Pauperes commilitones Christi Templique Solomonici
Em Dezembro passado a família, por sugestão da historiadora de serviço, juntou-se em passeio que teve como tema a conhecida Rota dos Templários.
Também é sabido que encontraram santuário em Portugal, em terras que possuíam, recebidas de D. Afonso Henriques como agradecimento pela conquista de Santarém onde construiram o Castelo de Tomar, onde também mais tarde D. Dinis deu luz verde à ordem de Cristo, que é finalmente reconhecida pela Santa Sé como Milícia de Nosso Senhor Jesus Cristo, mantendo a mesma filosofia que guiava a Ordem anteriormente extinta.
Em Dezembro passado, lamentei até por escrito o estado degradado e descuidado em que se encontrava o Convento de Cristo. Património da humanidade, é exemplo indubitável de que a humanidade em geral, os portugueses em particular, não são grandes defensores ou sequer guardiões do seu património histórico.

Que dizer então d’ O Homem que matou D. Quixote, de Terry Gilliam (um realizador que considero pessoa esclarecida, com alguns filmes de que gostei bastante, como por exemplo, Fisher King e Monty Python and the Holly Grail), filmado no Convento de Cristo, alugado para o efeito pela produtora e que foi literalmente vandalizado na sua essência para meia dúzia de cenas de um filme supostamente “de culto”?
Rodam-se filmes pelo mundo fora e tenho a certeza que o aluguer das locações é sujeito a rigorosas obrigações contratuais. O que os curadores destas propriedades patrimoniais estarão a pensar quando lhes acenam com cifrões transcende a minha imaginação.
Maria Dulce Fernandes
(blogue A CONTAR VINDO DO CÉU)


Hoje ainda não fui a És a nossa fé, passei aqui primeiro e ainda bem.
Muito bem. Muito gosto em vê-la.
É com um orgulho enorme e um verdadeiro deleite, ler estas linhas, escritas pela minha querida irmã, pois na verdade e para além da mesma ter o dom da palavra tem, seguramente, o dom da escrita … simples, mas brilhante!
Senhor Nuno Roque, o suspeito do costume, muito obrigada 🙂
Um poucochinho meu.
D. Dinis deu abrigo aos Templários, opondo se a Roma, e negociou (1317) com o Papa seguinte, João XXII (Jacques d’Euse, antigo Bispo do Porto). Resultou a bula Ad ea ex quibus de Março de 1319. Conseguiu que em Portugal a Ordem do Templo passasse a ser denominada Ordem de Cristo. Inicialmente com sede estratégica em Castro Marim, controlando o Atlântico entre o Algarve e o Norte de África. Dali atacavam as cidades costeiras e os navios árabes. Na época, as costas do Sul cristão da península eram alvo de frequentes de acções de pirataria árabe. Passados poucos anos, em 1356, os Templários regressaram para a sua sede inicial em Tomar.
Fascinantes passagens da nossa história que se entrelaçam nos ramos daquela árvore imensa que conta a história do mundo.
Obrigada.
É um gosto redobrado vê-la hoje por cá, Dulce, desta vez na montra do blogue. Uma participação que se soma à sua presença frequente nas nossas caixas de comentários, sempre com observações dignas de registo.
Gosto muito do Delito. Gosto do que se escreve, de quem escreve e principalmente da liberdade que todos têm de escrever o que pensam.
Leio quase todas as publicações. Nunca escondi que o Pedro Correia é o meu favorito. Entendo o que escreve e como escreve. Não é artificial nem subjectivo. Sempre muito esclarecedor e esclarecido.
Obrigada.
Muito me honrou este convite. Ao Pedro Correia e demais altos dignitários da palavra escrita, um enorme bem hajam.
Lamentável.
Não será possível fazer alguma coisa? Como processar a produtora ou o realizador? Será que os responsáveis vão ficar calados?
Claro que, no momento, há coisas mais importantes, mas isto não devia ficar esquecido.
