20+20 é muito diferente de quarenta
Há um par de semanas uma grande amiga minha comemorou a sua chegada à meta dos 40. Ao invés de se lançar em festividades pomposas, optou por oferecer uma simples ceia aos amigos do coração.
Estou a falar de uma bela rapariga que, dois filhos depois e com algumas chatices pela vida, preserva intacto o sentido de humor e o ar jovial.
O marido, a quem os anos e os litros de cerveja aumentaram consideravelmente o perímetro abdominal, quando chegou a altura de se cantar os parabéns, lançou uma risadinha e, à laia de piada, gritou alarvemente “é agora que eu te troco por duas de 20”.
Em defesa da aniversariante, e porque era um facto evidente, apressei-me a atirar de volta um “para isso era preciso que houvesse duas de 20 anos que te quisessem para alguma coisa”. E não me inibi de lhe relembrar que, há bem pouco tempo, uma amiga da sobrinha de 18 anos, tinha proferido uma frase qua ficou nos anais: “Aquele teu tio tem ar de quem foi giro quando era novo.”
Os convivas rebentaram em gargalhada geral e o assunto ficou por ali. Mas depois fiquei a pensar neste velho mistério de haver homens que chegam realmente a trocar as suas companheiras de vida por mulheres muito mais novas.
Um casamento é um processo. É verdade que começa pela fase “Lua de Mel”, mas vai gradualmente ganhando peso à medida que os anos se desenrolam. A fase dos filhos pequenos é a travessia do deserto, mas vivemos com a miragem de que dias mais fáceis chegarão.
Que haja gente que não se aguente, é perfeitamente compreensível. Nem todos temos vocação para expedicionário e é natural que desatemos a embirrar com o companheiro de viagem.
O que não consigo perceber é que se troque esse companheiro por outro que está em pleno ponto de partida, a léguas do nosso azimute.
Isto para dizer que, se o meu marido me trocasse por uma miúda de 20, me limitaria a achar que estava meio louco ou com areia na cabeça.
O que me lixava mesmo era se ele me trocasse por uma trintona mais enxuta.


GRANDE TEXTO! …do melhor que vi.
SOU particularmente avesso a textos “melosos”, do “amor”, …”dos aparentes jogos”, que dá “uma literatura circular”, “nada por aqui”.
Com relutância, iniciei.
Com aderência anímica, terminei.
Obrigado pelo tempo em que iniciei e que terminei. BEM HAJA!!!!
Obrigada eu, por ter feito scroll pelo ecrã abaixo mesmo até ao fim.
Se costuma andar pelo facebook, procure as Tralhas da Vida, que é a página onde vou escrevendo disparates que me ocorrem.
Um abraço
Há pessoas que ficam muitos surpreendidas quando digo que, a ser trocada, me sentiria menos ferida se fosse por um homem (e quantos casos conheço). Mais do que surpreendidas, ficam chocadas. No entanto, para mim é evidente. Não há comparação possível, não posso ficar a martirizar-me com “o que terá ela que eu não tenho?”
Por outro lado, a história da sua amiga e do seu marido anafado fez-me lembrar uma vez que eu, tendo engordado uns quatro ou quilos, encontrei um amigo que anda sempre uns 30 ou 40 acima do que devia.
«Estamos mais gordinhas, não?»
Fiquei tão irritada que me limitei a olhá-lo de alto a baixo (demorando-me mais na barriga) e a perguntar:
«Desculpe?…»
Obrigado pela visita, Francisca. Estou de acordo: 20+20 é muito diferente de 40. Para melhor.
Obrigada eu, Pedro. Pelo convite e pela simpatia.
Um grande abraço
Diz-se que os homens que trocam as suas esposas/companheiras por jovens (metade da idade, ou menos) têm dificuldade em envelhecer. O ter uma parceira jovem dá-lhes a ilusão que permanecem igualmente jovens. É atrás dessa ilusão que eles andam, não atrás de corpos ainda “esbeltos”.