Convidado: TORQUATO DA LUZ


Pedro Correia,

 

 

Não há como

 

Devíamos vir com livro de instruções

e prazo de validade

porque assim, valha a verdade,

é a maior das confusões:

a gente nunca sabe o dia e a hora

em que se irá embora

e, além do mais, em caso de avaria,

não dispõe de garantia.

 

Era também conveniente

haver livro de reclamações

onde qualquer cliente,

por menos exigente,

nos pudesse apontar imperfeições.

 

Mas, pelos vistos, não há

como mudar o que está. 

 

Torquato da Luz

11 comentários em “Convidado: TORQUATO DA LUZ”

  1. Acho que ia ser um livro de instruções muito grosso e complexo, caro Torquato. E quem o escreveria? Afinal, muitas pessoas já o tentaram – e se algumas, como você, atingiram excelentes resultados, há sempre uns modos de operação que parecem fugir a quaisquer regras…

    (Quanto ao prazo de validade, é preferível não o conhecermos. Poupar-nos-ia alguma incerteza mas sabe-se lá o que as pessoas fariam na véspera de o atingirem. Um prazo de validade tornar-nos-ia numa espécie de replicants do Blade Runner…)

  2. “Não há como” tem a leveza da poesia que flui de rimas e versos… e tem a reflexão.

    Manuais de instruções costumam ser previsíveis, porque têm respostas prontas e tira-dúvidas. Ganhamos a garantia do produto e perdemos a garantia da surpresa… na descoberta do dia-a-dia, na imprevisibilidade da construção, e do aperfeiçoamento.

    “Mas, pelos vistos” o poema já o sabe… já sim!

    ¬

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