Convidado: F. PROENÇA DE CARVALHO


Pedro Correia,

 

O espírito empresarial público

 

Ontem foi mais um dia de greve no sector empresarial do Estado. Um Tribunal arbitral fixou serviços mínimos. Os trabalhadores não cumpriram. O sindicalista de profissão aplaudiu a subversão com um sorriso, como quem diz: “na empresa pública mandamos nós! O Tribunal que se lixe…”. Este é um óptimo exemplo do que se passa no sector empresarial do Estado (que pouco tem de empresarial). Efectivamente, aqui quem manda são os sindicatos, as comissões de trabalhadores, ou seja, o PCP. Os contribuintes pagam, mas não mandam nada! Qualquer gestor que tente mudar o paradigma da empresa pública com prejuízos crónicos é acusado de administração danosa, vítima de panfletos difamatórios e insinuações variadíssimas, queixas-crime, é um assassino do bem público.

O trabalho dos sindicatos não é defender os trabalhadores. É, pura e simplesmente, impedir que o espírito empresarial do Século XXI chegue ao sector do Estado. Portanto, um gestor que tente mudar qualquer coisinha só pode ser louco ou, no mínimo, muito corajoso.

O bom gestor público é aquele que está caladinho, que não mexe, que não toca nos interesses instalados, que deixa Abril (ou talvez Março) continuar a respirar na empresa pública de prejuízos crónicos. E para isso bastam 2500 euros por mês… Por isso, estou de acordo com a limitação dos salários dos gestores públicos. Deixamos de gastar dinheiro com os melhores e entregamos definitivamente a “empresa” pública aos funcionários ou aos beneméritos. 

Este espírito que tem minado a sociedade portuguesa vai resistindo, mas a realidade começa a impor-se. E a realidade diz-nos que cada dia que passa sem revolucionar o nosso modelo de desenvolvimento público, a conta para pagar aumenta vários milhões… Até que numa manhã iluminada por este sol maravilhoso de Portugal acordaremos falidos (já nem teremos tanga).

Há uma alternativa a este estado de coisas: acabar com o Estado prestador generalizado de serviços e gerador de défices crónicos na nossa economia. Mas isso é criminoso… É fascista, reaccionário e neo-liberal.

 

Francisco Proença de Carvalho

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