Contra a tentação da carne


Pedro Correia,

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Pensava eu que uma universidade era um espaço de liberdade. Afinal não: é um espaço de interdição. Mais de meio século após a proclamação de Maio, que proibia todas as proibições, eis que a reitoria coimbrã, confundindo a academia com uma creche, restabelece a velha ordem com novos rótulos, tratando estudantes adultos como membros de um rebanho pastoreado pelos tele-evangelistas de turno que anunciam pragas bíblicas a quem ceder à tentação da carne.

«Razões ambientais» estarão na origem da decisão de eliminar o consumo da carne de vaca nas 14 cantinas a cargo da academia coimbrã, que se ufana assim de ser a «primeira universidade portuguesa neutra em carbono». Eis ao que chegámos: à universidade “neutra”, onde a unicidade impera e os mais recentes dogmas em matéria de pureza alimentar são aceites sem um assomo de rebelião juvenil. «Vivemos um tempo de emergência climática e temos de colocar travão nesta catástrofe ambiental anunciada», anuncia com requintes de terror milenarista o douto reitor, Amílcar Falcão. Não podia ter retórica mais adequada nem apelido mais propício ao aplauso do partido animalista.

Os puritanos norte-americanos na década de 20 impuseram a Lei Seca. Agora os mastigadores de rúcula cá do burgo, com igual fúria proibicionista, pretendem impor com força legal os seus hábitos alimentares invocando – como os prosélitos de qualquer fé – o primado da moral pública, que se quer descontaminada e sã. Nada de novo debaixo do sol. Só me espanta o silêncio resignado – ia a escrever bovino – das associações de estudantes de Coimbra. Comem (algas e tofu) e calam. O que vai seguir-se? Substituição compulsiva da cerveja por água da bica? Imposição de cintos de castidade em material biodegradável? Recolher obrigatório para cumprir as horas de sono que as normas sanitárias recomendam?

Os basbaques erguem hossanas em louvor ao “progresso” contido nas novas tábuas da lei. Muitos totalitarismos começam assim: com caução “científica” e proselitismo higienista em nome de um ideal de pureza, sem um sopro de contraditório. Nunca é de mais recordar que o maior tirano que o mundo conheceu era vegetariano militante, muito amigo dos animais e quis impor o seu padrão alimentar ao mundo inteiro.

174 comentários em “Contra a tentação da carne”

    1. e ,já agora,pela excelente música desses Pink Floyd.Isto não é só ver bonecos,vale a pena reouvir antes que algum Pim censure também as capas que mostrem as vacas desse ponto de vista,traseiro.

  1. Não percebo essa da “primeira universidade neutra em carbono” , só pelo facto de terem interdito o consumo de carne de vaca. Sim, o Pedro tem razão. É esquisito o silêncio estudantil. Bom, mas como dizia Camões :

    Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
    Muda-se o ser, muda-se a confiança;
    Todo o mundo é composto de mudança,
    Tomando sempre novas qualidades.

    Continuamente vemos novidades,
    Diferentes em tudo da esperança;
    Do mal ficam as mágoas na lembrança,
    E do bem, se algum houve, as saudades.

    O tempo cobre o chão de verde manto,
    Que já coberto foi de neve fria,
    E enfim converte em choro o doce canto.

    E, afora este mudar-se cada dia,
    Outra mudança faz de mor espanto:
    Que não se muda já como soía.

    1. Que decepção, caro Vorph. Tinha alguma esperança de que você me pudesse esclarecer o que significa “uma universidade neutra em carbono”.
      Tentarei perguntar ao doutor Falcão, num momento em que ele não ande a esvoaçar.

    2. “Não percebo essa da “primeira universidade neutra em carbono” , só pelo facto de terem interdito o consumo de carne de vaca.”

      Mais uma boa demonstração da anti-ciência de boa parte das Universidades.

      lucklucky

          1. Este Magnífico Reitor é oriundo do ramo de Ciências Farmacêuticas. As quais não costumam ser ditas “Letras, ou Ciências Sociais”, principalmente com o registo destas menorizadores, como é tão costume no nosso pobre rincão.

