Contraste


Pedro Correia,

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Na pantomima propagandística de ontem, com vários ministros enviados especiais às televisões debitando torrentes de palavras inúteis para preencher tempo de antena absoluto, destacaram-se dois. Não por acaso, apontados ambos como putativos candidatos à sucessão de António Costa. Não por acaso, sentados lado a lado – como peças de um puzzle muito especial do primeiro-ministro, que adora este passatempo.

Fernando Medina e Pedro Nuno Santos. Em evidente contraste.

 

O primeiro falando em voz segura e pausada, pronunciando bem as sílabas e martelando vezes sem fim o mote «contas certas» que o especialista-mor em comunicação do Governo lhe terá sugerido para evidenciar “sentido de Estado”.

O segundo parecendo estar ali a debitar uma ladainha apressada, de cabeça baixa, olhar errante e tristonho. Como se aquilo fosse um velório em vez de uma sessão de propaganda governamental para acenar aos compatriotas com “dinheirinho”. Quando a inflação em Portugal ultrapassa 9% apenas cinco meses depois de o Governo ter apresentado um Orçamento do Estado em que previa uma suave espiral inflacionária de 3,6%.

O mesmo governo que agora fala até à náusea em “contas certas”. A nova designação da famigerada austeridade.

 

Medina a correr para o posto máximo pós-Costa, cenário que tenderá a repetir no Partido Socialista o que aconteceu na Câmara Municipal de Lisboa. Pedro Nuno Santos com ar de “tirem-me daqui”: percebe-se que ainda não recuperou da humilhação pública a que foi sujeito em Julho pelo primeiro-ministro. No elenco ministerial ainda em funções, talvez só Marta Temido exiba um ar ainda mais acabrunhado.

Costa, que monopolizara a propaganda na noite de véspera, deve ter sorrido ao ver aqueles dois – tanto o que já ele elegeu como delfim como o que ele detestaria ver um dia no seu lugar. Tal como sorriu há um ano, ao entregar o cartão de militante do PS à “super-Marta” agora caída em desgraça, insinuando com um brilho de gozo nos olhos que até ela poderia suceder-lhe no posto máximo do partido.

Continua a ter um sentido lúdico da política, actividade que exerce em exclusivo há 40 anos. Mesmo que ninguém o acompanhe nos sorrisos, estando as coisas como estão.

24 comentários em “Contraste”

    1. Em mês e meio, dois ministros tratados abaixo de cão pelo chefe absoluto.
      Diz a sabedoria popular que não há dois sem três. O ditado é bem capaz de se aplicar também agora.

  1. Realmente, cambada de aldrabões…
    Está uma pessoa descansada a usufruir da sua reforma, e sem saber ler nem escrever leva com mais meio mês de pensão. É evidente que a oposição tem razão, o dinheiro é da própria pessoa que o ia ganhar quando levasse os 8% de aumento que o governo prometeu.
    Onde é que já se viu? Com uma tradição tão boa de aumentos, sempre acima dos dois dígitos, quererem agora reduzir drasticamente o aumento das reformas para 4%. Ainda se houvesse algum acontecimento internacional que sugerisse moderação, está bem, ou algum problema de saúde a nível mundial, mas não, está tudo calminho…
    Bem pelo menos não é em duodécimos.

    1. Você, nas reuniões de planeamento mediático do governo, corresponde exactamente ao apoiante-padrão de António Costa.

      Engole as grandes noites de propaganda, com directos de dezenas de minutos em todos os telediários, para anunciar coisas jamais vistas: o “cheque directo às familias”, um “aumento inédito de pensões”, uma “baixa brutal no custo da electricidade”, etc.
      Tudo espremido, a soma destas benesses em termos financeiros é inferior àquilo que o governo arrecada só num mês em receitas extraordinárias do IVA, que vêm disparando com a inflação. Até Julho, este imposto cego já rendeu mais 24% de verba à Autoridade Tributária face ao período homólogo de 2021.

      Basta ver a cara do ainda ministro das Infraestruturas para se perceber que nem ele próprio já acredita neste bodo aos pobres e neste bacalhau a pataco.
      Quanto à ainda ministra da Saúde, nem dá para lhe ver a cara: eclipsou-se. Passou de Super-Marta a Infra-Marta.

      1. Tem razão as coisas jamais vistas afinal não são inéditas.
        O último cheque directo às famílias foi um mês de ordenado.
        O último aumento inédito de pensões foi o imposto extraordinário.
        E a última baixa brutal no custo da electricidade foi quando apagaram a luz ao fundo do túnel.
        Mas claro, eram outros tempos e os cofres da Maria Luís estavam a abarrotar de dinheiro.

        1. Confirma-se. Você faz mesmo parte do público-alvo do governo. Eleitor padrão.
          Integra aquilo a que os propagandistas de Costa chamam (em bom “amaricano”) ‘focus group’.

          Dos tais que o tornaram absoluto.

