Começa hoje a Convenção Nacional Republicana, que oficializará a escolha de Mitt Romney e Paul Ryan como candidatos à Casa Branca. Encontro de debate político e grande mediatismo, as Convenções partidárias marcam o início “a sério” das campanhas presidenciais americanas. O meu amigo Nuno Gouveia está na Florida, em reportagem especial para o 31 da Armada e o Era uma vez na América. Em jeito de prognóstico, deixo a minha leitura sobre as “forças” e “fraquezas” do evento:
Forças
– o “timing” não podia ser melhor: os dados da economia e desemprego são desanimadores para os Democratas; as sondagens mostram uma subida de Romney; e a nomeação de Paul Ryan animou a base conservadora. A Convenção pode ser a cereja no topo do bolo numa campanha em crescendo.
– foi uma boa ideia focar a Convenção nos temas económicos e fiscais, a principal preocupação dos americanos e o campo onde os Republicanos mais podem capitalizar com as fragilidades da Administração Obama.
– apesar das renitências iniciais do “establishment” em relação a Romney, a “máquina Republicana” conseguiu reunir as maiores figuras do Partido na Convenção, que terá como oradores Condoleezza Rice, John McCain, Marco Rubio, Rand Paul, Mike Huckabee, Jeb Bush, Christ Christie e Tim Pawlenty, entre outros.
Fraquezas
– um azar chamado “Isaac”: não é uma novidade, mas a coincidência entre a chegada do furacão ao Sudeste dos EUA e a realização da Convenção Republicana traz problemas organizacionais e também riscos mediáticos, uma vez que a “mensagem política” poderá ser parcialmente abafada pelas notícias sobre o furacão.
– a Convenção serve também para definir a “plataforma ideológica” do Partido, e neste caso os Republicanos vivem uma autêntica crise de identidade, presos entre facções que pouco têm em comum: libertários, “conservadores sociais”, apoiantes do “Tea Party”, neoconservadores, “conservadores fiscais” e elites financeiras. Não vai ser fácil transformar esta manta de retalhos num partido coeso.
– apesar do esforço para combater a imagem de partido “WASP” (white anglo-saxon protestant), os Republicanos continuam a prestar pouca atenção aos grupos minoritários; se exceptuarmos Condoleezza Rice e os casos peculiares de Rubio (um latino da linha dura) e Fortuño (Governador…de Porto Rico), não há praticamente na Convenção representantes significativos de grupos sócio-políticos cruciais, como negros, hispânicos e mulheres.

O Part. Republicano dificilmente podia estar pior.
J.G.A., esta convenção vai ter tantos balões como discurso, com exceção (espero…) de Condoleezza Rice, Gov. Martinez, Paul, ou Gov. Nikki Halley… não há conservadores, e o verdadeiro debate (a existir) seria entre a ala dura do partido libertário (Ron Paul que nao discursará) e os centristas (que dizem tudo com curvas)…; Não é de esperar pois muito desta convenção.
A Nikki foi uma desilusão… Paul seria um orador bem interessante. Obrigado pelo comentário!
Um mormon e um neo-tomista na Casa Branca – what a nightmare… Que saudades de estadistas como “tricky dickie” (apesar de tudo)
Do tricky não… 🙂
“…apesar das renitências iniciais do “establishment” em relação a Romney..”
!? Romney é “establishment” . O que houve renitência e ainda há é dos Libertários(liberais para cá), do Tea Party.
O Plano de Paul Ryan é tão fraquinho, tão social democrata que só daqui a 20 anos os EUA estariam com contas minimamente aceitáveis. Ou seja não vai funcionar.
“O Part. Republicano dificilmente podia estar pior.”
O partido Republicano nunca esteve melhor – ou menos mau – os Estatistas estão cada vez mais a perder – pena é que na situação em que já estão ainda seja só uma tendência.
E é bom lembrar aliás que os EUA não têm um Orçamento há 3 anos…
Coisas que não aparecem nos media monoculturais…
http://www.jammiewf.com/2012/video-mia-l ove-rocks-gop-convention-msnbc-ignores/
Obrigado pelos comentários!