  2. Confesso que fiquei particularmente chocado em virtude de o meu bisavô ter sido reitor dessa universidade durante 20 anos. Proibir a carne de vaca quando a comida nas cantinas universitárias já é tão deficiente representa uma atitude ditatorial, totalmente contrária ao paradigma do que deve ser uma universidade. Mas estranhamente os estudantes estavam satisfeitos com a medida. Pelos vistos não se importam de comer couves em vez de bifes.

        1. Já dizia a douta Isabel Jonet: «Não podemos comer bifes todos os dias.»
          Na altura, aqueles que agora dão gritinhos ecológicos, chamaram-lhe de tudo. Incluindo vaca e cabra.

  3. Evitando a piada fácil de sempre terem havido vacas nas cantinas da Universidade (ofensa tanto às Capazes como ao PAN), este assunto é demasiado grave para passar em claro.
    Para lá da questão política relacionada com a liberdade, preocupa que uma Universidade, que devia ser um garante de conhecimento, transmita uma ideologia básica e sem qualquer suporte científico, e opte por apresentar soluções simplistas para questões complexas.
    Banir as vacas, perdão, a carne de vaca, não torna a Universidade sustentável ou “neutra” (seja lá isso o que for). As alternativas proteicas, que presumo venham da agricultura, também elas têm impacto ambiental. Aliás, onde está o estudo que afirma que uma vaca alentejana polui mais que umas sojas plantadas na América do Sul e trazidas via avião para a Europa? É triste que uma instituição de base científica caia nestas pseudo-soluções, mais dignas de uma qualquer business school of marketing.
    Passando para o plano demagógico; se de facto a Universidade quer limitar o carbono e a pegada ecológica, podem começar por fechar os estacionamentos das faculdades, e pedir à Câmara para limitar o trânsito (aliás, plano antigo) a transportes públicos e de mercadorias na zona Alta. Duvido é que os senhores professores apreciassem ir a penantes para as aulas, ou bater os costados num dos maravilhosos autocarros da cidade. Para isso era preciso tomates, e embora estes sejam vegetais (ou frutos?), não são devidamente utilizados neste país, ao contrário das gojis e sementes de girassol.

    1. Subscrevo a sua sugestão:
      «Sde facto a Universidade quer limitar o carbono e a pegada ecológica, podem começar por fechar os estacionamentos das faculdades, e pedir à Câmara para limitar o trânsito (aliás, plano antigo) a transportes públicos e de mercadorias na zona Alta.»

      Mas o melhor é esperarmos bem sentados.

    2. Pior vai ser se nao houver um minimo de contestaçao . Os que apresentaram esta medida daqui a um ano estarao a impor menus vegetarianos em todas as cantinas ; no ano a seguir , vao decidir para proteger o ambiente e a saude dos estudantes que , mesmo maiores e vacinados , tem todos de beber agua da torneira ! E depois ? Um dia de jejum total por semana para ( fecho das cantinas ) para diminuir “pegada ecologica” ? Um dia de consumo de fruta e legumes crus para poupar o ambiente do cozer dos alimentos ? Ou daqui uns anos , campanhas de esterilizaçao das estudantes e castraçao dos estudantes para diminuir a populaçao ?!… Ou daqui a uma decada ou duas , um dia de purga em que os estudantes poderiam matar-se uns aos outros ?!?!…

  4. Subscrevo, Pedro. Na sua totalidade.
    O que mais me chocou nem foi o fundamentalismo ambiental, que é tendência e regra para despontar nos holofotes do who’s who nacional.
    O que me espanta é que os herdeiros das “capas negras” de1969, sempre tão opinativos e insurgentes, se tenham cingido ao espírito de boiama e aceitado placidamente esta imposição, que seguramente não irá salvar o planeta, apesar de populista e popularucha.
    Gordura de gergelim e farinha de gafanhoto é o que estimula a massa cinzenta desta juventude… ou então não, porque ao que parece, os gafanhotos também têm sentimentos.

    1. Agora anda tudo de bola baixa, Maria Dulce. Basta olhar para uma multidão à espera de um transporte público: 95% das pessoas estão inclinadas para o ecrã do telemóvel.
      Gente assim aceita tudo.

