. O arguido é constituído quando existem fortes suspeitas de ter cometido um crime.

        Pois. Um magistrado do MP tem todo o direito, tal como eu tenho e Você tem e qualquer pessoa tem, de ter ou deixar de ter fortes suspeitas de que alguém (LUís Filipe Veira, neste caso) cometeu um crime. O ponto é que, o MP não tem o direito de constituir alguém arguido somente porque o seu magistrado tem fortes suspeitas. O MP tem que ter provas e não somente fortes suspeitas! E o que se verifica na prática é que o MP constitui alguém arguido e, passados vários anos, ainda não tem provas (ainda não constituiu acusação) e, mesmo quando julga que as tem, o processo vai a julgamento e as provas são consideradas inexistentes ou inválidas…

        E o problema é que, durante os vários anos em que o indivíduo permanece como arguido – sem que no entanto o MP disponha de quaisquer provas nem formule qualquer acusação concreta – esse indivíduo vai sendo publicamente tratado como se de um criminoso se tratasse. Ocasionalmente, como aconteceu com Sócrates, esse indivíduo até sofre o enxovalho (e o prejuízo profissional, monetário e pessoal) de ser metido na prisão por uns meses – sem que contra ele seja sequer formulada qualquer acusação, nam o MP disponha de quaisquer provas!

        É isto que é inadmisssível: que o MP utilize a figura de arguido como se de uma condenação se tratasse, e que a sociedade aceite – como é feito neste post – que um arguido é um criminoso.

        Eu recuso-me a aceitar isso.

        1. Então emigre. As provas são analisadas em tribunal, na fase de julgamento. A obtenção dessas provas competem ao MP. O MP reúne as provas, não as julga procedentes ou improcedentes. Quem o faz é o juiz. O MP apenas verifica se foram obtidas corretamente.

          E já agora, o MP tem não só o direito, como o dever, de constituir um forte suspeito arguido. Quanto mais não seja para proteger o próprio arguido. Que como arguido tem o direito de mentir, omitir, ou simplesmente não prestar declarações.

          Estudar o código de processo penal é necessário, meu caro.

        2. Subscrevo.

          Acrescento que o “problema” é mais profundo: o poder judicial é o único que não se encontra sujeito ao escrutínio popular, admitindo-se a priori a sua independência como quem assina um cheque em branco.

        3. É o MP que constitui uma pessoa como arguido ou isso é da competência do juiz de instrução, ouvindo as alegações do MP? acho que o MP só tem a competência de, mediante os factos ou provas, acusar ou não.

    4. Não lhe ficava mal sitar outras partes do texto

      Vieira integrou a lista dos maiores devedores do BES, causou perdas de 225 milhões de euros ao Novo Banco (de acordo com a auditoria feita pela Deloitte a esta entidade financeira)

        1. Lê-se cada calinada nestas caixas de comentários. E quem escreve assim nem se apercebe dos erros de palmatória que anda a semear por aí.
          Dantes, os analfabetos escondiam-se. Com vergonha. Hoje exibem-se nas redes sociais.

    5. É pena esse argumentário não se aplicar a outros casos. O arguido Sócrates, só para nomear o mais famoso, não beneficiou dessa presunção quando antigos membro do seu governo (António Costa incluído) lhe criaram um ring fence alto e robusto. Idem Miguel Macedo, que veio a ser ilibado das acusações e que foi alvo do mais vil ataque do pasquim correio da manha tv quando transmitiram em directo o interrogatório.

      Obviamente é um erro e António Costa e muitos portugueses se indignam com esta promiscuidade, não são só os escrevinhadores.

      1. A questão, aqui, tem a ver com António Costa.
        Porque:
        – Enquanto PM, intromete-se num processo eleitoral num clube desportivo em que existem pelo menos cinco candidatos à presidência dessa agremiação;
        – Enquanto PM, aceita integrar a “Comissão de Honra” de um candidato arguido em processo-crime e indiciado noutros, funcionando na prática como testemunha abonatória do indivíduo em causa;
        – Enquanto PM, aceita apoiar um indivíduo que lesou pelo menos três instituições bancárias: o BES (de que era um dos principais devedores), o NB e a CGD.

        Nunca, até hoje, um primeiro-ministro no exercício de funções fez questão de evidenciar de modo tão gritante como existe de facto promiscuidade entre política e futebol.

        Já nem falo do apoio manifestado a Vieira pelos presidentes das câmaras de Lisboa e do Seixal, simétrico do apoio manifestado a Pinto da Costa, há meses, pelos presidentes das câmaras do Porto e de Gaia, que aliás também critiquei aqui.