          Dos tais que aplaudem a “grande baixa de 6% do IVA da electricidade” – que a DECO já desmascarou, dizendo que corresponderá a… só um euro para mais de 90% dos consumidores.
          Dos tais que aplaudem o “aumento das pensões” – que as associações do sector, incluindo as dos reformados e pensionistas, já anunciaram que é mero truque de ilusionismo, pois limita-se a antecipar em três meses metade do aumento que já estava garantido por lei a partir de Janeiro. E que não corresponderá nem a metade da perda do poder de compra por efeito da inflação.
          Que o Governo previa em Abril ser de 3,6% e já ultrapassa os 9%.

          Mas faz bem em aplaudir Costa. Ele anda a precisar de algum carinho, depois de ver que até alguns dos seus ministros deixaram de acreditar nele.

          1. Mais uma vez você tem razão, eu faço mesmo parte do público-alvo do governo, aliás de todos os governos infelizmente.
            Eu não sei se o aumento das pensões é um mero truque de ilusionismo. Truque de ilusionismo foi quando apareceu o coelho e desapareceu o dinheiro, isso aí sim é que foi.

          2. Ilusionista era o Sócrates, que você tanto admira.
            Consegue fazer vida de milionário sem profissão sem meio regular de subsistência, vivendo da perpétua generosidade de um “amigo”.
            Enquanto levou o país à bancarrota. Quando saiu do governo, não havia dinheiro para pagar salários nem pensões.
            Mas ele soube governar-se. Continuando a viver como milionário à custa alheia, desta vez no bairro mais luxuoso de Paris.
            Com pessoas como você a fazer-lhe vénias e a bater-lhe palminhas.

            São as mesmas que agora festejam a nova austeridade e os novos cortes chamando-lhes “restituição de rendimentos”.
            Com vénia agradecida ao Grande Pantomineiro, mestre das “cativações” e das vacas voadoras.

          3. Não seja pobre e mal agradecido, se não fossem as eólicas do Sócrates eu queria ver como é que você resolvia agora o problema da energia.

          4. Se não fosse o dinheiro do amigo Carlos Santos Silva, sempre a jorrar em doses generosas, o Sócrates ainda andava a desenhar pardieiros na Covilhã.
            Certas amizades valem mais do que a taluda do euromilhões.

          5. Não seja invejoso. O Lula também era um grande ladrão e agora é o melhor candidato a presidente.
            Você está assim porque ele ainda não lhe deu uma entrevista. Ele é meu vizinho, quer que eu lhe dê um contacto?

        2. Já voltámos aos anos 80 em que algum “povo” ficava satisfeito com aumentos de 7% quando a inflação era de 16%…

        3. “Tem razão as coisas jamais vistas afinal não são inéditas. O último cheque directo às famílias foi um mês de ordenado. O último aumento inédito de pensões foi o imposto extraordinário.”
          Tudo isso quando o Passos Coelho, essa diabólica figura, pegou num país de economia destruída pelo PS de Sócrates e teve que aplicar uma coisa negociada entre o Carvalho Pinto de Sousa e teórica.
          Ah, e não é cheque algum: é transferência bancária. Vá de actualizar os dados da conta bancária – que este governo gosta de ser “big brother” – e ter que ter conta bancária. À força. E quanto ao gás: “mercado regulado” com todos. A mesma coisa. Quanto mais dependência do estado, quanto mais o estado souber de nós, melhor.

  2. Ao leitor que vem falar em “nalgas” e parece ter obsessão pelas ditas cujas: o seu comentário foi naturalmente remetido à ETAR mais próxima.
    Se quiser pronunciar-se sobre o tema que aqui trago, sem escatologia, muito bem.
    Se não quiser, tudo óptimo.

  3. AC é a epítome do país socialista e estatizado: balofo, arrogante, a vender receitas de soma zero — com as mentiras e a incompetência zombar a permanentemente com o desperdício das vidas da gente “mais bem preparada de sempre”, outro chavão que não significada nada a não ser o talento que já se destruiu com as cunhas, as batotices e as trapalhadas.

    Uma sociedade de escravos —incluindo a elite social mais mal-preparada de sempre, os funcionários públicos— que se resignam a aceitar as mentiras em troca das casinhas e das reformas exageradas e desmerecidas por alguns e sempre miseráveis e ridículas para os outros.

  4. Lógico, mais que lógico, número de ilusionismo ( oficial ) para encantar um povo /clientela orgulhosamente mendicante…
    JSP

    1. O Grande Pantomineiro transforma o Luís de Matos num aprendiz.
      Empurrando os problemas com a barriga e os ministros que deixam de lhe ser úteis borda fora. Por vezes até com uma deselegância quase chocante, como agora sucedeu à titular da pasta da Saúde.
      Já sem falar daquela senhora que andou a brincar com ele às vaquinhas voadoras como embrulho propagandístico à hora dos telejornais. O que será feito dela?

  5. portanto, costa o pandego.
    Calculo que este seja o post mil para abrir os olhinhos as pessoas: nao se iludam com o sorriso …maroto.

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