  5. Lembrei-me do que via há 60 anos à porta de uns tascos. Enquanto os carroceiros,lá dentro,comiam o cozido à portuguesa ou os carapaus de escabeche,à porta e presos a argolas na parede,as respectivas muares trituravam
    as palhas misturadas com aveia,cenouras e favas dentro de um cabaz pendurado
    ao pescoço.Hoje partilhariam,os donos e as mulas,uma manjedoura assim vegetariana.

    1. Qualquer dia lembram-se de promover a extracção compulsiva dos dentes caninos, no âmbito do SNS, para ficarmos com uma dentição idêntica à das mulas.
      Já esteve mais longe.

  6. Ouvi já dizer que o Reitor ia pôr uma multa a quem der traques durante as horas de expediente. Os traques são gases que poluem e cheiram mal e neles há vestígios de metano.

  7. O reitor bem pode encomendar uma catrefada de toupeiras para substituir os curtumes de que alguém se queixa que irão entrar em crise. E a estudantada até vai pensar que é arroz de passarinhos.

  8. Tenho uma outra teoria.
    Recentemente foi noticiado que as universidades não têm dinheiro para as investigações.
    De um modo geral a carne de vaca é mais cara que porco ou frango.
    Desta forma, a passar a ideia de progresso e consciência ambiental conseguem reduzir custos em alimentação.

        1. Será que o reiror Falcão não sabe que os falcões são carnívoros? Ou será que ele anda a tentar redimir os pecados dos seus antepassados, a quem chamavam os pica-miolos?

  9. É isso tudo.

    Anda aí uma a vaga canibalismo. Andam a comer cérebros, agora até a reitores. E isto de comer mioleira não é nada condicente com o veganismo. Não percebo. Decidam-se.

    Isabel

      1. Não sei. Agora que os estudos indicam (e bem) que as plantas comunicam entre si nem em herbívoros nos podemos refugiar. Já estou a ver um devoto do PAN a olhar compungido para a rúcula que temos no prato.

        Ainda acabamos a tomar cápsulas com o copo de água. Há qualquer coisa de filme futurista de Woody Allen.

        Isabel

          1. A ver se me safo.
            Se for Woody Allen no espeto? Presumo que a trupe já aplauda e vá ao churrasquinho com gosto. Pode é reclamar de estar malpassado.

            Isabel

          2. Pronto, nem gosto assim tanto de cinema. Não se fala mais disso. Rendo-me à rúcula. Mais, as duas gotas de azeite com que a vou regar são de azeitonas apanhadas em horário recomendado.

            Isabel

          3. “Olival intensivo”? Credo. Claro que não. Vai ser uma colheita tradicional, em família, mas não numa “cafona”, vai ser uma família inclusiva. A apanhar a azeitona estará um homem gay, uma mulher lésbica e outra bissexual (não esquecer que a ‘nova ciência’ provou que não há mulheres heterossexuais), um transexual e um heterossexual indeciso. Este último é o que vai rachar a cabeça quando cair da oliveira, porque está nitidamente a pedi-las.

            Isabel

          4. Isabel, tenha em atenção, que a ASAE exige que um terço das azeitonas sejam pretas. Segundo ouvi dizer vai também haver novas regras sobre o descaroçar das mesmas. Há botânicos que afirmam que a remoção do caroço pode ser traumatizante, semelhante a uma castração (parece que se nota na qualidade do azeite)

          5. E deixaremos de poder retalhar e curar as azeitonas. Mutilação, no mínimo.

            Isabel

          6. Um gay, uma lésbica* (em vez de um homem gay, uma mulher lésbica).

            Isabel

          7. Sim, e naturalmente verdes. Só as azeitonas pretas têm autorização para ser hetero.

            Isabel

          8. Vou associar-me ao movimento de protesto dos feios, pitosgas e narigudos dos corsos carnavalescos. Coitadinhos, sempre tão visados. E fico à espera que o PAN se manifeste contra as ultrajantes fantasias infantis de morcegos (batman), abelhas (maia) e ratos (mickey).

