
(créditos: Público/DR)
Há sensivelmente dez meses deixei nota neste espaço sobre o mau serviço que era prestado aos utentes do Aeroporto Humberto Delgado, vulgo Aeroporto de Lisboa.
Esta semana, a Bloomberg divulgou a lista dos melhores e dos piores aeroportos do mundo.
Pois bem, entre os dez piores aeroportos do mundo o Aeroporto de Lisboa conseguiu ser o pior. Isto é, o 132.º e último lugar. O Porto ficou em 125.º. E não me venham dizer que há muitos outros aeroportos importantes entre os piores, como Londres-Gatwick e Paris-Orly, porque a gravidade do caso não muda de figura, visto que o movimento daqueles não tem comparação com os nossos.
Se o objectivo da privatização da ANA por parte da antiga ministra das Finanças e do ex-primeiro-ministro Passos Coelho era prestar um péssimo serviço ao país, o objectivo foi plenamente conseguido, não ficando atrás do que se fez com os CTT.
E tome-se nota de que não sou, por princípio, contra as privatizações. Mas em tudo na vida só há duas maneiras de fazer as coisas: bem feitas ou mal feitas. Neste caso, assim o penso desde a primeira hora, foram mesmo mal feitas e enganando-se os contribuintes e utentes. E para quê? Os resultados estão à vista de todos.

Disparate. O problema nada tem a ver com a privatização. O problema tem a ver com o grande e súbito aumento do número de clientes do aeroporto, conjugado com as limitações de que este à partida sofria.
Se o aeroporto tivesse permanecido público, provavelmente estaria hoje ainda bem pior do que o que está. Com o adicional de que o Estado não teria dinheiro para construir um novo.
claro que é disparate.
Chegar aquela fila terceiro-mundista e ver 2 guichets abertos os outros 10 fechados tem mesmo a ver com o tamanho do aeroporto…. os voos chegam às 6:00 da manhã os funcionarios entram às 10:00…
Pois…Mais uma “lavourada”.
E são funcionários do SEF, não funcionários da ANA, há que dize-lo. Portanto a responsabilidade dessa fila terceiro mundista é do Estado e não da entidade que gere o espaço.
O problema, melhor dizendo, o grande problema, é que Marquês de Pombal só houve aquele, e pelo andar da carruagem, neste caso seria de avião, nos tempos mais próximos não vai haver mais algum.
E qual era a posição do Aeroporto de Lisboa antes de ser privatizado? Para que possamos tirar conclusões e a partir daí fazer uma análise séria sobre quais as questões a corrigir, julgo que seria bom compararmos o antes com o depois. 😉
Tem toda a razão.
Aliás, como refere uma notícia de dia 7 do Público, abaixo referida por um outro leitor, o mesmo aeroporto ganhou um prémio internacional, o que não deixa de ser estranho.
O que lhe posso dizer, daquilo que apurei, é que em 2018 estes aeroportos não apareciam nos lugares que apresentam este ano (mesma entidade, i.e. Bloomberg):https://www.bloomberg.com/ne ws/articles/2018-06-06/the-best-and-wors t-airlines-and-airports-of-2018
Para a World Airport Awards em 2018, Lisboa estava em 57.º e o Porto em 71.º, sendo que para esta mesma entidade em 2017 Lisboa estava em 68.º e o Porto em 75.º, em 2016 em 57.º e 70.º, em 2015 em 52.º e em 65.º, em 2014 em 58.º e 63.º, em 2013 estava o Porto em 53.º e Lisboa em 67.º e em 2012 o Porto em 55.º e Lisboa em 61.º.
A Air Help (https://www.airhelp.com/en-ie/airhelp-s core/airport-ranking/) coloca Lisboa também em último lugar (132.º) e o Porto em 125.º para 2019.
Outros rankings (Conde Nast, Smart Traveler, Far & Wide, etc) não são conclusivos porque só apresentam os primeiros e os últimos e nem Lisboa nem o Porto aparecem, não permitindo comparações anuais. Pelo menos a estas não tive acesso. Se houver alguém que tenha esses dados seria bom que fossem divulgados.
Os critérios não são sempre os mesmos, mas há um indicador que é o resultante das queixas dos utentes. E quanto a estes basta frequentar essas estruturas e ouvir quem o usa com frequência (não falo dos lounges das companhias).
O indicador da Air Help é aquele a que a Bloomberg recorre.
Obrigada
Xentificamente: https://lishbuna.blogspot.com/2019/05/bl og-post_49.html
Dos aeroportos não posso falar. Os CTT, os que utilizo, não estão piores (em parte por terem sido sempre maus).
O problema que a privatização do aeroporto trouxe foi a falta de proteção do serviço púbico, onde cai precisamente o controlo de passaportes. Já na área de vendas onde as rendas são pagas a peso de outro, não faltaram obras ampliação e melhoramentos. Como resultado, temos um aeroporto que começa a rivalizar com alguns centros comerciais, enquanto que a área de controlo de passageiros continua com os mesmos recursos de há mais de 10 anos. Nem mesmo a área dos passaportes electrónicos mereceu ampliação, até porque mesmo que se quisesse, não há espaço físico para tal.
O coelho troikado fez o que lhe cumpria, baixou as orelhas aos franceses da Vinci, da mesma forma que o 44 o fez na altura que foi necessário renovar a concessão.
