O dever patriotico de não dizer a verdade
As declarações do actual Governador do Banco de Portugal, e as reacções que suscitaram, mostram-nos bem o estado de coisas a que chegámos: mentir é, neste momento, o dever patriótico de quem ocupa cargos de responsabilidade política, não vá a verdade prejudicar a imagem do país. Esta patetice de cultivar uma imagem falsa – achar que as mentiras muito grandes do passado (o programa eleitoral do PS nas últimas eleições, o acto de esconder o verdadeiro défice, insistir em mais despesa pública) se resolvem alimentando pequenas mentiras (dizer, por exemplo, que a culpa é dos especuladores ou que o Estado não tem uma gestão irresponsável) – dá continuidade à necessidade de “optimismo” que marcou as legislativas de 2009 e até pode funcionar a nível interno. A nível externo, são estas e outras mentiras que tornam evidente a nossa incapacidade para lidar com a situação que enfrentamos.
Acontece que, do lado da Oposição, o dever patriótico de mentir também tem sido explorado a benefício próprio. Temos ouvido, nestes últimos dias, vários notáveis dos partidos de Direita a clamar aos microfones por um grande entendimento dos partidos do arco governativo. Sendo óbvio que isso não acontecerá e que nenhum desses notáveis pretende que aconteça, estes apelos servem um duplo propósito: construir uma imagem de alternativa política, aparentando reagir a um chamamento patriótico pela estabilidade, e fragilizar ainda mais a imagem do Governo. Ou seja, cria-se a ilusão de boa vontade para um pacto de estabilidade, credibilizando tanto PSD como CDS-PP enquanto alternativas reais ao Governo, e fragiliza-se ainda mais o Governo pelas suas demonstrações de inflexibilidade.
Assim, de pequena estratégia em pequena estratégia, o Governo e, agora, a Oposição conseguiram reduzir o debate político à gestão das mentiras, num registo de campanha eleitoral permanente que tratam de dever patriótico. Não sendo este tipo de jogos que os portugueses esperam dos seus representantes num momento tremendamente difícil, é fundamental que o PSD, como alternativa política ao Governo, abandone rapidamente este registo e se preocupe em fazer política. Os portugueses não querem um bloco central ou algo parecido, mas soluções. Algo que o PSD só poderá oferecer se apresentar um programa eleitoral forte, ambicioso e reformista que, com a legitimidade de uma vitória eleitoral, possa mudar o rumo do país.


Tem razão o nosso convidado: seria bom que o PSD se preocupasse em fazer política. Porque até agora, verdade seja dita, só tem oferecido espectáculo e criado ainda mais confusão.
Clap! Clap! Clap! Excelente. Assino por baixo
Não será fácil mudar o rumo, mas é preciso dizê-lo constantemente para enfrentar e tentar vencer a mentira institucionalizada. Os meus parabéns, Alexandre.
like it. Numa sociedade muderna, um politico, ou o governador do banco de portugal, ou k quer que seja, deve sempre dizer tudo, a verdade à malta. eu acho k ele devia abrir uma página no facebook para dizer o que lhe vai na alma. esse cena do dever de contenção, reserva, mainãoseiquê, é careta. eu curto o governator.
Muito bem, Alexandre. Subscrevo sem hesitar esta reflexão. E obrigado pela visita.
Abraço.
Agradeço-vos o convite e os vossos simpáticos comentários. Foi uma honra.
Abraços,
AHC