  3. Bom dia Pedro Correia.
    Alguém que explique à criatura.
    Um gajo dizer que está numa comissão de honra como sócio e não como PM, é capaz de ser o mesmo que dizer à mulher que vai visitar a Kikas, apenas como homem, não como marido!
    Saúde.
    António Cabral

  4. Bom dia,
    O problema é que a ética há muito que se divorciou de quem exerce cargos políticos. Qualquer político com alguma ética sabe que nao terá qualquer sucesso.

    Po

      1. Também era preciso que alguém tivesse os Lycopersicon esculentum para lhe perguntar sobre o assunto.
        E qual o pior calote, o do cigano que saca o rendimento mínimo ao Estado ou do bigodes que saca o máximo rendimento ao BES.

  5. Um tipo que está na Comissão de Honra como sócio e não como Primeiro- Ministro, é o mesmo que dizer à mulher que vai à Kihas como homem e não como marido……!

    A.Vieira

    1. Vejo neste momento, num canal televisivo, um destacado deputado do PSD elogiar Vieira, enquanto membro da “Comissão de Honra” da recandidatura do ainda presidente do Benfica. E questiono-me: esta gente não terá mais nada para fazer? É isto que preocupa os deputados do PSD?

  6. Tudo isto acontece por falta de condições no país. Um tipo tem de se refugiar em alguma coisita.

    Os coitados dos migrantes e refugiados têm de dar de frosques por falta de condições. Creio que o que vamos assistindo nos diversos recintos sociais tem mais a ver com empreendedorismo que com falcatruas.

    Em um país onde nem um refugiado se sente a salvo, não podemos criticar quem procure asilo em melhores paragens:
    https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/refugiados-saem-de-portugal-apos-o-fim-dos-programas-de-acolhimento-alegam-falta-de-condições

    É sabido que em Portugal todo mundo ganha poucochinho, todo mundo é muito humildezinho, todo mundo tem direito a viver numa tenda ou ao ar livre. Como tal, creio que o mote dado por PPC é o mais adequado:
    Os portugueses têm de fazer-se à vida.

  7. Caro Pedro

    Esqueci-me de dizer que a sua análise é provavelmente a mais certeira de todas. Excelente.

    A questão do cálculo prejuízo/benefício já tinha mais ou menos intuído mas faltava-me o porquê. Que Costa faz este sacrifício para ocupar espaço dentro clube Ventura no clube não me tinha ocorrido. É absolutamente medonho e inqualificável que a política passe para lá da clareza da superfície e comece a descer a estes tugúrios onde se movem estas criaturas sem escrúpulos.

    Mas agora levanta-se outro problema: a questão do Novo Banco / Dívida de LFV / Benfica onde fica subententido a existência de uma tolerância especial de Antonio Costa… no final de contras se calhar não retira votos nenhuns ao Ventura ..

    1. Meu caro: não por acaso, Ventura – que fala sobre tudo, a toda a hora – tem mantido silêncio sobre este tema.
      Aqui podemos concluir: Costa e Ventura, a mesma luta. Porque estão na mesma trincheira.

  8. Questiono-me se, no caso de Vieira e/ou Benfica vierem a ser condenados em um ou vários destes processos, Costa, Medina e companhia dirão para as televisões, como disseram em relação a Sócrates, que não sabiam de nada, nunca suspeitaram de nada, nunca perceberam nada, nunca viram nada.

    Em relação à apresentação tímida pela Ministra da Justiça das (igualmente tímidas) medidas, recordo o facto de ter sido seguramente a timidez da Ministra que a fez limitar a seis os meios de comunicação social escolhidos para lhe fazerem perguntas.

    1. Medina e o autarca comunista do Seixal também agiram mal, obviamente.
      Mas em matéria de relações perigosas entre clubes e autarquias há precedentes diversos, nas mais diversas cidades e regiões.

      Recordo que há poucos meses o presidente da Câmara do Porto e o presidente da Câmara de Gaia não só apoiaram Pinto da Costa num processo eleitoral em que o presidente do FC Porto enfrentava três adversários mas aceitaram até integrar um órgão social do clube, algo inaudito na segunda cidade do País.

      Na altura, pronunciei-me aqui:
      https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/pinto-da-costa-e-o-seu-ungido-11596591

      Concluindo: poucos, na política, têm autoridade moral para discorrer sobre este tema. Porque os telhados de vidro são generalizados.

