Contra Todas as Expectativas


tralhasdavida,

Vens de uma reunião de book club onde se discutiu literatura francesa, ou melhor, onde a literatura clássica francesa serviu de pretexto para se chegar a temas tão actuais como a discrepância social, a liberdade sexual ou a importância da educação.

Numa época em que o tema da igualdade de géneros se instalou em cima da mesa, dás por ti a apontar o dedo ao mito do príncipe encantado. Insurge-se uma das convivas, criticando que se trata de uma questão cultural, que as meninas das sociedades ocidentais ainda crescem induzidas a sonhar serem salvas por enxovais e cortinados.

Gera-se o debate, atiram-se argumentos irrefutáveis para um lado e para o outro, cresce a polémica no meio de vozes acesas, até que, por fim, as oito mulheres sólidas, independentes e de mente aberta, acabam por concordar que sim, que não há qualquer dúvida de que uma rapariga quer, pelo menos uma vez na vida, enfiar-se dentro de um vestido para fazer juras de amor eterno.

 

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11 comentários em “Contra Todas as Expectativas”

  1. E que tem isso de mal? O vestido, o amor, a festa, enfim, o romance??
    Sejamos honestos: a vida com isso, já é o que é, sem isso seria completamente boring …
    Haverá sempre quem diga que viemos ao mundo para sofrer, então, há que torturar a carne e cortar cerce as ilusões. E o riso, o brilho, a cor. Existem mil razões para que falem assim. Por mim, deixo que falem. Mas não me representam.

    1. O que tem de mal é que, 1) gasta-se uma data de dinheiro no casamento, e 2) gasta-se outro tanto, mais tarde, no divórcio.

      1. Quer o casamento quer o divórcio podem ser coisas boas.

        Como vamos morrer não devemos viver Luís Lavoura? afinal gasta-se uma data de dinheiro estando vivo.

  2. Um dia para brilhar e sonhar. Nada a apontar, faz parte dos sonhos de menina em quase todas as culturas, o dia em que somos enfeitadas, mimadas e o cento das atenções. Pode não passar de um papel assinado, mas cada mulher encarna o seu próprio papel. Daí para a frente, depende de cada uma como dar continuidade ao “conto de fadas”. O meu já vai para 38 anos. Nunca foi um mar de rosas, mais do que um grande amor, convém uma sólida amizade e uma cumplicidade inabalável
    Nunca fui menos mulher, menos feminina ou sequer “amordaçada e agrilhoada à minha condição” , por ter vestido um vestido .branco… branco não, que era angelical de mais para o meu pelo na venta, cor de marfim.

  3. A minha experiência diz-me que, de facto, muitas mulheres (jovens) ainda acreditam em príncipes encantados. Ou seja, acreditam em homens perfeitos, que serão 100% adequados para elas. Como consequência, perdem anos em busca desse homem perfeito, em vez de aceitarem desde cedo que o homem perfeito não existe e que devem casar-se com o que há. A consequência triste desta busca é que chegam aos 35 e ainda estão solteiras, apesar de já terem namorado com uma dúzia de homens… todos eles imperfeitos.

    1. “Devem casar-se”?!

      Não lhe passará pela cabeça que haverá elas que não querem casar, juntar trapinhos, amancebar-se ou seja lá qual for o nome ou a forma que possam dar à partilha de espaço e vida em comum?
      Elas, tal como eles. Que se sentem bem sozinhas, ou que se sentem bem permanentemente acompanhadas pela novidade.
      Assim como há aquelas que em vez do príncipe querem um homem mas não aceitam qualquer homem só porque há na sociedade quem ache triste chegar aos 35 solteira.

      O princípe encantado será um mito, mas há quem sonhe com ele, quem espere por ele e até quem desespere com ele. Sonhar pode ser indução social, mas não cabe à sociedade dirigir os sonhos dos outros. Já esse “dever casar” soa mesmo a imposição…

  4. Sempre me lembro de acreditar que a eternidade tinha duração limitada. Pedro e Inês e Tristão e Isolda foram contrapesos da Cinderela e da Branca de Neve, em cujas histórias originais um Príncipe é o salvador mas não tem direito a nome – e talvez por isso achasse que não tinha dignidade.

    Portanto, nada de juras de amor eterno – antes promessas de sinceridade. Vestida e despida – mas não certamente dentro de um vestido enfiado para o efeito!

    Ou o vosso grupo de oito não é representativo ou a discussão não acabou…

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