Demos então um passo atrás e voltemos à proposta de avaliação do cenário macro-económico do PS pela UTAO. Certo. Eu sei que a coisa não era para levar a sério. Se fosse, jamais poderia ter sido apresentada por alguém com os índices de credibilidade de Marco António Costa. E sim. Sei também que a utilidade dessa avaliação seria sempre bastante discutível (é ver o que aqui escreve, a esse propósito, o José Meireles Graça). Mas depois do sms enviado por Costa a João Vieira Pereira, a pergunta que se impõe é esta: que legitimidade tem António Costa para recusar tal avaliação técnica de um documento a partir do qual será desenhado o seu programa de governo quando se arroga ele próprio o direito de sindicar, com inusitada violência, em tom ameaçador e com evidente despropósito, o conteúdo de um artigo de opinião? Isto é, UTAO não, mas tau tau por sms sim?
Costa, a UTAO e o sms do tau tau
Rui Rocha,

De facto (e é desolador), podemos concluir que os nossos “Guias” ou proclamados “Guias” competem furiosamente no “azelhismo” mais primário, sendo difícil fazer pior. Veja-se o sms de A.Costa em todo o seu esplendor e tudo o que de sinistro daí se pode inferir e, na linha de “porque não te calas”, please, o absolutamente dispensável, para dizer o mínimo, louvor público de P.Coelho a esse insígne cidadão D.Loureiro, de cujos feitos tanto a República, realmente, se orgulha… Ó balha-me Deus!!
Se é assim na montra como será no armazém! Isto não pode ser verdade, ou é Costa com o rabo (do chicote) á mostra?
“Que legitimidade tem António Costa para recusar tal avaliação técnica de um documento a partir do qual será desenhado o seu programa de governo quando se arroga ele próprio o direito de sindicar, com inusitada violência, em tom ameaçador e com evidente despropósito, o conteúdo de um artigo de opinião?”
Eu respondo: não tem qualquer legitimidade; tomou aquela atitude apenas por que está desesperado. Só isso.
Da Teodoro Cardoso para o escriba do espesso… que salto.
Costa não tinha necessidade de enviar um SMS. Teria que enviar muitos. – mas se quisesse fazer pressão não era por SMS, manifestamente contraproducente. O comentador, coitado, também não fica muito bem. Quando abrir a boca lá vão dizer, pois…a partir de agora a palavra dele vale metade. Perdeu valor no mercado. Para isso está a infantaria da coligação.
E o artigo era mesmo fraco. Não valia os cêntimos do envio da mensagem. Por alguma razão o jornal deu sumiço ao caso.
http://expresso.sapo.pt/e-a-liberdade-an tonio-costa=f922538
António Costa será levado ao colo, porque a ausência de alternativa precisa de um inútil, balofo, a cumpri-la.
Assim, para que não se comece a pensar noutras alternativas, claramente indesejadas pelo regime de falsa alternância, o regime de alterne, a imprensa terá que levar o menino de ouro ao colo, mesmo que apanhe em cheio com os seus pés de barro.
Para a gente ficar a saber ao certo o que vale essa proposta, nada melhor que perguntar ao dr. Mário Soares ou ao dr. Jorge Sampaio, que desses assuntos são uns mestres. Também servia o dr. Sampaio II, a quem Soares escreveu uma carta.
Mandei-lhe uma carta
Em papel perfumado
E com letra bonita
Eu disse ela tinha
Um sorriso luminoso
Tão triste e gaiato
Como o sol de Novembro
Brincando de artista
Nas acácias floridas
Na fímbria do mar
Sua pele macia
Era suma-uma
Sua pele macia
Cheirando a rosas
Seus seios laranja
Laranja do Loge
Eu mandei-lhe essa carta
E ela disse que não
Mandei-lhe um cartão
Que o amigo maninho tipografou
‘por ti sofre o meu coração’
Num canto ‘sim’
Noutro canto ‘não’
E ela o canto do ‘não’
Dobrou
Mandei-lhe um recado
Pela Zefa do sete
Pedindo e rogando
De joelhos no chão
Pela Sra do Cabo,
Pela Sta Efigénia
Me desse a ventura
Do seu namoro
E ela disse que não
Mandei à Vó Xica,
Quimbanda de fama
A areia da marca
Que o seu pé deixou
Para que fizesse um feitiço
Bem forte e seguro
E dele nascesse
Um amor como o meu
E o feitiço falhou
Andei barbado,
Sujo e descalço
Como um monangamba
Procuraram por mim
Não viu ai não viu
Não viu Benjamim
E perdido me deram
No morro da Samba
Para me distrair
Levaram-me ao baile
Do Sr. Januário,
Mas ela lá estava
Num canto a rir,
Contando o meu caso
Às moças mais lindas
Do bairro operário
Tocaram a rumba
E dancei com ela
E num passo maluco
Voámos na sala
Qual uma estrela
Riscando o céu
E a malta gritou
‘Aí Benjamim’
Olhei-a nos olhos
Sorriu para mim
Pedi-lhe um beijo
Lá lá lá lá lá
Lá lá lá lá lá
E ela disse que sim
E ela disse que sim
E ela disse que sim