Viva Cristina
Sabe que estas situações, para evitar responsabilidades, foram “autorizadas”, as árvores queimadas não faziam parte do plano do ordenamento do espaço, houve acompanhamento contínuo pelos bombeiros que asseguram que foi tudo regulamentado, mas quem por lá passou no aftermath, viu que não foi bem assim. É normal minimizar sempre as consequências quando as situações extrapolam meros excessos.
A presença dos Templários em Portugal “dá pano para mangas”, tanto do ponto de vista histórico como em termos arquitetónicos, sobretudo, e neste último caso, no que diz respeito à vertente militar. A simples mas excelente abordagem da convidada pode e deve ter o condão de abrir o apetite para quem deseje aprofundar a temática em apreço, no terreno e/ou através das abundantes leituras disponíveis. Teorias da conspiração à parte, é preciso não esquecer que o Tesouro, uma das eventuais motivações de Filipe o Belo, nunca foi encontrado (o Nicolas Cage não conta…). Quem sabe se ele não anda por aí, em algum dos locais ligados à Ordem de Cristo? Ou terá servido de financiamento à epopeia dos Descobrimentos? Pode ser que uma destas Sextas-Feiras 13 seja dia de sorte para alguém… 🙂 Para os Templários não foi! Parabéns à bloguista convidada!
Mito, fábula, narrativa, lenda… a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão exercerá por esse mesmo motivo um fascínio que perdurará por tempos infinitos e incontáveis sextas feiras 13.
Gracias Dr.
Belo texto!
Estimo que tenha gostado Neubauten.
O Anónimo como de costume, sou eu… desculpe.
Por coincidência, no próprio dia de lançamento deste blogue (há oito anos e meio) escrevi um texto sobre o Convento de Cristo. 41.html
Recordo-o aqui:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/39
Será a actualidade de um texto com 8 anos é meio mera coincidência?
Coinci-quê? A luz do que se sabe hoje, não lhe retirava sequer uma vírgula, apenas mudava os actores.
Infelizmente não é coincidência. É a prova cabal de que neste país o deixa-andar se transforma rapidamente em lema e a inércia constitui inequívoca prova de vida.
Até um dia ocorrer uma desgraça e aí lá vão todas as sumidades fazer o alarido da praxe. As mesmas que nada tugiram e nada buliram em tempo útil.
Cara Dulce, uwk
o uso de monumentos nacionais em filmes estrangeiros, cujo resultado não foi o mais famoso, é uma tradição nacional.
Ora veja:
https://www.youtube.com/watch?v=kUBCFI3f
É verdade António.
Lembro-me da reportagem e do sururu quando da estreia do filme em Portugal.
Moralmente, todos os monumentos onde decorreram filmagens foram vandalizados . Alguns , mais emblemáticos tiveram mais projecção pelas piores razões, outros menos conhecidos tiveram o seu debut no mapa das atracções turísticas pelos mesmos motivos.
A situação de Tomar foi bem mais grave do que querem fazer crer, aliás, tudo o que neste país possa ser considerado incômodo é obviamente abafado, pelas piores razões, claro está. Terem cortado árvores e destruido pedras centenárias para alimentar fogueiras de vinte metros e egos ainda maiores, não teve qualquer importância. As contrapartidas foram seguramente compensadoras. A Directora continua em funções e como é natural por cá, nada se perde, tudo se transforma… nem que seja num monte de escombros que vem aumentando de dia para dia.
Esqueci-me de referir que a Direção Geral do Património diz que ” os estragos foram um acidente”…
Ultimamente este tipo de explicação anda muito em voga… também pelos piores motivos.
E no entanto, cara Dulce, recusa-se a ciência: aipsilon/noticia/universidade-de-coimbra-c ontesta-recusa-da-abertura-do-tumulo-de-d-a fonso-henriques-1294381
https://www.publico.pt/2007/05/18/cultur
No âmbito do interesse do projecto histórica e cientificamente , não percebo a recusa. O estudo das múmias egípcias e incas, levantaram vários véus da história. Provavelmente os impulsionadores do projecto trabalham pro bono e isso não é interessante, António, não traz vantagens nem contrapartidas para ninguém.
Pobres de espírito, é o que somos…