Costa e a “diletância”


Pedro Correia,

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António Costa falou há pouco no Palácio de Belém, onde assistiu à posse dos novos ministros e secretários de Estado, na quarta remodelação governamental ocorrida nesta legislatura. Aproveitando o local e a ocasião para fazer propaganda política, já a pensar na eleição de 26 de Maio, que permitirá aos portugueses escolher os nossos próximos eurodeputados. No dia em que, segundo uma sondagem da Aximage, a sua avaliação é a mais negativa, aos olhos dos portugueses, desde que assumiu o cargo de chefe do Executivo.

Confrontado pelos jornalistas, acabou por dizer aquilo que talvez não pensasse inicialmente, omitindo o respeito institucional que lhe deve merecer o Parlamento Europeu. Pronunciando-se, ainda por cima, na sede do representante máximo do poder político português – que não é ele, como sabemos.

«É saudável que haja membros do Governo que estejam disponíveis a servir o País no Parlamento Europeu. O Parlamento Europeu não pode ser só um local de diletância política e de sound bites», declarou o primeiro-ministro. Pouco lhe faltou para apelar, ali mesmo, ao voto em Pedro Marques e Maria Manuel Leitão Marques, os ministros que acabam de sair para concorrerem ao órgão legislativo que tem sede em Bruxelas e Estrasburgo.

Vão substituir, no elenco de candidatos do PS, os eurodeputados Francisco Assis (que foi o cabeça-de-lista em 2014) e Ana Gomes. Ambos “diletantes”, presume-se. E especialistas em sound bites. Terá sido por isso que Costa lhes passou guia de marcha? Devem estar ambos satisfeitíssimos por receberem estes doces qualificativos, da parte de quem por cá manda, na hora do regresso à pátria.

0 comentários em “Costa e a “diletância””

  1. Ambos “diletantes”, presume-se.

    Presume mal.

    António Costa, ao falar de diletantismo e sound bytes, estava certamente a referir-se a outros eurodeputados que não a esses dois.

    Terá sido por isso que Costa lhes passou guia de marcha?

    O Pedro Correia está a partir do princípio de que um (euro)deputado deve ter lugar cativo nas listas, que tem um emprego fixo e permanente, que poderá e deverá continuar a ser (euro)deputado toda a vida.

    Esse princípio é errado. O (euro)deputado, em princípio, deverá cumprir essa função durante algum tempo, findo o qual irá para outra ocupação qualquer. Ser deputado não deve ser emprego vitalício.

    O facto de um (euro)deputado deixar de estar nas listas não significa que foi corrido delas. Significa simplesmente que as listas vão ser renovadas, como periodicamente devem ser. Para que ser (euro)deputado não se torne numa profissão vitalícia.

    1. O facto de um (euro)deputado deixar de estar nas listas não significa que foi corrido delas. Significa simplesmente que as listas vão ser renovadas, como periodicamente devem ser. Para que ser (euro)deputado não se torne numa profissão vitalícia.

      Não seja ingénuo. O Francisco Assis foi corrido porque todos sabem porquê. É o nepotismo no seu melhor.

      Carlos Cunha

        1. Ninguém aqui falou em rejuvenescimento das listas, pelo que, colocar essas palavras entre aspas é desonesto da sua parte.
          Eu falei de as listas serem “renovadas”, o que é diferente de serem rejuvenescidas.

          1. Há diferença entre “renovação” e “rejuvenescimento”?
            Qual é?
            Renovar é envelhecer?

            Talvez.
            Segundo a lógica do Orwell na sua obra-prima ‘1984’.
            «Verdade é mentira.»
            «Liberdade é escravidão.»
            «Ignorância é força.»
            «Guerra é paz.»

    2. Bravo, Luís Lavoura, escreva mais dessa forma límpida e estruturada e talvez o Pedro Correia o convide a fazer parte dos autores do Delito.

      WW

  2. Saem Francisco Assis e Ana Gomes. Logo, por coincidência, estes dois: o primeiro desde início se mostrou muito crítico em relação à solução governativa maquinada por Costa; e a segunda dizia na noite de eleições estar “em estado de choque” e que “menos do que uma vitória da coligação, isto é uma derrota do PS”.

    1. Não há coincidências.
      Há cinco anos, nesta foto, Costa estaria já a preparar a defenestração dos parceiros. Seguro, nesse mesmo ano de 2014. Assis só agora, pois não foi possível correr com ele mais cedo.

  3. A Maria Leitão vai para conviver com o seu par, assim sempre poupam uns Euros em viagens do saco de Bruxelas, ou recebem mesmo sem viajar?
    Isto está a saque. São cá uns Maduros?

  4. António Costa diz a verdade logo não merece castigo.
    O parlamento europeu não serve para nada, quem manda é a comissão e o eurogrupo sob supervisão da Alemanha e do caniche francês que vai para 14 SEMANAS é contestado na rua pelos “deploráveis” franceses mas cá omite-se isso na comunicação social.

    WW

  5. Cabe notar que Ana Gomes tem 65 anos de idade. Se voltasse a ser eleita, seria deputada até aos 70 anos de idade. Nada de mais, claro, nos tempos que correm. Mas é normal e adequado que a senhora tenha finalmente direito à reforma.
    Ou seja, ela não deixa de ser eurodeputada por ser “corrida”, mas sim porque atingiu uma idade avançada e tem o direito de ir descansar.

        1. O comendador Lavoura esqueceu-se, antes de aplaudir o “saneamento” de Ana Gomes por alegado limite de idade, de conferir o bilhete de identidade da ex-ministra que irá substituí-la na lista eleitoral do PS.
          Tem mais dois aninhos.

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