FACELIFE
Fez as malas e foi viver para o facebook. Encontrou mil novos amigos de infância, o amor virtual da sua vida, gente famosa para conviver tu-cá-tu-lá. Povoou quintas, cidades e castelos, deixou likes e smiles em timelines alheios, cuscou o que os amigos andavam a fazer. Partilhou músicas, poemas e citações, aderiu a eventos e causas, assinou petições, postou fotografias de poentes sobre o mar e lolou muito com piadas em inglês. Uma vida em grande, sempre em festa. Um dia, o telefone tocou. Surpreendida, levantou o auscultador, abriu a boca com esforço e tentou articular um “sim?”. Nada. Forçou as cordas vocais, uma e outra vez, mas não emitiram um único som. Tinha emudecido.

Do mal o menos… podia ter engravidado virtualmente, ao abrir inadvertidamente um daqueles anúncios, na barra lateral, a uma sex-shop. E depois?! Se tal tivesse sucedido, não se colocaria a questão de saber se a paternidade seria atribuida ao dildo rôxo, se ao rosa-chock, ou ao azulão, mas sim, o problema de não existirem maternidades on-line…

A personagem feceboquiana retratada é feminina? Não cheguei a perceber o sexo; deve ser da idade, sei lá.
Por acaso é feminina, mas podia ser masculina. O facebook é um vício sem género. E sem idade, pelo que ainda vai a tempo… 🙂
Bem visto, Bartolomeu.

Clap, clap.
Ora aí está uma coisa que se pode fazer também no facebook, e sem barulho: clapar. 🙂
Fabuloso Ana.
Parabéns
Olá Pitucha! Que bom vê-la por aqui outra vez.
ah ah ah
muito bom!
Thanks, Ginja.
Magnífico!
Joaquim, sejas bem aparecido! Isto hoje está cheio de surpresas. 🙂
… e nem é necessário um mapa, um microscópio ou um telescópio para perceber, para ver…, tamanha é a simplicidade, a clareza com que desnuda a nossa vida, o nosso mundo ??
E devemos aceitar esta realidade?
Temos tantas batalhas para vencer … Obrigada!
Ilda, o facebook não tem mal nenhum se usado em doses terapêuticas, e pode ser até um instrumento de trabalho muito útil. O problema é que pode viciar seriamente e fazer acreditar que substitui a vida real, e aí é que há que ter cuidado. Basta estar atento e… ir treinando as cordas vocais de vez em quando.
🙂
Muito bom, Ana!
🙂
Sim, Ana, isto está a ficar tão esquisito como o cadáver… Belo apontamento.
Lol. Está mesmo, Fernando. Só falta a Vivelinda.
Cirúrgico, mas – atrevo-me a dizer – tão generalista!, que a carapuça cabe a toda a gente. Não fossem duas palavrinhas a mais (quiçá o problema é o sinal matemático invisível entre elas…; vou deixar a questão em aberto, até para mim), e cabia-me a mim também. Ufa por elas 🙂
Mad, mas isto é mesmo para ser generalista! Os exemplos são mais do que muitos, não pensei em ninguém em particular. Mas agora fiquei curiosa… quais duas palavras, e qual sinal matemático? 🙂
Eheheh! That’s for me to know and you to find out 😉
Ups, estás mesmo apanhada. Um dos sintomas é escrever tudo em inglês… lol
Um dos melhores da série, Ana. E a concorrência é forte.
Obrigada, Pedro. Está escrito em facebookês, mais uma novilíngua que talvez te inspire uma nova série.