Metamorphosis of Narcissus
A frase de Almada Negreiros (in Ultimatum Futurista às gerações portuguesas do séc. XX) é um bom ponto de partida.
(Sei lá porquê… ou talvez não… deu-me para republicar isto).
Há uma estranha disfunção entre os portugueses, naquilo que toca à sua auto-imagem.
Quando se trata de medir as suas próprias capacidades individuais – e se lhes pediria portanto que fossem redobradamente objectivos, justos e razoáveis -, cada um é o maior.
A avaliar pelas críticas fáceis e demolidoras com que invariavelmente brindam o seu próximo (sobretudo se este estiver na berlinda, e especialmente na berlinda política), o auto-conceito de cada português é benemérito e generoso, pois nunca há desempenho alheio que o satisfaça.
Contudo, quando a avaliação incide sobre as capacidades colectivas, enquanto povo, o português é surpreendentemente exigente e do mais masoquista e auto-destruidor que pode imaginar-se.
Não há alma colectiva, não há orgulho. Não há força, nem fé, nem uma arriba! que nos sustente o salto.
Portanto, quanto à capacidade de auto-crítica (: as qualidades), estamos falados.
O erro de perspectiva é revelador.
Quando esta relação de forças se inverter talvez nós, portugueses, cheguemos a algum lado.
Ficaremos então auto-exigentes. E compreenderemos (só assim é possível) as limitações do próximo.
Claro, o que chateia nesta distorção toda, para além do ridículo, é que até lá é Portugal quem paga, e todos nós atrás.


Na mouche, Laura! Os principais inimigos dos portugueses são eles próprios.
Precisamos muito de levar na cabeça! Para ver se a levantamos e deixamos de nos fixar no umbigo.
E desde quando o leitmotiv do blog (“Hoje há conquilhas”) de um Homem de esquerda serve para tamanha inspiração à Laura?
Isto já está a mudar!
Não sei do que falas, Anónimo (je tutoie les anonymes puisqu’ils n’en méritent plus, t’es d’accord, non?).
Da Banda do Casaco: as melhores recordações.
Esse tal blogue, não frequento, a não ser através de links. Acho que o Pedro Correia nos leva lá volta e meia. Mas vou ler.
Escrevi isto há uns anos: um Almada é um Almada.