Coronavírus: o drama italiano


Pedro Correia,

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O mês que mergulhou Itália na pior crise desde 1945.

 

Covid-19 mata, em média, 33 italianos a cada hora que passa.

 

Ontem morreram 793 pessoas em Itália, vítimas da pandemia: 4.821 faleceram desde 28 de Fevereiro.

 

Catorze médicos italianos já morreram no combate ao Covid-19.

 

Serviços funerários colapsam: militares trasladam corpos das vítimas da pandemia.

 

Caixões acumulam-se sem enterro nos cemitérios e nas igrejas de Bérgamo.

 

Governo de Roma pondera o encerramento de todas as fábricas.

 

Veneza tornou-se uma cidade fantasma.

 

«Parece que os pulmões dos doentes se apagam de repente», diz enfermeiro italiano.

 

10 comentários em “Coronavírus: o drama italiano”

  1. No mesmo dia 943 pessoas “curaram-se” entre aspas porque não sei qual a definição usada pelos Italianos .

    Sair dos cuidados intensivos?

    lucklucky

    1. “Curado”, em Portugal (país que costuma seguir linhas de orientação internacionais, e não inventar), significa sem vestígios da doença e sem sinais do vírus em dois testes consecutivos com 48 horas de intervalo.
      Portanto, nada tem a ver com cuidados intensivos.

  2. Ontem morreram 793 pessoas em Itália, vítimas da pandemia

    Uma estimativa rápida e fácil indica que em Itália deverão morrer cerca de 1500 pessoas num dia normal. (55 milhões de habitantes : 100 anos de idade média de uma pessoa : 365 dias num ano.) Para mais, que não para menos. Pelo que, morrerem 800 pessoas não é propriamente uma calamidade.

    O problema não é Itália como um todo. O problema são a Lombardia e o Veneto. Dessas 800 pessoas que morreram, para aí umas 600 terão sido nessas duas regiões. Aí sim, a mortandade tem sido elevada. No resto da Itália, não.

  3. Governo de Roma pondera o encerramento de todas as fábricas

    Pois já as deveriam ter encerrado há muito tempo.

    Na China foi isso que se fez: encerrou-se as fábricas todas.

    Na Europa está-se a fazer esta mariquice de pôr as pessoas todas de quarentena, mas manter as fábricas a funcionar. Isto não é sério. Isto é atirar areia para os olhos das pessoas. Isto é sacrificar pessoas desnecessariamente.

    (Sei do que falo, porque tenho primos que trabalham em fábricas, e sei que eles continuam a trabalhar em horário totalmente normal.)

    1. Se pararem as fábricas, como se fará o processamento e distribuição de alimentos e bens necessários? Se a China tivesse encerrados as fábricas não teria construído 4 hospitais em 10 dias e nem existiriam trabalhadores.

      Nós só precisamos requisitar os contentores existentes e começar a usá-los, com a necessária alteração para renovação de ar e refrigeração e outros meios ainda, servindo de extensão aos hospitais existentes e também, se necessário, como hospitais de campanha.

    2. Então produzir deixou de ser necessário?

      Ao invés demonstrando o falhanço dos Estados não se vê nada para por os países a funcionar:
      Onde estão as máscaras para milhões de pessoas?
      Emissores de UV-C’s
      Desinfectantes à entrada/saída de todos os estabelecimentos.
      Hospitais de campanha ao ar livre e em zonas de Sol.

      E estou para ver durante mais quanto tempo vão os “especialistas” e quem lhes fez a propaganda sustentar que as máscaras não são eficazes em reduzir as probabilidades de infecção.

      lucklucky

  4. A mim têm-me ocorrido vários pensamentos dramáticos.

    Estou farto de incompetentes. Já estava, mas agora ainda estou mais. Há dois tipos de ignorantes: os que não sabem, mas reconhecem que não sabem e os que não sabem e nem sequer sabem que não sabem. O perigo que estes últimos representam, sobretudo quando investidos em cargos políticos, é enorme.

