Diário de uma gata enquanto blogger (edição especial)
Olá… mas quem são estes maduros e essas miúdas giras aí na barra da direita? Peço desde já desculpa por vir parar a um blog que não conheço, mas a patroa está um tanto calaceira e pediu-me para vir até aqui escrever umas coisas. Como sabem, não há ração de graça.
Parece que me chamo Zecky. Podia ser pior: ainda a ouvi tratar-me por Sissi, logo a mim, uma republicana de bigodes frondosos. Convencido que me chateia, um maduro lá se casa chama-me Žižek, e eu ralada. Não preciso que um intelectual (parece-me que é de esquerda) esteja a dissertar sobre o real de copo de bourbon na mão, pois nunca esqueço o meu passado de rafeiro, do qual guardo algumas cicatrizes: um lanho no sobrolho e um canino partido comprovam a minha militância de rua, o combate pela sobrevivência e a larica que nem imaginam. Nem sabem o que se passa outside, nas ruas infestadas de bicharada cruel e gananciosa capaz de tudo para pôr o dente num pedaço de comida, verdadeiros monopolistas dos escassos abrigos da chuva e do vento. Pois é; antes de ser uma elegante aristogata fiz parte de mundo desgraçado, cheia de bichos nefastos que só dão maçadas (vulgo parasitas e pulgas) e envergonham a classe. Não julguem que não temos o nosso brio: um pêlo limpo e asseado faz toda a diferença entre nós, e causa verdadeiras clivagens sociais entre os gatos finos de upstairs e os rafeiros de downstairs.
Eu tive sorte por ter sido encontrada no parapeito da janela daquela família simpática. Ou teria sido aquele parapeito que me encontrou a mim, tenho pensado nisso enquanto salto de móvel em móvel ou me aconchego no sofá junto aos braços da minha patroa, enquanto fumamos um cigarrito e lemos umas coisas. Temos os nossos problemas, é certo, mas em bom tempo a livrei do sofá fora de moda, daquela flor com elástico para o cabelo e da pashmina de má fama.
Agora, um salto de corça e volto para o blog amarelado onde me espera uma sesta quentinha, que esta escrita esgotou-me. Saudinha a todos, é o que desejo.



Pedro,
Será que dá para colocar a fotografia da minha gatinha??
Afinal, o post o dela:)
Bjs
Obrigda
Aí está a bichana, Isabel. Só agora consegui tratar dela. Espero que goste. E ela também.
Muito bom, Isabel. Como sempre. Abraço.
Muito bem. Felicidades a Zecky e patroa 🙂
Um beijinho, Isabel.
Marta
Grande Isabel, e que simpática Zecky, beijitos a ambas!
Ron, ron.
Seja bem-vinda, Zecky Sissi de Blog y Pearls!
Diga lá à sua dona que gostámos muito da embaixada mas que apareça também por cá, para um five o’clock tea. Para ela será sempre servido upstairs, naturalmente. Pergunte-lhe se serve um earl gray com bergamota ou se prefere um lapsang soushon.
E agora veja se nos deixa os sofás em condições, sim?
Obrigada Ana pelo convite.
Chá com leite para nós as duas será perfeiro.
Quanto às unhas, nada receie porque fomos ambas à manicure: a dela quase tão cara quanto a minha.
um beijinho e até breve
Seja então muito bem-vinda a esta casa, que também é sua.
Muito obrigada a todos.
Gostei muito de aqui ter escrito e até breve
Obrigada. Também gosta de aparecer:)
Olá Zecky, eu sou o Rafa Eli. És muito bonita, eu também sou um rapaz bonito, igual ao que aparece nos alimentos de adulto da friskies, mas o meu peito é branquinho como o teu. Convido-te para dares um passeio comigo na minha quinta, tem montes de sítios para explorarmos, podemos ter um namoro, só platónico pois a minha dona…. bem… O meu melhor amigo é um rafeiro preto de quatro olhos a quem eu gosto de surpreender saindo de detrás das plantas e fazendo uma pega de cernelha. Ele chama-se Rex Linus. Nós gostamos muito da nossa dona, o veterinário diz que ela foi a única mãe que conhecemos, ela dá-nos muitos mimos e boa papinha.
Maria Isabel, o seu texto está uma delícia.
Parabéns.
Virginia e Rafa.
Muito obrigada pelas suas palavras.
Aceitamos com todo o gosto até porque as passeatas ,mesmo sem sapatilhas MBT, fazem muito bem.
No entanto, só depois da cirurgia que o tempo nao está para criar mais bicharada.
Abracinhos ao Rex.
Até brve
Gostei muito. Parabéns, Miss.
A Zecky é uma gata sortuda, Miss. Tem uma dona que gosta dela e que mesmo quando estava de férias, andava sempre a perguntar se ela estava bem. De resto, Zecky aburguesou se ao bem-bom, á erva gateira, ao tabaquinho, ao portátil, ao calor do aquecedor, á sua mantinha ao fundo da cama e até ás bric a brac lá de casa. Está uma gatita anafada e feliz, longe da gatita triste e magra que um dia recolhemos do parapeito da janela da cozinha.
T e Z