Não há como
Devíamos vir com livro de instruções
e prazo de validade
porque assim, valha a verdade,
é a maior das confusões:
a gente nunca sabe o dia e a hora
em que se irá embora
e, além do mais, em caso de avaria,
não dispõe de garantia.
Era também conveniente
haver livro de reclamações
onde qualquer cliente,
por menos exigente,
nos pudesse apontar imperfeições.
Mas, pelos vistos, não há
como mudar o que está.


Gostei mesmo muito (confesso que não lhe conhecia essa veia), Torquato. Parabéns.
Obrigado, caro João Carvalho. Um abraço.
Caro Torquato
Sei que escreve bem ,mas esta veia POÉTICA desconhecia….
Bem haja
Devíamos, sim senhor, Torquato!
Um abraço
Com prazo de validade vimos todos, caro Torquato, só não o conhecemos…
Bem-vindo ao Delito!
Um abraço
Abraço também, caro Ricardo.
Claro que vimos, caríssima Ana, mas sem a devida indicação na embalagem… Outro abraço.
Obrigado pela visita a esta casa, caro Torquato. Um abraço, com votos de que essa inspiração nunca lhe falte.
Eu é que agradeço a honra, caro Pedro. Um abraço também.
Acho que ia ser um livro de instruções muito grosso e complexo, caro Torquato. E quem o escreveria? Afinal, muitas pessoas já o tentaram – e se algumas, como você, atingiram excelentes resultados, há sempre uns modos de operação que parecem fugir a quaisquer regras…
(Quanto ao prazo de validade, é preferível não o conhecermos. Poupar-nos-ia alguma incerteza mas sabe-se lá o que as pessoas fariam na véspera de o atingirem. Um prazo de validade tornar-nos-ia numa espécie de replicants do Blade Runner…)
Quanto à primeira parte, boa vontade sua, meu caro… Já no que toca à segunda, inteiramente de acordo 🙂
“Não há como” tem a leveza da poesia que flui de rimas e versos… e tem a reflexão.
Manuais de instruções costumam ser previsíveis, porque têm respostas prontas e tira-dúvidas. Ganhamos a garantia do produto e perdemos a garantia da surpresa… na descoberta do dia-a-dia, na imprevisibilidade da construção, e do aperfeiçoamento.
“Mas, pelos vistos” o poema já o sabe… já sim!
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