Avós
Dos meus quatro avós, conheci três.
Só uma (a avó materna, Odete) conheci bem. Morreu já eu era adulto e pai. Vivia numa quinta, perto de Coimbra, com duas irmãs. Durante o Liceu ia lá passar as férias. Do Natal, da Páscoa e parte das férias grandes.
E era uma quinta a sério. Tinha tudo. Desde os pomares à vinha e aos animais. O leite que bebia de manhã era o das vacas, poucas, que lá havia. Vindimei e vi pisar uvas no lagar e o vinho ser guardado em pipas de madeira. O milho era malhado na eira.
Possivelmente foi uma das razões que me fizeram trocar Lisboa por uma pequena vila alentejana. Vai para dois anos.
O avô materno (Abílio) e a avó paterna (Elisa) morreram era eu criança. Ou seja, não os cheguei a conhecer. Vivia, na altura, em Luanda. Só os conheci quando, em 1959, o meu pai veio gozar a chamada “graciosa” ao Continente.
Regalia de quadro superior do funcionalismo público.
Depois vi os meus pais e sogros serem avós.
Confirmei a importância dos avós para as minhas filhas, sobrinhos e sobrinhas.
Agora que sou avô (de uma Madalena de 27 meses e de uma Maria de sete semanas) verifico que são as filhas que continuam a precisar do pai.
Ainda bem.
Sei que elas saberão tomar conta de um velho, se lá chegar.


É tocante, a confirmação da interdependência das gerações iluminada pela partilha das coisas que dão sentido à vida. Dou-lhe os parabéns, António, por saber dizê-lo.
Obrigado, João.
O melhor do mundo são os avós.
Isabel,
espero bem que as minhas netas, quando maiorzinhas, digam isso do avô :))
É disto que eu gosto, relatos da nossa vida, simples palavras, carregadinhas de sentimento, de muito Amor! Sim, as filhas precisam sempre do pai, e fico triste, porque muitos muitos pais não se apercebem que a ausencia dói, que o Amor precisa de muita presença para ser sentido, reforçado! Pais, não deixem que se levante um muro de impossibilidades, agarrem os vossos filhos, mesmo as pequenas coisas, são importantes…” Bom dia filha, estás bem? Precisas de alguma coisa? Não pai, está tudo bem…almoçamos juntos? Sim, pai… Eu vou buscar-te… ” Não é delicioso, atender o primeiro telefonema, no início de mais um dia, e do lado de lá, sentir o aconchego, a voz docinha do nosso pai? Perder palavras, emoções, momentos, é mesmo uma das piores sensações do mundo, e o que dói mais, claro que é o que fica por dizer…. E garanto-vos, as filhas são umas autênticas esponjas, absorvem mesmo tudo! Um xi-coração, muito repletinho de Amor, para António Pais
Obrigado , Ilda.
Também gosto de histórias simple e contos.
Pena que não seja grande contista. Mas tento :))
Nem bem sei que seria do meu filho sem os avós. Ou melhor, talvez saiba. Seria gente, menino, criança pessoa, mas com muito mais dificuldade. São um complemento fundamental. Um bem hajam aos Avós.
Obrigado por esta visita, caro António. É de sentir uma saudável inveja pela vida que foi construindo e pelos laços que foi solidificando, em equilíbrio com a natureza e com os valores em que acredita. Se toda a gente pudesse fazer o mesmo, o mundo seria certamente bem melhor – não tenho a menor dúvida.
Um abraço.