Curiosamente, saiu uns dias antes um prémio qualquer atribuído ao mesmo aeroporto como sendo o melhor.
Curiosidades à parte, gostava de saber onde andam hoje as luminárias que andaram a dizer que a Portela tinha capacidade para mais 20 anos, para justificarem a não construção de um novo aeroporto, que vinha a ser estudado desde finais da década de 60 para a Ota, dando uma guinada na recta final para Alcochete, para depois nem o pai morre nem a gente almoça, e agora andamos à volta do projecto do Montijo. Cheira-me que ainda não é desta que Lisboa terá um aeroporto de jeito.
Não é o aeroporto de Lisboa que necessita ser ampliado, mas sim o seu corredor aéreo, que está estrangulado pelas bases aéreas militares que rodeiam a capital e não permitem maior trafego.
Reforçar a equipa do SEF no controlo de passaportes e alegar a saída dos passageiros após a recolha de bagagens seria suficiente para os problemas actuais.
Mais um expert em aviação…
Mais um que julga os outros sem saber quem são ou a sua profissão…
Não estou a julgar ninguém.
Mas se acha que um aeroporto internacional, com dois terminais (já dou de barato considerar o barracão do terminal 2 como sendo um terminal de um aeroporto internacional), a rebentar pelas costuras em passageiros em trânsito, resolve o seu problema com ampliação do corredor aéreo, mantendo a estrutura física actual, só pode ser mesmo a opinião de um expert em aviação. Quem sou eu para duvidar…
Aqui:
https://www.transportesenegocios.pt/ana-q uer-mais-espaco-aereo-para-crescer-em-li sboa/
Ou seja, é preciso as duas coisas.
Era capaz de ser interessante ver o aumento de passageiros por libertação de corredores aéreos ser “absorvido” pela actual estrutura aeroportuária… de aero-apeadeiro lotado a aero-apeadeiro super-lotado.
Umas das duas, pois a estrutura há muito que está a receber obras de ampliação (o que é aliás referido no artigo em causa e qualquer viajante pode confirmar). E falando como viajante frequente, fora da época alta eu nunca vi o “aero-apeadeiro” lotado. Tenho sorte, só pode.
Não são privatizações a 100%. São ppp’s. É normal terem o pior funcionamento possível, é para issoque são criadas. São pagos para fazerem nada, depois fechar com prejuízos quando os interveninentes enriquecerem o suficiente e ter que ser nacionalizado de novo. Ou é privado ou não é.
…….não vale a pena “inventar”……….o grande problema é….sempre foi….e será…..a falta de “estruturas” aeroportuárias adequadas ao tempo….e ao espaço……tudo o resto…..é mera “treta”……..!!!!
Pedro Marques era o indicado para trabalhar nas “bilheteiras fechadas” com outros familiares dos socialistas….
A.Vieira
o post, o tema presta-se a pano para mangas, embora o assunto tenha em diferentes momentos esgotado toda a polemica.
Mas aqui o autor presta-se a um genero de balanço, a sugerir que nao valeu a pena a privatizaçao, e que os contribuintes foram enganados.
Digo eu, os contribuintes sao sempre enganados… ate om a verdade. E justamente essa é a questao, pois quanto a insuficiencias e deficiencias de serviço prestado pela ANA, isso é coisa de concorrencia, de pressao e reclamaçao dos utentes.
È da ANA que estamos a falar, mas nao vi ninguem comentar noticia recente de a uniao europeia subsidiar agora a modernizaçao da tap. Ou seja, sempre os contribuintes…
Não contesto a lista, mas contesto que com base nela se fale “do mundo”. Basta andar por outros continentes que não o europeu e o da América do Norte para, sem dificuldade, encontrar pardieiros piores do que Lisboa.
E tenho muitas dúvidas que os males do aeroporto sejam atribuíveis à privatização (no que toca ao controlo de passageiros vindos de fora da zona Schengen, onde os atrasos são por vezes terceiro-mundistas, a responsabilidade é clara e ostensivamente do Estado, e não do operador privado que gere a Portela).
Onde sim me parece que o Estado andou mal foi na reversão da privatização da TAP – também há uma lista onde a companhia aérea de “bandeira” lidera o mundo em atrasos. Como passageiro frequente, garanto-te que enquanto foi verdadeiramente privada os aviões saiam a horas. Agora é uma desgraça. Pequenos exemplos: ontem, a TAP lixou uma conferência onde participei (uma das oradoras chegou com quase 3 horas de atraso); na semana passada fez-me chegar a Lisboa 4 horas e meia depois da hora (vindo de Bilbao); há três semanas aterrei em Madrid com 3 horas e 20 minutos de atraso. E só não continuo para evitar entupir-te a caixa de comentários com o estado vergonhoso a que chegou a TAP.
Mas estamos de acordo, só há duas maneiras de fazer as coisas: bem feitas ou mal feitas.
Caro Diogo,
Da TAP não falo porque há muitos anos que não viajo nos seus aviões.
Quanto ao aeroporto falo como utente e comparo. Dos wc mal cheirosos, com falta de sabão líquido, às filas no controlo de segurança, sem esquecer o calor insuportável e o tempo que a bagagem demora, tenho apanhado de tudo. Se já era mau antes, ficou pior depois.