            Isabel

          9. Depois de tanta lengalenga e elucubração sobre o pecado do azeitona canadiano não ocorre a ninguém dizer o óbvio: Trudeau fica nitidamente favorecido – de Aladino – pintado de preto. Era o pique que faltava ao primeiro-ministro mais bonito-simpático-bonzinho.

            Isabel

          10. Nos futebóis antes pintados de mirtilos. Azulinhos, coisa de gente com gosto apurado. 🙂

            Isabel

    1. Nao vá mais longe.
      Na Suécia uma intelectual progressista propôs o canibalismo exatamente para evitar criar vacas para evitar o metano..

      E mais.

      DAWKINS…célebre filósofo….lol…..ícone dos ateus tb propôs acabar com o tabu. CANIBALISMO…..
      para isso deve se começar a substituir as carnes de animais…nao só ovinos…por carne humana às refeições…

      Estamos mesmo numa época de grande progresso…

      Nao esquecer que o CES/BOAVENTURA da univ. Coimbra convidou o ex deputado Federal do Brasil JEANN WYLLYS…gay assumido….defensor da pedofilia como factor de maturidade sexual das crianças…..e…
      Lá está…..sexo com animais….incutindo as vacas…suponho….

      O progresso no seu esplendor..

          1. Era um bife de tofu e alga sim, pareceu-me um Tritão.
            Por via das dúvidas, ao cruzarmo-nos, apertei um pouco mais o cilício. Peça indispensável nos dias que correm.

            Isabel

          2. Aí estão as Papisas do Tofu e as madres superioras da Ordem da Rúcula, de cenho franzido, fulminando os descrentes nas suas homilias.
            Estamos condenados ao cilício. Nós, os hereges.

  10. A ignorância sempre foi, é, e será uma virtude. Os estudantes de Coimbra talvez estejam a dar uma lição que muitos não têm capacidade de assimilar e ainda bem que assim é.

          1. Ui se fosse só ler isso estava eu completamente descansada. ahahaha Existe mais uma mais. O PAN é uma gotinha de água. Aí está o que disse no comentário acima. Eis um exemplo

          2. Excomungada? De onde? ahahaah só se for deste mundo . Mas também por este andar já não lhe resta muito tempo.

  11. Oh Pedro, isto parece uma daquelas parvoíces de outros membros daqui do blog (os partidários da direita!!!!).
    Ou não ouviste tudo ou só leste as gordas e quiseste atirar a matar sobre um grupo de pessoas (tal como alguns dos teus colegas).
    Ora o reitor anunciou que a carne de vaca iria ser substituída por outras carnes!!! Não pela MERDA que escreveste nos dois últimos parágrafos…

    Sim, é uma medida estúpida (na verdade a razão é para aumentar a receita do refeitório, pois a carne bovina custa, em média 4,85 por kg, enquanto as outras carnes ficam bem abaixo dos 3 euros por kg mas, essa é a parte que os especialistas não querem que ninguém perceba, sendo que os estudantes vão na onda, como foram quando deixaram toneladas de cartões e pacotes de bolachas, pelas ruas de Coimbra, durante a “manifestação pelo ambiente”). No entanto, é uma troca entre carnes e não aquilo que tens ali escrito. Mal ou bem, perdes toda a razão ao lançares acusações que podem ser entendidas como que estejas a fazer campanha eleitoral pela associação de estudantes (liderada pelas juventudes partidárias do CDS-PSD de Coimbra) que tem andado a apoiar os candidatos, apresentando soluções ambientais sustentáveis, como a redução da utilização da carne bovina e caprina, apoiando a carne de frango, como opção (por ajudar a reduzir o colesterol e a diabetes, tipo 2). A reitoria aproveitou, pois ganha em 3 campos: na aceitação de ideias estudantis, na publicidade ambiental e na parte financeira.
    É por causa disto que os estudantes apoiaram a medida… que foi proposta por eles, há pouco mais de 1 semana.

    1. Devemos ser velhos conhecidos, visto você tratar-me por tu, embora nunca tenhamos sido apresentados.
      Dado o teor da prosa que aqui deixa, aconselho-o a medir o nível do seu colesterol. Talvez esteja muito elevado. Não andará a comer chanfana às escondidas dos seus colegas?

