O espírito empresarial público
Ontem foi mais um dia de greve no sector empresarial do Estado. Um Tribunal arbitral fixou serviços mínimos. Os trabalhadores não cumpriram. O sindicalista de profissão aplaudiu a subversão com um sorriso, como quem diz: “na empresa pública mandamos nós! O Tribunal que se lixe…”. Este é um óptimo exemplo do que se passa no sector empresarial do Estado (que pouco tem de empresarial). Efectivamente, aqui quem manda são os sindicatos, as comissões de trabalhadores, ou seja, o PCP. Os contribuintes pagam, mas não mandam nada! Qualquer gestor que tente mudar o paradigma da empresa pública com prejuízos crónicos é acusado de administração danosa, vítima de panfletos difamatórios e insinuações variadíssimas, queixas-crime, é um assassino do bem público.
O trabalho dos sindicatos não é defender os trabalhadores. É, pura e simplesmente, impedir que o espírito empresarial do Século XXI chegue ao sector do Estado. Portanto, um gestor que tente mudar qualquer coisinha só pode ser louco ou, no mínimo, muito corajoso.
O bom gestor público é aquele que está caladinho, que não mexe, que não toca nos interesses instalados, que deixa Abril (ou talvez Março) continuar a respirar na empresa pública de prejuízos crónicos. E para isso bastam 2500 euros por mês… Por isso, estou de acordo com a limitação dos salários dos gestores públicos. Deixamos de gastar dinheiro com os melhores e entregamos definitivamente a “empresa” pública aos funcionários ou aos beneméritos.
Este espírito que tem minado a sociedade portuguesa vai resistindo, mas a realidade começa a impor-se. E a realidade diz-nos que cada dia que passa sem revolucionar o nosso modelo de desenvolvimento público, a conta para pagar aumenta vários milhões… Até que numa manhã iluminada por este sol maravilhoso de Portugal acordaremos falidos (já nem teremos tanga).
Há uma alternativa a este estado de coisas: acabar com o Estado prestador generalizado de serviços e gerador de défices crónicos na nossa economia. Mas isso é criminoso… É fascista, reaccionário e neo-liberal.


Também ouvi esse comentário do sindicalista profissional. Uma República dos Bananas, é o que temos.
Muito bem, meu caro. Gostei.
Obrigado pela visita, caro Francisco. Com um tema que nunca deixa de suscitar polémica.
Um grande abraço.
Muito obrigado, Pedro. Foi um prazer. Abraço