    Eu confesso que não sei. Pertenço, por isso, ao primeiro tipo de ignorantes referido acima. Mas, consciente de que não sei, interrogo-me. E a primeira questão que se me coloca é se, não morrendo, eventualmente, da doença, não vamos acabar por morrer da cura.

    Reconheço os benefícios de se tentar aplanar a curva do número de casos em função do tempo. É evidente que se temos um qualquer sistema dimensionado para tratar 500 ocorrências, quando surgem 1000 ocorrências o sistema não vai ser capaz de dar resposta. No presente contexto, isso significa que mais pessoas, no imediato, não vão receber tratamento adequado e, em consequência, mais pessoas vão morrer.

    Por outro lado, questiono-me como conseguimos debelar a última grande pandemia ocorrida há 100 anos, a gripe espanhola. Gripe essa que a única coisa que tem de espanhola terá sido o facto de terem sido os espanhóis a denunciar a sua existência, quando ela já grassava há meses nas trincheiras da frente ocidental, durante a 1ª Guerra Mundial, sem que os beligerantes em confronto quisessem dar a conhecer ao inimigo a sua existência.

    Sem se conhecer sequer o agente causador, porque a existência de vírus era então desconhecida – a microscopia electrónia só aparece décadas mais tarde – sem vacina, sem anti-virais e apenas com algumas medidas pontuais de contenção e de mitigação, como foi possível superar essa pandemia que terá causado cerca de 100 000 mortes em Portugal e entre 30 a 80 milhões em todo o mundo?

    A resposta encontra-se, obviamente, naquilo que os especialistas designam por imunidade colectiva.

    Mas passemos, em concreto, ao caso italiano, começando por citar a Bloomberg News.

    “More than 99% of Italy’s coronavirus fatalities were people who suffered from previous medical conditions, according to a study by the country’s national health authority.”

    “The Rome-based institute has examined medical records of about 18% of the country’s coronavirus fatalities [so far, because it’s slow work], finding that just three victims, or 0.8% of the total, had no previous pathology [disease]. Almost half of the victims suffered from at least three prior illnesses and about a fourth had either one or two previous conditions.”

    “More than 75% had high blood pressure, about 35% had diabetes and a third suffered from heart disease.”

    “The average age of those who’ve died from the virus in Italy is 79.5 . As of March 17, 17 people under 50 had died from the disease. All of Italy’s victims under 40 have been males with serious existing medical conditions.”

    Passemos agora a uma notícia do zap.aeiou.pt, que passo a citar.

    “(…) na cidade de Vò, no norte do país, uma comunidade de 3.300 habitantes na província de Pádua, a 50 quilómetros de Veneza. Os cientistas envolvidos dizem que foi uma iniciativa experimental que lhes permitiu criar um “quadro epidemiológico” completo da Covid-19, de acordo com o Financial Times.”

    “Desde o início do surto, as autoridades têm testado e voltado a testar todos os habitantes da cidade – com ou sem sintomas. De acordo com a Newsweek, entre metade e três quartos das pessoas com Covid-19 em Vò, eram assintomáticas.”

    “Conseguimos conter o surto aqui porque identificámos e eliminámos as infeções submersas e isolámo-las”, disse Crisanti. “É isso que faz a diferença.”

    “No segundo teste realizado, registamos uma queda de 90% na taxa de casos positivos. E de todos os que foram positivos no segundo teste, oito pessoas eram assintomáticas”, disse a professora Andrea Crisanti, especialista em infeções no Imperial College London, em período sabático na Universidade de Pádua, em declarações à Sky News.”

    É este o drama italiano, contado segundo a perspectiva de um ignorante daqueles que reconhecem que não sabem, mas procuram saber.

  5. Itália hoje.

    Infectados 46638 +3957 menos que +4821 do dia anterior

    Mortes 5476 +651 menos que os +793 do dia anterior

    Recuperados 7024 +952

    lucklucky

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