A Cartier escreveu-me. Mandou-me num encarte de luxo, com o retrato de uma mulher tão linda como eu gostava de ser, um baiser volé. Diz que é “um perfume de paixão, com uma esteira desconcertante”. A mim o que me desconcertou foi o contraste entre o que gastaram no mailing e a forretice na oferta do produto. Não dá sequer para experimentar na pele. Reduz-se a uma lágrima cativa no cartão por um adesivo. É como se a Cartier me dissesse: “Querida, se a sua ideia é só aproveitar uma borla, esqueça“.
Em legenda, a marca esclarece que Baiser Volé se trata da “expressão original de uma flor majestosa e inalcançável, o lírio”. O lírio? Logo a flor bíblica que simboliza a simplicidade?
Na hora de produzir estas vacuidades, os publicitários, não duvido, sofrem muito à procura de palavras. Para tocar nas cordas frívolas das potenciais consumidoras da nova fragrância da Cartier, eles acrescentam que o lírio em causa “é extraordinário”, porque “fresco, floral e empoado”, ou seja, indicado para quem queira parecer extraordinariamente fresca, floral e empoada. Os termos quase se contradizem. Os oxímoros são um lugar comum neste género de textos, que se destinam a vender coisas praticamente impossíveis.
Não tenho dúvidas, o Baiser Volé vai vender-se neste Natal. As mulheres adoram coisas praticamente impossíveis, aliás é isso que explica o sucesso da indústria cosmética. Quanto a mim, passo. É que ando sem t€mpo para isto.


É isso mesmo, Teresa: o que eles querem é convencer-nos de que, se comprarmos o perfume, seremos assim como a mocinha da imagem, vida, guarda-roupa e tudo.
Eu, que sou da linha dos orientais “chipré” não reajo a este, mas já reagi a muita coisa praticamente impossível.:)
Sabem muito. Com que então floral e fresco, que é como quem diz “estou aqui mas podia estar noutro lado” e depois “poudré” que é para ficar bem marcado? Está certo.
Não há publicidade mais enganosa que a da cosmética, Ivone, mas o problema nem é esse. O problema é que as mulheres sabem-no e ainda assim cedem. Apesar do t€mpo que se perde nas lojas 🙂
Eu também passo, mas com muita pena. Paciência, mas há mais marés que marinheiros. Vou esperar.
Há baisers volés bem melhores e mais baratos que os da Cartier, maria 😉
Cartier a perdu son latin.
Sans doute, cher monsieur.
Empoado? Blergh . Além do que me roubam fui acometida por forretice pura. Não contem comigo.
Eheheh! Blergh é a palavra, Leonor.
A fragrância feminina favorita da minha muito sensível pituitária é esta:
http://loja.avidaportuguesa.com/pt/catal ogo/vidaportuguesa/perfumaria/agua-de-co lonia-grande
Detesto perfumes intensos e peganhentos, daqueles que nos ficam colados ao nariz só de estarmos perto da pessoa que os usa. Um dos mais agoniantes que já me “atacou” disseram-me que se chamava Laura Ashley.
Nota: As senhoras do Delito não esperariam que eu comentasse este post, pois não?
zedeportugal: Os posts do Delito são sempre pr’ó menino e pr’á menina.
Menino?! Um grande bem-haja… acho eu.
😀
Uns ricos “lírios” são estes publicitários da treta, é o que são, Teresa. Até dá vontade de lhes responder: “olhai os lírios do campo; eles não trabalham nem tecem…”
🙂
Gosto da imagem:) e já esteve ela mesma espelhada (falando em perfume, não fica mal) no meu blogue durante bastante tempo:) Dps tirei, ando sempre a mudar o template , não consigo morar sempre no mesmo sítio::)).
Ah.Tb gosto do resto.
Obrigada, aefetivamente.
Bah… Teresa, não perdes nada, como deves ter percebido. Muito, como direi… €njoativo…
€njoativo, é isso, Laura 🙂