      1. Caro Pedro Correia, muito bem, concordo com tudo! Não posso deixar de ficar surpreendido também com o facto do presidente do NB ter mostrado no parlamento uma folha com um mapa do abatimento da dívida do Benfica, em que foi possível perceber que o mesmo referia-se a 7 exercícios e atendendo ao facto dele ter dito que o Benfica era um excelente cliente que amortizou a quase totalidade de uma dívida que ascendeu aos 202.000.000,00 de Euros e ainda sabendo nós que esses 202 milhões eram apenas uma fatia do total da dívida, pergunta-se, mas o Porto foi (e bem) colocado em Fair Play financeiro por quanto? Ser+a que os balanços do Benfica espelhavam correctamente essa divida colossal? Não somos nós todos uns verdadeiros papalvos que indirectamente patrocinamos este mundo de vedetas, carros de luxo, mansões, operações das esposas às mamocas, férias em Ibiza a 10.000 euros por dia, etc, etc….

  9. Notas breves.

    A lei garante a presunção da inocência até trânsito em julgado, muito ao contrário da corrente moda de condenação na praça pública, porventura herança das caças às bruxas do passado.

    Eticamente, um alto responsável político deve, quanto a mim, assumir distanciamento cautelar relativamente a determinados envolvimentos que coloquem em causa a sua idoneidade.

    Todavia, manda o instinto de conservação da espécie política que as manadas de votos lhes sejam favoráveis, o que permite a invocação alternada da lei e da moral conforme as circunstâncias e ao sabor da maré das sondagens.

    Perante esta lógica isenta de pruridos morais todas as indignações se revelam inúteis.

    1. Discordo. As indignações não são inúteis. Inútil é o silêncio daqueles que preferem não ver, não ouvir, não falar.

      Claro que o princípio da presunção da inocência é inquestionável.

  10. Para mim o dilema Costa-esperto, Costa-ingenuo é simples: Costa quer mesmo dar à sola. E se o PR não vai na cantiga duma determinada maneira ele insiste doutra. Ele não é burro, e já percebeu que os tempos de bonança que lhe permitiram rir do diabo acabou. O tempo, agora, é mesmo do diabo e ele nunca o poderá vencer. É tempo dos homens do lixo virem apanhar os cacos. Ele é um dandy da política : não tem vocação para governar em tempos de pandemia. Talvez ache que este é um tempo de PPC – “um político menor”, adequado aos tempos que vivemos

    Zé do boné

    1. Tal é a qualidade desta bicharada, até no que se afigura ser um indisfarçável e continuado conluio entre Drs. Costa e Marcelo.
      Nada me admiraria se para desejado desenlace, esta dupla arranjasse uma artimanha para Costa se pirar apagando rasto.

  11. O santo oficio nunca acabou em Portugal,e apontam o dedo a tudo o que é vermelho.
    Dizem que o Vieira é o pai ilegítimo do Ventura, mas verdade seja dita não passam de meras acusações infundadas por gente sem escrúpulos que os quer ver na fogueira.

  12. Lá está.
    Costa, Marcelo e subjugados súbditos, agradassem encarecidamente a caridosa escolha de Ventura por consenso universal, para saco de pancada de época.
    Enquanto isso os titulares do estado a que isto chegou, desde a saúde aos negócios, passando pelo circo generalizado que montam, vão folgando os costados ao lado da coluna que não está.

  13. Seguindo a sua linha de análise, dificilmente será marcação a André Ventura, dado que, neste caso, apoiam a mesma pessoa (tendo em conta os tempos que correm, é, já de si, bastante bizarro).

    Poderá ser um aviso à navegação quanto à separação de águas em relação à candidata Ana Gomes, crítica confessa de LFV & Co.

    Às vezes, o mais simples explica a realidade: aquela sensação de tudo ser permitido a António Costa, em tempos de ‘emergência pandémica’ que o leva a cometer erros que lhe poderão sair caro.

    Pertencer a uma comissão de honra da recandidatura à presidência de um arguido quando guardou distância em relação a um outro arguido, companheiro de partido e de governo noutros tempos, é muito estranho.

    1. Costa pretende pescar nas águas benfiquistas, e nesse aspecto compete com Ventura. Sem rodeios nem pruridos.
      Para mim, só isso explica o apoio de Costa – enquanto PM – a Vieira.

      Não dando ponto sem nó, sabia que corria um risco. Mas preferiu correr mesmo esse risco. Pensando (e geralmente as coisas até funcionam assim) que os escândalos, em Portugal, têm um prazo de validade não superior a 48 horas.

      Neste caso, menosprezou a reacção da opinião pública. E acaba por fornecer forte munição eleitoral à candidata Ana Gomes. Como se verá.