      Boas sandochas de rúcula é o que lhe desejo.

  12. Espere pelo dia em que professores da Universidade de Coimbra digam que a matemática é racista e branca assim como a pontualidade e que as mulheres não devem ser avaliadas com a mesma bitola que os homens…

    https://www.dailywire.com/news/51223/equality-australian-university-lowers-standards-ashe-schow

    lucklucky

  13. O mundo está a mudar e meus caros… o veredicto é este: ou deixamos a carne de lado ou então destruímos isto tudo.

    É que já não temos alternativa. Não é moda, não é fundamentalismo é mesmo uma questão de sobrevivência.

    Quando um dia os vossos filhos vos perguntarem o que foi que nós fizemos para evitar o caos onde eles vivem, gostava de saber o que lhes vão responder…
    Mas isso também já interessa nada.

      1. Aqui no convento come-se bem e variado. Hoje o menu foi : Quiche de cogumelos com beldroegas da minha hortinha, com salada de beterraba, cenoura e pickles e a finalizar um brownie . Sim tudo vegan e delicioso.

          1. É verdade no meu caso o meu convento também é o seu…. e chama-se planeta terra.

            Se não suidarmos dele quem cuidará ? Epá já estou ser fundamentalista. Irra

          2. Temos que ver , meu caro temos mesmo que ver. Ou então cabum….vai tudo pelos ares. Mas também não importa nada. Isto tem mesmo que acabar um dia. o melhor é mesmo acelarámos isto e dar cabo do convento.

          3. Para já, matam-se as vacas. Depois morrem os bois, como dizia a lengalenga infantil.
            Tenho de consultar as 1170 medidas do programa eleitoral do PAN. A ver se esta também lá está.

        1. Em “cama de espinafres” e “redução dum qualquer ingrediente” que agora não me ocorre. Está tudo louco.

    1. Sobreviva a Maria João com as suas ideias luminosas e seja muito feliz, e deixe cair as pecadoras da carne, como eu, na extinção. Porque a Maria João morre na mesma como eu, com apenas a particularidade de eu morrer farta e satisfeita de carne e a Maria João morrer enfezada e infeliz por se ter privado do suculento e delicioso bife.
      Pelos nossos filhos é o que menos me faz doer a cabeça ou perder o sono. Também tenho uma que pelo caminhar da parvoíce do alto dos seus oito anos, é outra parva para juntar à parvalheira que irá destruir o mundo.
      Até me apetecia dizer, se não me chamassem mal educada.
      Parvos e parvas de merda.

      Violeta Gina… de tal e tal.

      1. Nem mais, subscrevo.
        Deixem-me comer o que me apetece é que eu até sou responsável.
        Há anos que sou apologista dos 3 Rs da Sustentabilidade (” R,R,R,”) e sem ter uma postura lunática adopto essa máxima no quotidiano.
        Já plantei algumas árvores e só não faço compostagem porque não tenho condições e por favor não me obriguem a comer tofu e a beber leite de arroz.
        Não há pachorra.

        Maria

      2. Vamos lá ver uma coisa. Para mim comerem carne ou não , não me faz mossa nenhuma. Quero lá saber se comem carne ou não.

        Comam á vontade, e sejam felizes.

        1. Quer! Quer sim senhora! Quer a Maria João e todos os fanáticos que agora deram em evangelizar o mundo carnívoro, como se não fosse através da carne que a nossa espécie sobreviveu.
          E depois começam a fazer as cabeças das crianças enchendo-lhes os miolinhos de coisas parvas, depois vem uma criança de oito anos chamar atrasada à mãe só porque a mãe sabe perfeitamente que a carne faz falta ao desenvolvimento de uma criança. Carne, ovos, leite, queijo e seus derivados.
          O que eu também gostava que a Maria João me dissesse, é como se desloca nas suas obrigações diárias, se utiliza o carro ou vai de bicicleta. E se calça sapatos de couro ou de lona como as mulheres do Sudão.
          Falam falam mas não se privam do bem bom. Mas insistam que enquanto o mundo for mundo há sempre alminhas dispostas a baterem palminhas às mentes iluminadas.