  14. O mal dos Portugueses é falarem muito , escreverem muito , e esquecerem-se do quanto lhes roubam , isto são factos . Somos roubados todos os dias Por esta cambada de políticos corruptos de todos os quadrantes , e muitos acham bem que se dê , porque já deram 252 milhões a um energúmeno, e que o filho dele , um miúdo ande a gerir centenas de milhões nossos . POVO ESTÚPIDO .
    Sem muitas considerações juristas, está é a nossa realidade , o resto é facciosismo.

  15. Apenas e só javardices políticas! O famoso Mundo Cão repete-se indefinidamente.
    Pobre povo que a tudo te sujeitas!
    E é desta massa pegajosa e viscosa que são feitos alguns (muitos) dos “timoneiros” que por aí pululam encharcados até ao pescoço!
    Apenas escarros!

  16. Francamente, nao percebo…
    Apoiar uma candidatura a presidencia de um clube implica cuidados extremos em relcao a idoneidade do candidato, que, tanto quanto sei, e arguido mas mas nao tem nenhuma condenacao?
    Sou “Sportinguista de alma & coracao”, acho que o presidente do Benfica, Porto ou qualquer outro que seja adversario do Sporting, e obviamente “bandido, malfeitor e que devia ser preso”, mas o que e que as minhas opcoes politicas tem a ver com o assunto?
    Se gosto do Costa? obvio que nao, e do benfica!!! se gosta do “JJassus”, do jogador “fulano de tal” ou do massagista, e problema do “Costa lampiao” e nao tenho nada a ver com isso!!!,
    Que o imbeciloide do ventura nao apoie o Varandas e/ou que apoie o do belenenses por questoes politicas, e problema dele!!!
    Nao e idiota porque sujeita o apoio a questoes politicas, e idiota pelos principios politicos que defende, tal como o primeiro ministro tem que ser julgado pelas actuacoes politicas e nao clubisticas…
    Francamente, sejam serios e tratem dos assuntos serios nos seus devidos lugares, e deixem os “futebois” para a mesa do cafe.
    Prendam o Vieira, o Costa, o Manel ou o Joaquim em funcao dos actos nao legais que cometeram, nao por futebolices de caca ou indexacoes idiotas de clubismo, prendam-nos a todos pelas trafulhices dos bancos, lobbies, esquemas, corrupcao, lavagens de dinheiro e tudo o mais, mas nao misturem o clubismo com cargos que exercem, sejam eles publicos ou nao.
    Cruxifiquem o Vieira pelo resultado do jogo (bendito PAOK…) e o Costa pelo estado do pais, mas deixem cada um ter os seus gostos, preferencias, clubes, restaurantes, cinemas e similares preferidos sem terem que fazer coneccoes idiotas e perfeitamente parvas.
    PS – No sou apoiante do Costa, gosto mais do Messi do que do Ronaldo, gosto de salada de ovas e nao gosto de cenoura, acho “a nao sei quantos ferreira” uma idiota e nao gosto de cafe com leite…
    E o que e que tudo isto tem a ver com o meu hipotetico apoio ao Varandas?
    Rigorosamente nada.
    Sao opcoes pessoais de um “anonimo”, que por acaso nao e primeiro ministro nem director do banco de Portugal, mas que tem os seus gostos pessoais.
    Como qualquer outro cidadao.
    Como voces.

  17. Este burburinho tem tudo a ver por ser com o Benfica. Já se esqueceram dos almoços de Pinto das Costa na Assembleia da República com deputados e ministros? E nunca ninguém disse nada. De certeza que alguns favores também deviam então vir dali.

  18. O PAIS ESTÁ SEM DINHEIRO. O NOVO BANCO PARA ALÉ DOS 200 E TAL MILHÕES DO VIEIRA AINDA FOI EMPRESTAR + 28.000.ENTRETANTO O BENFICA FOI ELIMINADO DA LIGA CHAMPION. O NOVO BANCO COM PENA VAI EMPRESTAR OUTRO TANTO.PAGA O POVO.POLITICAMENTE CORRETO.
    CHEGA CAMBADA DE MORCEGOS COVID

    1. Tente escrever, da próxima vez, sem usar letras maiúsculas. Ninguém consegue ler.
      Da próxima vez, o seu comentário só em maiúsculas será remetido ao “arquivo geral” – nome elegante que costumo usar para caixote do lixo.

  19. Não sei com o Benfica consegue fazer estas coisas, mas conseguiu mais uma vez unir todos os anti-benfiquistas contra si. Gordos, magros, feios, bonitos, ricos ou pobres.

    Independentemente de concordar ou não com a partição do Primeiro-ministro na comissão de honra, fico preocupado com o estado do Estado. Como é possível num Estado de direito alguém usar como argumento o facto de uma pessoa estar acusada, sendo presumivelmente inocente até que termine um julgamento?