          Violeta Gina…

    2. O que é curioso é que, a propósito de bifes, ainda ninguém se lembrou das sábias palavras da Sra. Dona Jonet. A equação — 7 (em breve 9) biliões de bifes*2/dia + Planeta Terra = x, x = ? — torná-la-á certamente famosa no mundo inteiro (postumamente, hélas) pela notável presciência do seu dito oracular, à época tão incompreendido.

      1. Tão apedrejada foi Isabel Jonet por dizer, há uns anos, que não é possível comer bifes todos os dias…
        Se fosse hoje recebia doutoramento ‘honoris causa’ em Coimbra.

  14. Concordo plenamente. Em contrapartida a universidade de nutricionistas do Porto fez o mais correcto, informou. lançou uma pagina com informação para que todos possamos decidir de acordo com informação cientifica. Mas, convenhamos, nada de novo, nesta ditadura do politicamente correcto todos os dias enfrentamos proibições ou obrigações absurdas que atentam diariamente contra as liberdades individuais de cada um sem qualquer sopro de contestação. Não tarda temos todos que nos subjugar a meia dúzia de pseudo intelectuais, geralmente de esquerda, que acham que são os únicos com capacidade de pensar.

    1. Ah mas olhe que existe por aqui muito boa gente que diz que ignorância é sabedoria, ou seja tem essa capacidade mas não querem utilizá-la.
      É mais “sábio”, digamos assim.
      Porque pensar pela nossa cabecinha dá trabalho. E muito.

  15. Quer dizer, isto não se está a exagerar um pouco? Vamos la ver, não se trata de uma prohibição. Ninguem impede um estudante de ir comprar um prego e come-lo na universidade. Em França querem fazer comer carne de porco aos muçulmanos, aqui parece que queremos fazer comer carne de vaca mas no nosso caso não deveria ofender a religião de ningem…

      1. Entao trata-se de uma forma de respeito por uma minoria (em Portugal). Os outros podem ir buscar um prego cheio de mostarda industrial

  16. Parece que o lobby do agronegócio fez mais uma angariação. Basta ler um pouco sobre o que instituições como a OMS dizem sobre o consumo de carnes vermelhas (não confundir com as bifas sob o sol algarvio), para estas indignações se tornarem no mínimo ridículas. Obviamente que haverá quem diz que é tudo falso, mas nos dias que correm a ignorância selectiva já roça a estupidez.

    1. É vacas NÂO entram mas porcos…é o que dá escrever enquanto se dá uma trinca num belo prego cheio de mostarda!!!

  17. Ninguém na Universidade de Coimbra pode, a partir de agora, ter flatulências (dar peidos) ou eructações (arrotar) e muito menos defecar, porque as 3 actividades libertam mais monóxido de carbono do que uma motoreta velha. Como dizia o outro, vai tudo cagar para dentro!

  18. Haverá algum problema com a qualidade da carne de vaca, ou será uma questão económica da universidade? O preço do porco é mais barato, mas uma jardineira feita com pedacinhos de vaca sabe muito melhor. Estão estufados de saber as causas, mas continuam a empurrar com a barriga as culpas para a cozinha.

    1. A seguir vai o porco, depois o frango. Ouvi uma das papisas do proibicionismo pregar hoje, num telediário, que “falta acabar com as outras carnes todas também”.
      Coitado do camarada Jerónimo: vai deixar de comer pezinhos de porco de coentrada. E sinto pena do António Costa: chacuti de cabrito, nunca mais.

  19. Caso os bichinhos deixem de servir para servir à mesa, passe a expressão, serão limitados do jardim zoológico. Ou então promovidos a animais de estimação.

  20. Haverá algum problema com a qualidade da carne de vaca, ou será uma questão económica da universidade? O preço do porco é mais barato, mas uma jardineira feita com pedacinhos de vaca sabe muito melhor. Estão estufados de saber as causas, mas continuam a empurrar com a barriga as culpas para a cozinha.

  21. Em Coimbra está imposta a lei do boi. Além da imbecilidade bacoca da regra, afronta-se e pode dizer-se neste caso com propriedade, avacalha-se, a lei da paridade de género alimentício. O objectivo é pôr toda a gente a pastar o mesmo, atitude que é mais própria das vacas. É confuso, no mínimo.

    1. “O objectivo é pôr toda a gente a pastar o mesmo”.
      Isso é mais para carneiros: as vacas e os bois, enquanto uns pastam, outros ruminam.

  22. A NBC já tem o confessionário pronto, espera-se a reacção, cópia de Pavlov do jornal Publico…

    Climate Confessions

    https://www.nbcnews.com/news/specials/climate-confessions-share-solutions-climate-change-n1054791

    “Even those who care deeply about the planet’s future can slip up now and then. Tell us: Where do you fall short in preventing climate change? Do you blast the A/C? Throw out half your lunch? Grill a steak every week? Share your anonymous confession with NBC News.”

    Cuidado com o pecado de grelhar um bife por semana…quantas avé Marias?
    Ou será ave Gretas?

    Chama-se a isto jornalismo.

    lucklucky

  23. Nao é de espantar que esta imposiçao tenha sido aplicada nas cantinas da universidade mais fechada , retrograda, egocentrica e , nao esquecer , a mais VELHA de Portugal . Atençao , nao seria contra a introduçao de um menu vegetariano ou isento de carne ou peixe nos menus da faculdade ; nao seria contra uma campanha dentro da universidade para incentivar a diminuiçao do consumo de carne e/ou peixe por motivos ambientais e de saude . Mas a imposiçao de qualquer destas medidas ou esta decisao bacoca so fara os estudantes sonharem por uma bela peça de CARNE ! Nos ( que eusaiba ) ainda somos carnivoros !…

      1. Façam como os CVs (Caniballis Vegetarianus), só podem comer maçãs do rosto, plantas dos pés, raízes de cabelos, grelos femeninos e tomates masculinos!

        Em Coimbra ainda vão comer chanfana, só da pele e dos cornos da cabra!

        Abaixo a chanfana, abaixo o leitão da Bairrada, abaixo os capões de Freamunde, abaixo a carne de alguidar à Alentejana, abaixo o cozido à portuguesa com enchidos do Fundão….. ABAIXO os FALCÕES

        Leão do Fundão

  24. A Universidade de Coimbra nao proibiu absolutamente nada. A Universidade de Coimbra e proprietaria de algumas cantinas e serve nelas aquilo que bem lhe apetece. Os estudantes, se gostarem daquilo que ela serve, comem, e se nao gostarem, que vao comer alhures. Ninguem os obriga a comer nas cantinas da Universidade, nem ninguem os proibe de comer carne de vaca.
    A Universidade de Coimbra e livre de fazer nas cantinas que sao sua propriedade aquilo que quiser.

    1. «A Universidade de Coimbra e livre de fazer nas cantinas que sao sua propriedade aquilo que quiser.»

      Apoiado!, se lhes desse na gana, até podiam fechar a cantina para abrir um restaurante com 3 estrelas Michelin.

      1. Ha muitas universidades que fazem coisas desse genero – alugam os seus espacos a empresas (nomeadamente bancos) que pouco servico util fazem a comunidade universitaria.
        Naturalmente que uma universidade tem legitimidade para fazer tal coisa mas, se o fizer, sujeita-se a violentas criticas por parte da comunidade academica (estudantes e professores).
        A Universidade tem legitimidade para eliminar as suas cantinas e arrendar os respetivos espacos a restaurantes mas, se o fizer, sera severamente criticada pela comunidade estudantil – e o reitor perdera o lugar nas proximas eleicoes.
        Trata-se de decisoes legitimas e que ninguem tem nada que criticar, a nao ser os membros da propria universidade.
        E, que eu saiba, ate agora a Associacao de Estudantes de Coimbra nao tomou qualquer posicao sobre a decisao da reitoria de deixar de servir carne de vaca.
        Portanto, nao metamos a foice em seara alheia.

    2. Concordo camarada Lavoura.

      Deviam permitir entrada a cães, por exemplo. Afinal, estão acima dos caloiros na hierarquia.

    3. ” Os estudantes, se gostarem daquilo que ela serve, comem, e se nao gostarem, que vao comer alhures. ” Que o Luis Lavoura paga-lhe.

      1. Pois, ai e que bate o ponto. A carne de vaca e muito cara. Portanto, a Universidade, para nao gastar em excesso, decidiu nao a servir – tal como nao serve camarao nem caviar – e substitui-la por ingredientes mais baratos. Os estudantes que nao estiverem para comer comida barata podem, a suas expensas, ir comer vaca alhures.
        Os estudantes nao podem exigir simultaneamente terem nas cantinas refeicoes baratas e refeicoes confecionadas com ingredientes caros, como a carne de vaca.

  25. Concedo, há um certo ridículo na afirmação do reitor ‘neutralidade carbónica’. Fica o simbolismo da acção, que aprovo. Venham mais e mais substantivas.

    Os seus receios sobre a substituição da cerveja por água da bica e outras supostas alterações são manifestamente exagerados. Só os posso entender no quadro geral da embirração que tem em relação ao PAN.

    Já a sua referência ao ‘nascimento de totalitarismos’ rivaliza com o ridículo da neutralidade carbónica do reitor.

    (Bom álbum dos Pink Floyd)

  26. A bem do ambiente, a cantina vai abolir todos os lacticínios.
    Ou as vacas que dão leite bufam menos que as cujo destino é o talho?

    1. Gostava de saber se o Magnífico Reitor também proibiu carne de vaca (e derivados do bicho, incluindo leite, queijo, manteiga, iogurtes) no remanso do seu lar.
      Estaremos perante mais um Frei Tomás?

  27. Deixo aqui um pequeno apontamento (copiado do blogue De Rerum Natura) da autoria de Isaltina Martins, professora de Latim e de Português.

    INTELIGÊNCIA – o que a etimologia nos diz:

    O vocábulo inteligência vem do latim intellegentia, que significa “acção de discernir”, “faculdade de compreender”, portanto, “inteligência”, “compreensão”, “entendimento”.

    Este substantivo intellegentia está relacionado com o particípio presente do verbo intellegere, que significa “perceber”, “compreender”; logo o intellegens é “aquele que compreende /que conhece”, o “conhecedor”. Daqui deriva a palavra portuguesa inteligente (do acusativo latino, o caso de onde deriva a maior parte das palavras portuguesas, intellegentem). Por isso, o INTELIGENTE é, literalmente, “aquele que percebe, que compreende, que sabe discernir”.

    Este verbo latino intellegere é formado de inter (prefixo que quer dizer “entre”) e legere (verbo que significa “juntar”, “reunir”, mas também “colher”, “escolher”) — portanto inter-legere quer dizer “escolher entre” (entre várias opções escolher uma…); então o inteligente é “aquele que sabe escolher, que sabe discernir , que sabe colher o conhecimento”. A INTELIGÊNCIA é isso, é essa capacidade de escolha, de discernimento, de colher o saber, o conhecimento.

          1. Sim, claro, na medida em que tal como muitos dos meus camaradas comentadores me limitei a mandar umas bocas inconsequentes.

            Mea culpa mea culpa ! Para ser mais construtivo e para quem percebe francês para tentar alargar as perspectivas …

            – Bruno Parmentier –

            Nourrir l’humanité ?

            https://www.youtube.com/watch?v=l9VGz9Lrt70

            https://www.youtube.com/watch?v=xDLisHLG5q4

            – Marc Dufumier

            Peut-on nourrir le monde de l’agriculture biologique ?

            https://www.youtube.com/watch?v=wJJyDa9PwlQ

  28. A escola da minha filha é verdadeiramente progressista – há anos que ninguém vê um bife de vaca na cantina, e é pioneira nas alimentações alternativas (lagartas, gorgulho, etc.).

  29. “Maior tirano” que o mundo conheceu?… Refere-se a quem? Josef Stalin? Kim Il Sung?Mao Tse-tung? Ho Chi Minh? Pol Pot?…
    Estes são os maiores. Diferem em poucos milhões de mortes entre eles.

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