    Podem usar todos os argumentos, mas este é uma violação do Estado de direito que alguns lutaram para conseguir. Recordo que a maioria, senão todos os casos em que o Benfica está envolvido, resultaram de acusações anónimas ou ilegais, que deram origem a investigações.

    Não podemos bater palmas ao roubo de correspondência quando isso nos dá jeito, e a sua divulgação manipulada como disse a juíza, estas sim violações imediatas do Estado de direito.

    Por esta ordem de ideias ninguém faz mais nada neste país. Bastaria uma denúncia anónima para qualquer pessoa ser Descriminada.

    É também importante refletir porque um político participar numa comissão de honra, que terminadas as eleições não interessa mais, dá mais polémica do que ser eleito numa lista para um clube de futebol. Rui Moreira foi eleito e é presidente de câmara. António costa, nem que a lista do Vieira ganhe, não será eleito para absolutamente nada.

    Algo estranho se passa em Portugal. LFV consegue ter mais anticorpos que PC e Rui Pinto, Rui Moreira qualquer um deles já condenado ou com situações muito duvidosas por esclarecer.

    1. Escreveu muito mas disse pouco.
      Fiquei sem perceber, por exemplo, se concorda que o primeiro-ministro seja apoiante assumido e avalista da “honra” de alguém que lesou o BES, o Novo Banco e a CGD.

  20. A caução passada pelo PM e cidadão António Costa ao presidente do SLB e cidadão Luís Filipe Vieira não permite duas leituras. Só tem uma, a que indigna qualquer pessoa de bem.

  21. Quando os processos forem concluídos e o homem for absolvido, espero que tenha a decência também nessa altura de fazer uma “crónica” sobre o assunto. Até agora é apenas arguido e até ser condenado é inocente, todos nós sabemos as inúmeras pessoas que adoravam a sua saída de cena, sportinguistas frustrados, perdedores crónicos, portistas que perderam o controle do apito dourado, alguns que se dizem benfiquistas e adoravam estar a mamar em vez dele, etc, o tempo sempre foi um bom conselheiro e o tempo nos dirá ,mas parece-me óbvio que neste momento o que importa a essa gente toda é afastá-lo de cena, afinal de contas é só moralistas , jornalistas idóneos(sabemos como está o jornalismo, são autênticas prostitutas)escribas de fim de semana, tudo gente séria que nunca atirou uma pedra, é disso que o povo gosta.

  22. dias antes, outrem, noutro blog, tambem expressava protesto. Mas, sem poder agora traduzir, no fim, perguntava o que é que este politiico inteligente esperava ganhar ?

    Agora, o PC, que volta ao tema, dá a resposta : Costa percebe a importancia de estar associado a uma “familia” de milhoes de portugueses.

    Mas tambem diz, o PC, que, assim, Costa se constitui testemunha abonatoria de um sujeito altamente suspeito.

    Nesta novela, gostei da iniciativa do Vale de Azevedo. E nao só supomos falta de controlo dos juizes, como ao menos todos os juizes que se sentam no banco dos reus, deveria abrir-se investigaçao a todos os processos que julgou.
    Para mim, nao só o Tribunal é o circo dos advogados, com o juiz mero arbitro, como os tribunais da relaçao devia ser listado o juiz e o beneficiado em cada processo. Se uma mesma entidade ganha aí, Relaçao, os processos …

    1. Costa cometeu um risco calculado.
      Na avaliação dos prós e contras, entendeu que a captação de simpatias entre os benfiquistas seria superior às críticas que a colagem dele a Vieira suscitaria.
      Mas neste caso – e neste contexto de crise pandémica, económica e social – menosprezou o potencial de indignação dos portugueses.
      Incluindo de muitos benfiquistas.

  23. Talvez tenha sido o maior erro politico que o Costa fez, enquanto governante. Por mais que diga que é uma opção estritamente pessoal, não se escapa a ficar manchado. Fosse porque clube fosse, ficaria sempre mal na fotografia numa altura em que cada vez mais se fala na separação entre política e futebol, mas quando se associa a uma das personagens que melhor representa o que de pior se faz neste país,,,,não tem como escapar. Olhando para o que aconteceu num passado não muito distante e o que aconteceu com outros dirigentes de clubes igualmente acusados de crimes gravíssimos e com provas de sobra, também não tenho dúvidas que o orelhas irá escapar por entre os pingos da chuva. Entre prescrições, perdas de provas e erros processuais, vai ficar tudo na mesma ficando a pairar mais uma vez o cheiro podre da possível interferência da politica na justiça em prol do futebol, com o Costa como principal suspeito.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *